Luzes
Não tenho medo da escuridão, pois aprendi a acender luzes dentro de mim, sou lanterna própria, sou fogo interno, sou chama que não se apaga.
Há noites em que a cidade me parece um sopro cansado. Luzes que piscam como olhos que fingem não ver. Caminho entre rostos apressados e penso no que perdi. Perder também é aprender a medir o valor do que resta. E quando volto, minha casa me recebe com ternura de objeto amado.
Filho, quando procurar um amor, procure aquele que fecha a porta das opções, apaga às luzes do passado e abra as janelas das novas oportunidades.
Há um ruído constante no mundo.
Um zumbido de notificações, luzes piscando, vozes comprimidas em telas.
Chamamos isso de conexão.
Mas, quando o silêncio chega, percebemos — há algo que se perdeu entre um toque e outro.
Vivemos cercados de redes: sociais, neurais, digitais, afetivas.
Somos fios, dados, pulsos elétricos viajando por cabos invisíveis.
E, ainda assim, sentimos falta de algo que o Wi-Fi não alcança: o olhar demorado, o riso inteiro, o abraço que não depende de senha.
O perigo, talvez, não esteja nas redes — mas na mente que, sem perceber, se desconecta de si mesma enquanto acredita estar on-line.
Desaprendemos a estar sozinhos, e confundimos presença com visibilidade.
Somos uma multidão em silêncio, cada um falando com seu reflexo.
E, nesse espelho luminoso, o humano se desfoca.
Mas há quem perceba as rachaduras — professores, artistas, pensadores, sonhadores —
que ainda acreditam que pensar é um ato de resistência. Eles caminham entre as redes e tentam tecer novamente o fio do sentido. A reflexão é sobre eles — e sobre nós.
Sobre a mente que precisa se reconectar com aquilo que não se mede em bytes:
a empatia, a escuta, o amor, a presença.
Não é uma revolta contra a tecnologia, nem um lamento nostálgico.
É um convite à consciência.
A lembrar que a rede mais importante ainda é a que se forma entre mentes e corações vivos.
E, talvez, o primeiro passo para isso seja simplesmente pausar.
Respirar.
E se perguntar:
“Em que momento eu me desconectei de mim mesmo?”
O crepúsculo deu
a sua despedida,
as luzes da cidade
foram acesas,
a Lua coroada
está de estrelas
iluminando o Rio.
Ao mundo inteiro
oferto a veia
da paixão que não
oculto no peito
feita de vibração
e teu amor perfeito.
O desejo de viver
para cantar o amor
seja como for
é só o começo:
nos teus lábios
a sede de me amar.
No ritmo do Universo
a canção eterna
aos olhos lindos
voltados para quem ama,
esta temperatura
que amorosa chama
ao ardente total amplexo.
Citações bíblicas são para acender luzes — não para apagá-las, muito menos para monopolizar a Graça.
Insulto maior não há, que ver tantos se valendo das Sagradas Escrituras para se esconder, aparecer... ou se promover.
Porque Deus jamais teria contribuído com uma única vírgula do livro mais vendido, mais lido — e menos vivido do mundo — para legitimar descuidos, maldade ou caprichos de apaixonados.
A Palavra, quando nasce da Fonte, não busca plateia, busca consciência.
Não pede eco, pede postura.
Nem deseja aplauso, deseja transformação.
Mas há os que a tomam como escudo, sem jamais permitir que ela os atravessasse.
Há os que a declare com fervor, mas não a deixe iluminar a própria sombra.
É há os que a cite de cor — e, ainda assim, não a conheça.
Talvez o maior desafio da fé não seja crer, repetir ou pregar… mas permitir que a Graça nos alcancem onde mais resistimos a ser alcançados.
Porque Escritura não foi dada para amarrar ninguém — foi dada para libertar.
E somente quem se deixa iluminar por ela descobre que a verdadeira luz nunca humilha; revela.
Nunca esmaga; desperta. Jamais separa; reconcilia.
E é justamente aí que a Filosofia reencontra a Fé no ponto mais delicado: o ponto em que ambas exigem do sujeito não a obediência cega, mas a coragem de se encarar.
A Filosofia nos pergunta por que acreditamos; a Fé nos pergunta como vivemos o que dizemos acreditar.
E, quando caminhamos sem medo, percebemos que essas perguntas são irmãs — não rivais.
A Escritura nos mostra caminhos, mas jamais os percorre por nós.
A consciência é quem decide se cada passo será um gesto de luz ou de vaidade.
Porque não há texto sagrado, capaz de elevar quem insiste em rastejar pelas conveniências.
E não há versículo que enobreça mãos que o brandem como arma enquanto o coração permanece fechado como punho.
Fé sem reflexão vira fanatismo.
Reflexão sem fé vira desespero.
Mas a união das duas — essa, sim, — é o que faz da Palavra uma ponte em vez de trincheira.
Talvez Deus nunca tenha pedido que interpretássemos a Escritura com perfeição… mas que a vivêssemos com honestidade.
Porque a Verdade, quando realmente é luz, não precisa ser defendida — precisa apenas ser deixada brilhar.
Porque a Oração sem Ação não ascende — retorna.
Não toca o Alto — ressoa no vazio de quem a profere.
E, talvez por isso, seu destino seja apenas os ouvidos dos tolos que imaginam que o Céu se move por frases que nem eles próprios se movem para viver.
APÊLO
...Deixe-me ser
O sol da existencia
Teu ceu prateado
As luzes e sombras
Dos dias dourados!...
...Deixe-me ser
A brisa da tarde
Em teu corpo de anjo
Ser tua metade
Teu mar,oceano!...
...Deixe-me ser
O minuto que passa
E toca teus pulsos e corre em teu sangue
No fim do crepusculo!...
