Luto Morte
O fim da melancolia?
Doce morte sombria,
Nevoeiro da primazia,
Suprassumo da apatia.
Ríspido rasgar psicossomático,
O mundo tem sido monocromático,
Amargo é o pensamento dramático,
O resplendor do ser errático.
O falso sorriso neurotraumático,
As sequelas do passado fático,
O algoz do presente lunático,
Sem um futuro fanático.
Aqui jaz o ser do meu eu,
Tal qual dizer o que doeu,
Aquele homem em mim morreu!
A silenciosa dor apareceu.
A estrondosa morte bateu,
O dia de fim aconteceu,
O eu lírico morreu,
Esvai-se o eu.
Retornar significa nada menos que a morte. À frente está o medo da morte, e além dele, a vida eterna.
São corredores da morte. São condenados que carregam a sentença cravada no próprio corpo, na própria carne. Na face, nos pulmões, no fígado, no pâncreas, na próstata, nas pernas, nos braços, enfim, onde o veredicto imposto pela cruel e desumana caneta da vida consegue alcançar. São olhos marejados que se perdem no espaço e, em silêncio, fazem perguntas, a maioria delas, sem respostas. Será culpa minha? Será um castigo? Será que sobrevivo? Será...Será...Será...E dor...Dor que faz questionar a própria essência, caráter...Os anjos? Os anjos são aqueles que acompanham os condenados por entre os corredores da morte...São aqueles que já conseguiram remissão se foram mesmo expulsos do céu pelo Criador...São aqueles para os quais não existe mais pecado, simplesmente por serem anjos...Anjos em momento de dor...Para estes e para os condenados, a vida não é somente vida, é presente, é perdão, é amor...E o Criador, por amor, desenha e redesenha o destino dos condenados...Somente por amor...
A morte tudo finda. O amor, a amizade, os abraços. A morte finda o convívio entre familiares, amigos, finda um futuro. E ainda hoje as pessoas vivem a achar que não tiveram tempo para realizar tudo, a morte lhes dá sentido para viver. O paradoxo humano mais simples de todos, não viva pelo medo de não ter o amanhã, viva pela dádiva de ter o hoje. A vida é um presente!
Ser índio em um país onde só há caciques é morte anunciada. Comemorar o quê no dia 19 de abril?
Benê Morais
Se a morte bater em meus pés,
Não direi nada a ela.
Somente iria senti-la, com seu gosto de sossego.
Nunca senti nada além de tédio.
Também sinto que em minha consciência habita meu desespero. Sou desesperadamente desesperado. Desperado por um sorriso que nunca conheci, Que nunca toquei, que nunca senti.
Falo palavras bonitas para camuflar minha falta de beleza. Palavras — dolorosas palavras.
Sou completamente delirante. Um delirio que me mostra a verdadeira comédia. Como deve ser a tragédia que se aplica à dura amargura do saber.
Em meu coração, há uma potência e um ato, e nem Aristóteles poderia sonhar algo assim.
Sem pé nem cabeça observo de longe minha estrada. De tanta estrada que é, sinto me enrustido. Odiado. Não amado.
Nunca subestime a força de uma mulher quando a batalha é pelos filhos, a morte e a vida ficam sinónimos.
morte nem sempre chega em silêncio.
Às vezes ela cresce devagar
dentro dos olhos cansados,
nos sonhos abandonados,
na parte da alma
que desaprende a sentir.
Há mortes invisíveis
que ninguém enterra.
A da esperança,
a da inocência,
a daquela versão nossa
que um dia acreditou demais.
Helaine machado
A sua paixão é a força da morte e a voracidade do Sheol, uma lei mais antiga que o tempo, que não aceita resgate ou suborno.
A morte vem rir do meu passado, mas o que ela não sabe é que as cicatrizes contam a história de um guerreiro que não se rendeu.
A vida é uma morte e um batismo contínuos. Os fins não são punições, mas a poda cirúrgica que garante o espaço vital para o novo, celebre a clausura para que a abertura ressoe com a força de um evento cósmico.
