Liberdade que Escraviza
O que será psicologicamente saudável, guiar-se e adaptar-se ao viés da sociedade, que impõe com teatralidade o que seria a naturalidade, ou libertar-se e conquistar o respeito, mesmo com toda a peculiaridade de sua autenticidade?
Estas discórdias! Esse sofrimento! Estes falsos amigos, tiranos, oportunistas, traidores! Minha própria identidade, profana! Pai do sofrimento, da solidão, chega! Minha alma canta, clama pelo rio do corda, por amores proibidos, distantes. Perdão, mas não submeterei me à ti. Sou teu filho, mas não sou teu. Sou único, escravo apenas do amor.
Temos muitas opções para ser feliz nessa vida. Sem estresse, sem preconceito, sem drama e sem perder a razão. O importante é se libertar das algemas que nos prenderam a uma ideologia, que se enraizou até a alma. Mas com paciência e tranquilidade, vamos nos limpando, purificando e conseguindo atravessar essa fronteira em busca da esperança, do progresso, da liberdade, da união e da paz🙏
"Os poderosos pregam a moral da ordem e da obediência, que atende bem aos interesses de uma hierarquia, levando os dominados a sentirem a culpa do desacato. Os dominados pregam a moral da esmola, da chantagem emocional e da tentativa de fazer o poderosos sentirem culpa pelo poder. Seus medos se tornam os gritos revolucionários, as teorias de conspiração, os castigos eternos e seus vícios. Seu heroísmo e valentia não passam de tentativas de assalto; a exaltação do crime, da rebeldia e da fraqueza como virtude. Uma forma de dizer ao dominador: 'posso me sacrificar por algo, pois nada tenho'".
A moral é a cartilha sobre andar na linha dada ao dominado. Os dominadores não são obrigados a atender às expectativas boas ou más de sua massa de escravos. Quando o dominador pratica a imoralidade privadamente isso não desregula a ordem, já os dominados, se puderem ser vigiados até mesmo na privacidade assim o serão.
A casa grande se esforça ao máximo para revogar a lei Áurea, mas o que mais me entristece, é assistir o apoio de muitos da senzala .
O trabalho para muitos pode fazer mal porque não é trabalho e sim serviço. A palavra serviço vem de servo, escravo. Ele apenas executa o que lhe mandam fazer. Já trabalho verdadeiro implica em criatividade e liberdade para executar o trabalho. E exercitar a criatividade é viver. O trabalho verdadeiro é vida
Quando uma igreja valoriza mais a sua estrutura do que a vida de uma pessoa, ela deixou de ser porta voz da liberdade para se tornar uma religião escravagista.
(PROSA)
SENOR. -- Ouça! Meu jovem, vê aquele homem?
JOVIN. -- Sim, o vejo!
SENOR. -- Ele é tão livre que um dia será preso.
JOVIN. -- Preso!? Mas por qual motivo?
SENOR. -- Por excesso de liberdade!
JOVIN. -- Mas essa liberdade me parece inocente. Não acha?
SENOR. -- É!... Até mesmo ingênua. Porém... É tambémvivaz. É afiada... Perspicaz e eloquente.
JOVIN. -- Então... Por que ão de aprisioná-lo?
SENOR. -- Porque a liberdade alheia ofende. E quem a busca é afetado por ela com veneno mortífero. Por isso, a liberdade é tão restrita para aqueles poucos capazes de aprisionar-se em sua própria liberdade.Que, muitas vezes... Essa, chega a ser letal.
Pois, haja vista que "Livre", é o estado daquele que tem liberdade.
Liberdade, meu caro, pelo que pude aprender com um grande homem, é:... É uma palavra que o sonho humano alimenta, que não há ninguém que explique e ninguém que não entenda."
JOVIN. -- Então... Ser livre é como cair num abismo profundo de dilemas inexoráveis?
SENOR. -- Sim, Meu jovem. É o que suponho.
JOVIN. -- Então por que a existência da palavra liberdade? Seria apenas para dar esperança aos escravos?
SENOR. -- Talvez, mas penso que criaram-na, apenas, para fazer com que os escravos continuem vivendo e crendo que, um dia, um dia... Talvez, serão libertos. Porém, sabemos que aqueles que tentaram à liberdade, tiveram suas vidas ceivadas. Assim como um grande amigo e, tantos outros que aqui nesta cidade jazem como grandes guerreiros da vida.
JOVIN. -- Verdade, meu pai, quando vivo, me dissera algumas histórias sobre estes que buscavam liberdade.
SENOR. -- Imagino, ah... Seu pai, meu grande amigo! É uma pena que seu pai tenha feito parte destas histórias.
Mas ele, sem dúvidas foi protagonista!
JOVIN. -- Se o que me dizes é verdade... Presumo que meu pai tenha buscado tal liberdade.
Agora compreendo! Meu pai foi como ele. Por isso disseste que ele será preso. Pois ele está sendo como meu pai!
Prefere se manter preso em sua liberdade ameaçadora, lutado contra todos os sopros e, inclusive ventanias. Do que deixar com que esta chama da esperança se apague.
SENOR. -- Meu caro jovem... Agora conheceste teu pai por intermédio de duas palavras.
JOVIN. -- Sim, mas também pelas recordações de um grande amigo dele, que o mantém vivo em seu coração.
SENOR. --- Oh! Meu jovem... Obrigado por ensinar-me.
JOVIN. --- Como assim? Tu foi quem me ensinou, e ao fazê-lo, fez-me conhecer meu pai.
