Lamento pela Morte de um Ente Querido
Brincar de ser Cristão também é um Direito — acreditar que o Encardido faça o mesmo é só outra Tolice.
Há quem vista a camisa da fé como se veste uma fantasia: para impressionar os outros, para parecer melhor do que é, para esconder contradições que, à luz de uma consciência honesta, seriam difíceis de sustentar.
Fala-se muito de Deus com a boca, mas nem sempre se permite que Ele alcance aquilo que realmente precisa ser transformado.
Ser Cristão, porém, nunca foi um concurso de aparências.
Não está nos gestos ensaiados, nas palavras decoradas, na quantidade de correntes e versículos publicados ou na facilidade com que alguém aponta o pecado alheio.
A Fé verdadeira costuma ser muito menos barulhenta e muito mais exigente: começa quando ninguém está olhando.
Porque é fácil parecer bondoso diante de uma plateia.
Difícil é ser misericordioso sem esperar a recompensa do aplauso.
É muito fácil defender a Verdade quando ela nos favorece.
Difícil é reconhecê-la quando nos confronta.
É fácil falar sobre perdão; difícil é abandonar o prazer mórbido de permanecer ressentido.
Talvez por isso exista tanta confusão entre professar uma fé e vivê-la.
O Discurso Religioso pode ser usado para esconder vaidades muito pouco religiosas.
O que não falta são pessoas se valendo do Santo Nome de Deus e da Igreja para se esconder, aparecer e se promover.
E há uma ironia quase sutil nisso: quanto mais alguém precisa provar aos outros que é Cristão, talvez menos tempo esteja encontrando para examinar o próprio coração.
Também não deixa de ser curioso esperar que o “encardido” respeite aquilo que nós mesmos transformamos quase sempre em espetáculo.
O mal não precisa necessariamente destruir uma crença; às vezes basta torná-la superficial, transformando convicção em aparência, espiritualidade em vaidade e religião em instrumento de julgamento.
No fim, a fé não deveria servir para nos colocar acima de ninguém, mas para nos lembrar de quem somos quando tiramos as máscaras.
O verdadeiro Cristianismo talvez comece justamente nesse ínterim desconfortável em que deixamos de representar e admitimos nossas próprias Misérias.
Porque brincar de ser Cristão pode até ser um Direito.
Mas viver como um — exige-nos muita coragem para deixar de brincar.
Despertai-vos!
Ah, se por um Descuido a justiça brasileira ficasse cega, despretensiosa e desapaixonada!
Cega para os nomes, os cargos, as ideologias e os interesses que se escondem por trás das causas.
Despretensiosa, sem a necessidade de provar força, autoridade ou superioridade.
E desapaixonada, porque a justiça, quando se deixa seduzir pelas paixões, corre o risco de confundir convicção com verdade e vontade com direito.
Talvez, então, voltasse a enxergar aquilo que realmente importa: os fatos.
Porque justiça não deveria precisar de torcida.
Não deveria ter lado, aplauso ou vaia.
Não deveria ser celebrada quando alcança alguém de quem discordamos e questionada quando alcança alguém de quem gostamos.
Se o critério muda conforme o réu, o partido, a influência ou a conveniência, já não estamos diante da mesma justiça — estamos diante de interpretações moldadas pelas paixões humanas.
O problema não é a justiça ter poder.
Ele começa quando o poder se acostuma a não prestar contas a ninguém.
Uma sociedade madura não precisa de uma justiça que pense como ela.
Precisa de uma justiça capaz até de contrariá-la quando a lei assim exigir.
Precisa de magistrados que suportem a solidão de decidir contra a maioria, contra os amigos, contra os poderosos e, sobretudo, contra as próprias convicções pessoais.
Talvez a verdadeira cegueira não esteja nos olhos da justiça, mas na nossa incapacidade de enxergá-la sem as lentes da paixão.
Quando defendemos uma decisão apenas porque favorece o nosso lado, não estamos defendendo a justiça.
Estamos defendendo o resultado que desejávamos.
E quando condenamos uma injustiça somente porque foi cometida pelo adversário, mas silenciamos diante da mesma injustiça praticada pelos nossos, não estamos defendendo princípios.
Estamos apenas escolhendo conveniências.
