Literatura
Os livros infantis são verdadeiros banquetes repletos de significados positivos onde as crianças desfrutam de uma fonte inesgotável de desenvolvimento humano.
FUGAS
às vezes
saio de mim em segredo
e ando a esmo
são fugas estelares
momentos fugazes
em noites infinitas
procuro luas
impossíveis de achar
reviro o pó das estrelas
uso a luz dos cometas
danço com selenitas
e me perco entre os planetas
quando consigo voltar
trago o rastro da lua minguante
e o esplendor da lua cheia
trago promessas esquecidas
trago sonhos distantes
trago mil belezas não vistas
trago auroras douradas
e galáxias inventadas
Pat Andrade
APRENDIZ
Mãe, contigo aprendi
que levantar é preciso
toda vez que cair
que a gente pode chorar
mas é muito melhor sorrir
aprendi que adiar planos
não é igual a desistir
aprendi que a vida vale muito
e que é preciso ser forte pra resistir
aprendi que é necessário
superar a dor de existir
aprendi a lutar
pelos meus sonhos
até o sim
aprendi a cuidar
e proteger quem eu amo
sem esquecer de mim
sigo aprendendo contigo,
mãe... até o fim
PAT ANDRADE
O poeta e o amor
O poeta quando ama
Faz versos em árvores
faz versos-pétalas
Faz versos-flor
Poemas frágeis
O poeta quando ama
Faz versos com asas
Faz versos-pássaros
Faz versos-nuvens
Poemas leves
O poeta quando ama
Faz versos improváveis
Faz versos-noites
Faz versos-dias
Poemas suaves
O poeta quando ama
É todo ele desamparo
Faz amor com versos
Faz amor com frases
Poemas raros
PAT ANDRADE
Sobre o amor, na língua portuguesa sou muito mais o sentimento de Luís de Camões do que o de Fernando Pessoa. O meu "Amor é fogo que arde sem se ver, é ferida que dói, e não se sente; é um contentamento descontente,
é dor que desatina sem doer."
O sonho e Sono
Quando durmo
Á momentos que sonho.
Uns sonhos não recordo
Outros adorno
Abortados pelo esquecimento
Sopra no tempo
O sono nos seus graus
Vou deschendo degraus
Até ao sono profundo
Quero expelir o caos
Do sono da alma
Sai o espírito
Querendo tirar a dúvida
Acabando por padecer
Procurando
A razão do ser
Tendo medos
Para afligir
Pondo freios
Para não se repetir
Vou acordar e descobrir
Se é metafísica
Na sua essência
No existir
Desmedido
Guiado
Pela fantasia
Revelação do acontecimento
Que paira no cérebro
Imaginativo
Construído do sobrenatural,
Para o real
Na criação e na evolução
Esse ser um num sonho
E outro acordado
Flui pela leitura do sonho
Na tentativa o traçar caminho
Para ver onde vai chegar
Sonhar acordado
Despertar para vida
Repousando a alma
Atribulada
Em conflito interno
E externo
Para dar continuidade
Da vida
Que são sonhos
De todos.
Emanuel Bruno Andrade
Lisboa
"Se sorridente é aquele que sorri mostrando os dentes; eu prefiro ser sorrialma, para fazer perfumar a minha alma. E é por isso que eu vivo no mundo encantado da literatura, porque lá a minha alma brinca, dança e floresce."
"Tudo, de uma forma ou de outra, será enterrado. A vida humana, vazia de sentido, soterra a ela mesma. Até a Terra um dia será despedaçada e enterrada no vazio do Universo".
Sonhador
O mundo para mim é pequeno,
Tenho muita coisa para aprender
Um sonho lindo para sonhar,
E bons momentos para viver.
Não tenho medo do que virá,
O amanhã simplesmente é um mistério
Para mim, a literatura é um oceano,
Portanto, mergulharei loucamente nesse hemisfério.
Nadarei pelo mar,
Das águas da imaginação
É por este mar, que estou a respirar
O ar da inspiração.
Vou devaneando com o sucesso,
Vivendo e espalhando o amor
Estou a voar nesse Universo,
Eis me aqui, um poeta sonhador!!!
Ascensão
Eu jamais desejei a ascensão paradisíaca.
Mantive-me isoladamente no declive infernal.
