Lembrar
Nunca se esqueça que sua vida foi poupada para que você possa se lembrar.
Havia tanto para lembrar que às vezes a melhor coisa a fazer era esquecer.
- Promessas
Você me prometeu o sim e disse que estaríamos juntos para tudo.
Você me prometeu a felicidade de uma vida, na medida em que lutaríamos contra tudo o que se opusesse a um mero sorriso de canto de boa, num fim de tarde de um domingo de agosto.
Você me prometeu que mesmo distante, estaríamos perto, ligados e unidos por um sentimento único, aquele que você chamou de amor.
Você me prometeu que a gente teria um futuro e também me prometeu filhos que nos acordariam a noite com medo do escuro, os mesmos filho que você me prometeu serem parecidos conosco, com cabelos feitos de cachos e estatura mediana.
Você me prometeu o mundo e nem a sala de casa eu pude conhecer.
Filhos, bem, os nossos jamais virão, assim como aquele cuidado e a proteção que teríamos ao colocarmos eles no colo dizendo que não tinham o que temer no escuro, pelo menos não tanto quanto eu temi o futuro sem você. É bem verdade que a distancia agora existe, já aquele amor que tanto me falou, não posso afirmar. A felicidade é na verdade complicada, já que cada vez que lembro de nós, realmente minha boca sorri de um modo que nem consigo explicar. O sim, você me prometeu, só não falou quanto tempo ele duraria e que esse fim poderia ser tão avassalador quanto a batida de um coração apaixonado.
A única coisa que você esqueceu de me avisar, é que as promessas eram falsas e que a saudade é iria ficar e que sem você, só restaria lembrar.
Passamos a vida inteira dando valor ao que não importa, até a vida curar nossa cegueira nos lembrando que ela é a morte.
Quem és tu?
Que vens lembrar,
Que aquilo,
Que alguém,
Que não está,
Mas ainda vive,
E mesmo de longe,
Pode chegar?
Deixe marcas por onde passar. Mal sabei-vos como é gratificante relembrar todos os lugares onde um dia pisamos.
"MEMORY”
Recorda-te de mim quando eu ausente
For do teu alcance, no poente e isolado
Sentimento, sem meu olhar ao teu lado
E a afeição pulsar o que não mais sente...
Quando não mais importar, e de repente
Tudo sem palavra, sem que hás sonhado
O sonho da gente, promessa no passado
Onde a sensação é um vazio inteiramente...
Chora eu, um choro calado, e choro dares
Ao falto, e lembrares de nós novamente!
Aí, deixe o pranto nos aflitivos pesares...
E se houver suspiros, no que não mais existe
Melhor esqueceres a poesia ali tão presente
Nos versos meus, que agora é memória triste!
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
Maio, 10, 2021, 13’37” – Araguari, MG
Sentiu-se pequeno e impotente. A noite nas montanhas podia fazer isso com você, lembrando-o de seu lugar no mundo e rindo de qualquer senso de autoimportância.
Ah pesadelo, maldito pesadelo.
Não eis o primeiro, nem o último de minha vida.
Cada vez mais amedrontador, com fragmentos de memórias que me torturam e me lembram do passado.
Porque insiste em me lembrar?
Fragmentos de memórias que despertam sentimentos em mim, que já não quero mais sentir, que não deveria sentir. Sentimentos que não me representam mais.
Uma versão minha incompleta e ultrapassada, que não serve mais para nada.
Onde sou apresentado como uma pessoa que um dia seria capaz de se sacrificar por alguém.
Hahaha, eu? capaz de me sacrificar por alguém?
Jamais, estou propenso a sacrificar, assassinar e massacrar.
Esses humanos fragéis e impotentes que vivem cegos pela fé em uma divindade que os deixam viver na miséria.
Depois que um filho nasce, você não consegue mais lembrar da tua vida sem a presença dele. Você não sabe em que canto ele estava da tua vida, mas ele estava.
Quando era mais novo eu conseguia me lembrar de qualquer coisa, quer tenha acontecido ou não.
Sabe como é a sensação de não se lembrar de nada? É como se eu tivesse acordado na vida de outra pessoa, e todos ao meu redor andassem como se nada tivesse mudado.