SENOR. -- Fico lisongeado! Mas o que acabei de aprender contigo... É que quando buscamos estas duas palavras que conheceste um pouco mais sobre teu pai... Contagiamos os que fazem parte do nosso convívio. E assim, como ele, se acham presos; Mas também totalmente libertos em nossos corações.
Para trazermos-los à vida por intermédio de recordações.
JOVIN. -- Então... "Recordar é dar vida aos que não mais vivem."
SENOR. -- Foi o que aprendi contigo, Meu caro. Bom... Já é hora de irmos para à casa. Sua tia já deve ter preparado a janta.
JOVIN. -- Vamos! Já estou faminto. E ao caminhar... Pensou o jovem: "livre tão somente são os nossos pensamentos. Pois, por muitas vezes permanecem apenas em uma vida onírica"
[ FIM ]...
Ass: ytsuo yang.
Obediência forçada não é virtude! Quanto mais leis, mais transgressão. "Só há amor quando não existe nenhuma autoridade." (Raul Seixas). Alunos não respeitam suas aulas e professores porque gostam de ser mal amados. Acostumados escravos não sabem o que fazer com a liberdade.
Certamente há alguma outra qualidade que seja essencial para a felicidade. A felicidade não é um fim, não mais do que a virtude. A virtude não é um fim em si mesma, ela proporciona liberdade, e nessa liberdade há a descoberta. Portanto, a virtude é essencial. Com efeito, uma pessoa não virtuosa está escravizada, em desordem, deslocada, perdida, confusa, entretanto, tratar a virtude como um fim em si mesma ou a felicidade como um fim em si mesma tem muito pouco significado. Portanto, felicidade não é um fim.
Hoje vivemos tão acovardados sob o bombardeio dessa artilharia intelectual que quase ninguém pode atingir o distanciamento interior necessário para uma visão clara do drama monstruoso. A vontade de poder operando sob um puro disfarce democrático terminou sua obra-prima tão bem que a sensação de liberdade do objeto é na verdade lisonjeada pela escravidão mais completa que já existiu.
6 - Liberto
Asas me movem,não pés
Minha alma é alada
Asas invisíveis aos olhos mortais
Não suporto grilhão
Nem jaula carnal
Voa! Voa pensamento!
Voa pois és liberto
Ilimitado,infinito
Até aonde a consciência permitir
Porque liberdade
O bom é ter e não usar
Porque se a mente é confinamento
Mesmo solto não serás livre
E o escravo que canta
É feliz
O desejo de felicidade é algo inato no ser humano! No entanto, num mundo de novidades infinitas, o ser humano parece não se sentir feliz. Há algo que o inquieta, mas que não consegue identificar. A consequência dessa situação é a sensação de medo. Sacrifica-se a liberdade em favor de maior segurança. Ora, segurança e liberdade são valores fundamentais para a dignidade humana. Segurança sem liberdade é submissão, escravidão. Liberdade sem segurança expressa uma deficiência. Como encontrar um equilíbrio entre tais aspectos do humano?
AMBROZIO, REI DOS QUILOMBOS DO RIO GRANDE
Pés descalços que levantam a poeira na estrada de chão batido
Vaga sem rumo no poente da terra seca pelo serrado da solidão
Fugiu das chibatas do cativeiro em busca de nova estadia
Quilombola tentará na fugidia rota do capital do mato que o perseguia
Derrama pelo caminho o sangue de sua raça agrilhoada na senzala
Seus pés descalços, suas costas riscadas, suas mãos rachadas
Seu coração chora pelos que deixou abandonados na clausura
Preferiu o risco da morte ao jugo da servidão a que fora obrigado
Seu ímpeto de liberdade era maior que a tirania de seu dono
Vagou por léguas sentindo fome, frio, medo, mas tomou cuidado
Nas noites estreladas se entregava aos sonhos em leve sono
Nas manhas seus olhos radiavam a esperança de encontrar socorro
Mas este não vindo, criou ele mesmo o abrigo que a outros oferecia
Nas margens do Rio Grande ergueu seu reino africano de solidariedade
Fugiu, deixou saudade irremediáveis, mas abrigou milhares em seu congado
A liberdade, ainda que tardia, não alcançou o seu terreiro protetor
A maldade dos brancos o alcançou, e em poucos dias seu reinado dizimou
Jaz na memória esquecida dos que vieram depois dele, virou lenda
Sofreu uma vida de crueldades, e hoje, retribui com amor o mau que o matou.
Fomos castigados, humilhados e julgados
Não tínhamos direitos nem advogados
Sofremos com o sistema trabalhávamos noite e dia
Entregados como objetos á mercê da covardia
Na mata fechada faço orações
Pedindo ao todo poderoso muitas proteções
Me livra do chacal do mato capitão
Do hospedeiro coronel abutre sem coração
Dai me forças para aguentar a chibata me cortar
Que os estigmas provocados não venham a me matar
Que as correntes que me prendem venham a se romper
Que a maldade do humano não reine até vencer
Que o negreiro naufrague em um mar de fúria
Para que o meu filho não sofra com essa injúria
Que o escravo um dia tenha a sua liberdade
Possa andar pelos campos colhendo amor e felicidade
Pois nosso mestre é forte guerreiro lutador
Estamos nos organizando para o dia do esplendor
O Brasil vai estremecer, o progresso é o que resta
Discípulos da capoeira ; A luta que liberta ...
Nesse mundo mal até o bem é falso. Transfigurado, cheio de cores e brilhos. Semelhante a luz que engana os mortos.
O único bem é o conhecimento da verdade de que não estamos livres.