No fim, talvez seja esse o maior desafio de qualquer democracia: aprender a desejar uma justiça que seja justa até quando nos contraria.
Porque a justiça que só parece justa quando vence o nosso lado não é justiça.
É torcida usando toga.
Viver
um dia de cada vez
pode ser a melhor maneira de colorir todos eles.
Às vezes, a gente se preocupa tanto com o amanhã que até esquece de perceber as cores que o hoje está oferecendo.
Queremos respostas para o que ainda nem aconteceu, soluções para problemas que talvez nunca cheguem e garantias para caminhos que ainda nem começamos a percorrer.
Mas a vida não pede que saibamos tudo de uma vez.
Ela nos convida, silenciosamente, a viver o dia que temos ao alcance das mãos.
Quem vive intensamente um dia de cada vez — como se fosse o último — um dia acerta.
Que hoje seja suficiente!
Que possamos olhar com mais carinho para as pequenas alegrias, agradecer pelo que permanece, aprender com o que dói e deixar ir aquilo que já não precisa nos acompanhar.
Cada manhã é uma nova tela.
Talvez não possamos escolher todas as circunstâncias, mas podemos escolher algumas das cores com que vamos pintá-la: serenidade, gratidão, esperança, gentileza e coragem.
Não precisamos ter pressa para chegar ao futuro.
Ele incerto.
O presente também é um destino.
Que hoje seja vivido por inteiro, sem a ansiedade do amanhã e sem o peso, às vezes desnecessário, do ontem.
E que, ao final do dia, possamos olhar para trás e perceber que deixamos nele um pouco mais de luz do que encontramos.
Bom e abençoado dia!?!
Com tantos Apaixonados disputando uma Eleição, só um eleitorado igualmente Apaixonado para suportar tanta confusão.
Talvez o maior espetáculo de uma eleição não esteja nos palanques, nos discursos inflamados ou nas promessas meticulosamente embaladas para conquistar votos.
Está quase sempre no modo como nós, eleitores, transformamos políticos em personagens de uma paixão quase pessoal.
De repente, discordar de um candidato passa a ser interpretado como ofensa a quem o apoia.
Questionar uma proposta parece traição.
Admitir um acerto do adversário soa como fraqueza.
E, assim, a política deixa de ser um espaço de ideias para se transformar em uma disputa de identidades, afetos e certezas fabricadas.
O problema é que paixão, quando ocupa o lugar da reflexão, nos faz enxergar apenas aquilo que confirma o nosso viés.
O candidato de nossa preferência ganha justificativas para seus erros; o adversário, condenações até para seus acertos.
E talvez seja justamente aí que esteja a maior confusão: não são apenas os candidatos que disputam uma eleição.
Nós também disputamos narrativas, brigamos por versões variadas da realidade e, muitas vezes, esquecemos que nenhum político merece de nós uma devoção que deveria ser reservada aos nossos próprios princípios.
Eleição não deveria exigir apaixonados.
Deveria exigir cidadãos atentos.
Porque políticos passam, mandatos terminam, partidos mudam e promessas se perdem no tempo.
O que permanece é a responsabilidade de cada eleitor pelas escolhas que faz — e, principalmente, pela capacidade de continuar pensando depois que a paixão termina.
No fim, talvez a pergunta mais importante não seja “de que lado você está?”, mas “o que você consegue enxergar quando deixa o seu lado de fora por alguns instantes?”
Talvez seja nesse ínterim entre a paixão e a reflexão que comece, de fato, a Liberdade de Escolher.
Quem liga o som para a vizinhança inteira ouvir é só um qualquer um que pode votar em qualquer outro.
Parece apenas uma simples frase sobre barulho, mas talvez diga muito mais sobre nós do que gostaríamos de admitir.
Porque, no fundo, o problema nunca foi apenas o volume da música…
É a ideia de que o meu prazer pode ocupar o espaço do outro sem eu precisar perguntar se ele concorda.
Há quem aumente o volume do som porque pode.
Há quem fale mais alto porque acredita que sua voz merece prevalecer.
Há quem acelere no trânsito porque considera o tempo dos outros menos importante que o seu.
E há quem escolha seus representantes pelo mesmo impulso: não pelo que constroem, mas pelo que gritam.