Ao longo dos anos, arrojei-me nas nuvens.
Como um espectro, passei a sondar aos homens.
Descobri que enquanto uns mutilavam-se
Outros examinavam os céus em busca de salvação.
O suplício de um concebia a salvação de outro!
A cada revolutear havia uma alma padecente.
Lastimoso me declinei do heurético pedestal.
Esvoacei até ao inferno para salvá-los.
Já na terra: Cuidei das almas padecentes do universo.
Estendi os meus braços e lhes ofereci a salvação.
Mas não havia ninguém disposto a ser salvo.
Só encontrei feridas e revoltas em seus olhares.
Revoltas que encobrem as pútridas faces humanas.
Contei-lhes todas as minhas histórias inauditas!
Mistérios recônditos que a própria ciência desconhece.
Na minha literatura, a ciência não significa nada.
A minha única ciência é a de que ela em nada me serve.
Mas isso tudo foi há cem anos.
São lembranças dos meus versos arcaicos.
Do meu tinteiro inconsciente olvidado ao chão.
Eu, que há um tempo inumerável os venho acumulando.
Literatura de restos pútridos do meu passado.
Sarcófago fétido que esfossilizei na busca do enigmático.
Longínquos caminhos percorridos na soberba solidão!
Para um gênio visionário como eu: Não se há veredas.
Os caminhos de outrora foram ocupados pelos repugnantes pés humanos.
Então se um visionário for realista; os demais serão sonhadores?
E quem sou eu? – O filho pródigo da condenação?
O visionário da indolência das lembranças?
Um pusilânime a vangloriar-se dos ilusórios castelos!
Turrígero enobrecido à base de mentiras!
Logo eu, que outrora renegava a todas as mentiras.
A toda causa dá-se um nome.
Eu provei os maiores mistérios!
Hedonismos poéticos!
Palcos irrisórios
Libertinagens profanas.
Vinhos de excelentíssima qualidade!
Ópio ocidental.
Cachimbos estrangeiros.
Ervas tolhidas,
Haxixes caseiros
Todos os prazeres artificiais eu conheci.
Máxime Papaver, afável Somniferum.
Findado os prazeres, adestrei-me na compreensão dos homens.
Depois de tê-los compreendidos; – Instrui-me a odiá-los!
Os homens! Esta raça deplorável que conheço por completo.
Sou o grande mestre das descobertas do espírito humano.
Incansavelmente cruzei os portões do desconhecido.
Penetrei avante dos rochedos dos bosques da alma humana.
Os abismos ensangüentados dos homens são desagradáveis.
Jamais me descerá a máscara de forte!
Envergonhar-me-ia se vissem o meu rosto assemelhado ao deles.
Protejo-me com os espelhos cegos da humanidade!
As cordas espirituais precisam de novos exercícios.
O relógio eclesiástico diz-me unicamente às horas da escravidão.
Renego a toda escravidão de espírito.
O evangelho desregrou-se do altruísmo há milhares de anos.
Indolente! Encontro-me no mais frenético devaneio.
As minhas alucinações me fazem um homem agradável.
Mas o instinto faz com que o agradável seja rejeitado.
Sou um nefelibático inesgotável de concepções e vontades.
Transformo-me em corvo levípede com longos olhos.
Alífugo o suficiente para avistar a terra dos homens errantes.
Seca-me ao rosto lágrimas de toda uma geração.
Lágrimas que não são somente minhas.
Desarmo-me a favor do sacrilégio.
Tornei-me o grande senhor dos vermes.
São meus escravos: Mando-os e obedecem-me agora.
Limpo o meu corpo; minhas axilas estão limpas.
Defectíveis pensamentos.
- Aspirações tornam-se idéias reais.
Ó imaginações! Qual véu não encobre a face aos olhos humanos?
O cérebro tece; ébrio, inebrio! - A dança das palavras saltitantes.
A minha cólera conduz-me a admiração pelas formas.
Formas insolúveis são depressivas ao espírito criador. Jamais deformarei o nada.
Ao fim, parece-me tudo morto como sempre. Sanam formam uitae tenete!
Não esqueçamos que o Mainstream Editorial costuma dar ênfase a produtos livrescos, mas fazendo-os passar por Literatura.