DAISY HELENA
Das estrelas do céu, num clarão...
Avistei no meio de tantas luzes,
Invisivelmente você.
Sensível, no olhar, no falar, no pensar e no calar.
Young, Imaginária é esta estrela.
Hoje no encantamento deste dia,
Encontro em você a expressão do amor.
Lendo suas poesias, trocando nossa energia,
Enlouqueci e me perdi afastando a dor.
Neste momento, descobrimos num sentimento profundo,
A beleza eterna da vida, que é o amor maior do mundo.
Deixaste que o tempo me mostrasse
as luzes do outono dos teus olhos
por vezes, única fonte de amor
Quebraste o silêncio
do outro lado dos sonhos,
com as cores da minha paz estilhaçada
trazendo-me um rosto opaco de sol
Ficará comigo,
a estranha chama da espera,
como a metade de alguém
que não passou
de um ser imaginário,
rarefeito em alguma quimera
Caminhar a Beira Mar!
O sol mergulha na tarde.
Em raios de amor que arde.
Em luzes que divergem.
Em beijos que convergem...
O meu caminhar na beira do mar.
E encantado fico com teu olhar.
E as ondas brancas, calmas, flutuantes.
Em espumas de paixões navegantes...
Caminho lentamente na beira do mar.
Sentindo o seu corpo em brisa a pensar.
Em versos de ternura e de solidão...
Caminho admirando o barco a velejar.
O azul oceano nos olhos a cantar.
Brincadeiras escondidas, Roseiras floridas...
As coisas mudam... as estrelas se apagaram por causa das luzes da terra. Antes o céu que a iluminava.
Passo agora da vida horas
Mirando a caixa de luzes
E contando letras pra extravasar
Vejo-me trincar a face ao mundo
Como uma barra de chocolate
E não sinto sabor algum que tem vida
Pois não se sente gosto com os olhos
É preciso apalpar junto ao rosto
Mastigar, engolir, deitar fora sobejos
Mas a hipnose da caixa de luzes
Faz-me acreditar que tenho o bastante
Que não vale a pena o risco de viver
Alem do meu gasto horizontes
Que morrer em cima do rastro
É uma dádiva imerecível
O anonimato é uma benção
E a dor incondicional a estrada
Lembro-me além da curva
Chame de medo ou covardia
Pois volto o rosto pra meus dedos
Condicionados a três letras
O mundo, a teia e a amplitude
Preso como mosca na rede
No epicentro do mundo
Nos espelhos que ocultam faces
Que a mascara me seja leve
Que vida me seja menos ríspida
Acenda as luzes, ainda tenho medo do escuro. Aqui está frio, me falta um feixe de luz pra me esquentar por dentro. Minha cabeça dói e eu não sei se é porque borrei a face. Feche as janelas. Que aqui está tudo agasalhado, mas o vento pode levar as coisas que eu temo perder. E eu preciso tanto delas pra respirar e viver um pouco melhor.Os meus pés andam meios cansados, caminho, te procuro mais não te acho.Eu preciso me recompor, ando fatigada, as lembranças pesam na minha mente.Eu só precisava ter ver, te olhar direito, apreciar o teu sorriso, que hoje haveria de ser o meu melhor remédio…
As vezes nos acorrentamos ..
Colocamos algemas nos nossos pés e mãos...
Apagamos todas as luzes...
Nos trancamos em uma prisão ...
E ainda temos coragem d dizer ..
Porque ninguém me visita ?
Satélite
E se por um instante, um determinado momento de nossas vidas, todas as luzes se apagassem?
As Tv’s fossem desligadas, os rádios, computadores, celulares e todos os outros dispositivos móveis de internet, todos os meios de transmissão, comunicação e locomoção de origem material e tecnológica? – Em que momento de sua vida você se encontraria? Quantas pessoas estariam do seu lado?
O que fazer? O que falar? Para onde olhar?
- Diga-me! Conhecendo a si mesmo como individuo e individualmente falando – Diga-me, onde você estaria? E por quê? Sozinho? Com quem?
Que conhecimento pode se absorver do breu total, do silencio?
Diante disso – Diga-me! Em quem você pensaria primeiro? E no segundo e terceiros? De quantos rostos vai se lembrar, e os nomes, e as qualidades e frases que distinguem cada um?
E por quanto tempo pensaria neles? Até o desespero tomar conta, ou só quando o desespero tomar conta?
Não se estipula um dia para ser feliz! Não existe uma data para dar presentes!
Não importa que horas são! Que dia é hoje, o ano e o mês, não fique ensaiando!
Somos vitimas do medo!
De repente pode ser assustador ser sozinho, sem nenhum artifício, se ver apenas diante de si mesmo.
Para quantas pessoas você deu um “bom Dia”?
Com quantas pessoas você já gritou? – Certo! Agora não importa.
As luzes se apagaram, o sistema esta inoperante.
Agora é somente você, somos nós ás margens do que fizemos e deixamos de fazer, não há onde se esconder.
Coisa desenfreada
Acendo as luzes o mundo quer dormir
Apago e ele quer acordar
O coração bate acelerado
Tudo gira
Repetições de tudo que já foi vivido
Ai, a coisa ta séria!
Muito séria
O que me intriga tanto?
Será medo ou covardia?
O corpo ta sofrido
Os olhos cansados
A mente exausta
Não há mais espaço para tantas outras coisas
E o tempo, impiedoso, cavalga a passos largos
E eu, apenas vejo o rastro
O mais sensato para mim é dizer que está tudo bem
O meu limite são os metros quadrados deste apartamento
E o mundo?
Deste, já ouvi falar, quis conhecer, me inteirar, mas...
É um lugar aonde não sei se vou chegar.
Adoro ser entendida nas entrelinhas.
16/o3/2011
Marta Pereira
