Lamento pela Morte de um Ente Querido
Nossa vida virou um circo
A carestia sempre teve voz e autoridade para anunciar a hora da morte.
Eu perdi o circo.
Não gritei palhaço. Perdi o espetáculo. A conversa chegou aos ouvidos de maínha.
Em casa, a ladainha acordou a noite.
A noite acordou a Lapinha e entrou pela madrugada.
De manhã, a vida entrou pelo castigo, invadiu a moralidade.
A nossa vida virou um circo.
Mamãe grande encerrou o assunto, desmaiada. Fugi.
Receitaram chás de rosas de palmatória, assim, que eu retornasse de Pirajá. É pra já!
Ganhei o mundo. Vendi chá de cadeira.
Em Pirajá, rolei a lona de tanta fome.
Sonhei. Caí do arame. Arembepe.
Corri.
Ninguém me pegou no sonho.
Sonambulei pelo quarto vizinho gritando palhaço.
Fui expulso de casa.
Levei nas mãos uma moldura inteira
de palmatória.
A melhor saída ainda não seria o cais do porto.
Na baixa, fui sapateiro. Inclinei-me no plano, onde fui pescado.
Puxado por arrastões, subi o elevador. Ninguém, em mim, morreu tão cedo.
Ninguém ficou morto de mim.
Ninguém me matou de passados.
Em casa, mainha preparava olhos e ouvidos de peixe morto. Quiseram me enterrar na lama
Mas, eu estava no elevador Lacerda, onde trapezistas se equilibravam no álcool. Descemos do altar. Desmontamos o circo. Ficamos altos em diversidade e dúvida.
Fui convidado para ser o príncipe nos Galés. Morri na entrevista.
Baiano?... Qual é a tua graça?
Stradivarus. Stradivarus da Silva.
Quem és tu? ... És nagô?
Fui príncipe das marés. Nos Galés!
Toquei tamborim pro Bob Dylan, no Benin.
Meu surdo tocou fundo, Alcione.
The One?
Não sei quem é. É da Mouraria?
Oxe, você não me conhece?
Sou o cara que namorou as gordinhas de Ondina. Usei brilhantina nos cabelos crespos, para me parecer com John Travolta.
Desde menino, sofro bullyings do meu vizinho Violino.
Stradivarus, qual Violino?
O doido que ganhou a vida no Largo. Louco, desvairado, Violino já acordava alucinado, gritando... Até para as fanfarras!
Toca Raul! Toca Raul! Toca Raul!
Talvez a morte seja um passarinho invisível
que repudia a dor; então desata a matéria da alma
e a leva consigo num voo sem sentido reverso.
Toda prepotência,arrogância,tirania será insignificante quando a morte vier. Ela é um acontecimento,assim como é o nascimento. Não corra,não tente fugir. Simplesmente aceite-a.
A morte será sempre tratada como um desespero por nós por acharmos que é o fim de tudo, porque nossa ignorância não nos permite enxergar mais a frente
A morte não é um precipício onde tudo termina, mas, uma estrada onde tudo recomeça em uma nova escala.
Por você eu mudei
Eu me reinventei
Me desconheci
A morte beijei
Me tornei um zumbi
Ao qual não conhecia
Não sabia o que queria
Nem para onde ir
Mas o amor por você
Ainda vivi aqui
Quem poderia prever que um ladrão condenado à morte, carregado de transgressões, receberia a promessa divina de estar com Jesus no paraíso? Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso (Lucas 23:43). Esta passagem nos revela a imensidão do amor de Deus, que transcende todas as barreiras. Portanto, devemos zelar por nossas próprias vidas e amar nosso próximo incondicionalmente, conscientes de que, ao final, estaremos diante de Deus, o justo Juiz, que proferirá o veredicto definitivo.
A morte de Deus
Aironia de um existir é muito inteligente, pois revela, de forma lúdica, verdades em que muitos se enxergam mas não se reconhecem pelo simples fato de estarem com as mentes enraizadas pelos conceitos criados pela sociedade. Somos uma folha em branco quando nascemos, mas cada sociedade, cada grupo humano que vive de rótulos, nos transcreve a sua "verdade". Talvez, com essas saborosas ironias, a libertarmos desses rótulos que nos prende e escraviza. A verdadeira liberdade é a consciência que temos de nós e como a lidamos perante o mundo, sem o medo característico imposto pelas crenças mundanas com aparências espirituais.
O Mundo gira devagar,
A morte vem a passear,
Contamos mentiras um pro outro,
Vejo você brilhando como ouro,
A verdade é que eu desistir,
Faz falta você não estar aqui,
Desculpa não me despedir,
Mas já está na hora de partir.
A morte
Eu sei que você vem buscar um amigo, um familiar, um estranho, mas você chegou com tudo abusando do seu direito.
Toda hora você aparece e leva um amado meu, seu atrevimento está passando da conta.
Porque não dá uma trégua e, se tiver que levar mais alguém, que seja EU.
Medo da morte
Você é um babaca que sai de casa
Achando que irá causar confusão
Talvez algum incidente lá na praça
Você fala que é fogo, mas é brasa
Tentando se destacar na multidão
Foge quando ocorre uma desgraça
Medo da morte, medo da morte
O seu fim está muito próximo
Medo da morte, medo da morte
Todos os outros achariam ótimo
De quantos você já correu até hoje
Depois de tentar expor a sua visão?
Humildade serve como um lema
A alguém que tenha consideração
Mas o seu nada merece repúdio
Ninguém gosta de se aproximar
Medo do depois, medo do depois
Não existirá par a lhe consolar.
Um país está miseravelmente doente quando os seus habitantes, aos milhares, festejam a morte de uma figura pública local.
A espera por um grande encontro carrega o gosto da vida misturado com o da morte. É uma doce agonia, que nos tortura antes de nos salvar.
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