A Democracia, curiosamente, coloca nas mãos desse mesmo “qualquer um” um poder enorme: o direito de escolher quem falará em nome de muitos.
E talvez seja justamente por isso que pequenas atitudes cotidianas deveriam nos fazer pensar.
Antes de exigir respeito dos que governam, seria razoável perguntar quanto respeito oferecemos a quem divide espaço conosco na rua, no prédio, no bairro e na cidade.
O voto acontece de tempos em tempos.
A convivência acontece todos os dias.
Talvez maturidade cidadã comece quando percebemos que liberdade não é fazer tudo aquilo que podemos fazer.
É compreender que, ao nosso lado, existem outras pessoas com os mesmos direitos, os mesmos incômodos e a mesma dignidade.
No fim, aquele que liga o som para a vizinhança inteira ouvir continua sendo apenas um qualquer um.
Mas é justamente esse qualquer um que, diante da urna, ajuda a decidir os rumos de todos.
E talvez a pergunta mais incômoda não seja em quem ele vai votar.
Seja que tipo de cidadão ele escolhe ser quando ninguém está contando os votos.
Quem fura fila, sobretudo para votar, é só um qualquer um que pode votar em qualquer outro.
A frase parece muito dura, mas talvez seja justamente a dureza que nos faça pensar.
Porque furar uma fila não é apenas passar à frente de alguém.
É afirmar, silenciosamente, que o meu tempo vale mais que o do outro, que a minha urgência merece privilégio, que a regra pode ser relativizada quando me convém.
E, quando isso acontece justamente na hora de votar, a contradição se torna ainda maior.
O voto é um dos poucos momentos em que, pelo menos em princípio, todos deveriam estar em condições de igualdade.
Na fila, diferimos em histórias, opiniões, profissões e escolhas; diante da urna, cada cidadão deveria carregar o mesmo Peso Democrático.
Mas há quem queira igualdade no resultado e privilégio no caminho.
Talvez o problema não esteja apenas em quem fura a fila, mas na mentalidade que permite a alguém pensar que pode ou merece mais do que os outros.
É uma pequena transgressão que revela uma grande concepção de sociedade: a de que as regras existem só para os outros.
E é assim que a cidadania vai se desgastando.
Não necessariamente nos grandes escândalos, mas nos pequenos gestos cotidianos em que cada um decide que pode abrir uma exceção para si.
Quem não respeita a fila talvez não esteja escolhendo apenas quem vai governar o país.
Está também revelando, naquele instante, o tipo de país que considera aceitável construir.
Porque a Democracia não começa na urna.
Começa antes — na capacidade de esperar a sua vez, respeitar o outro e compreender que nenhum direito verdadeiro precisa nascer da humilhação ou do prejuízo de alguém.
No fim, votar em qualquer outro também é um direito.
Respeitar a fila é um dever…
E talvez uma sociedade mais justa comece justamente quando aprendemos a não confundir liberdade com licença para passar por cima dos outros.
A Miséria Intelectual é uma das maiores e mais ignoradas Feridas Abertas de um povo que abraça Soluções Simplistas para quase tudo.
Talvez porque seja mais confortável acreditar em respostas prontas do que enfrentar a complexidade das perguntas.
Pensar dá muito trabalho…
Exige dúvida, leitura, comparação, disposição para rever certezas e, sobretudo, a Humildade Intelectual para admitir que podemos estar errados.
A Miséria Intelectual não se manifesta apenas na falta de conhecimento.
Ela aparece, principalmente, na recusa em conhecer.
Está no indivíduo que transforma opinião em verdade absoluta, no cidadão que compartilha antes de compreender, no discurso que reduz problemas históricos a culpados convenientes e na certeza de quem nunca se deu ao trabalho de investigar.
Vivemos tempos sombrios nos quais a velocidade da informação atropela frequentemente a profundidade do pensamento.
Opiniões são produzidas em segundos, indignações são distribuídas em massa e argumentos complexos são maldosa e propositalmente comprimidos em frases de efeito.
Quanto mais difícil é compreender determinado problema, maior parece ser a tentação de encontrar uma explicação simples — e, de preferência, alguém para culpar.
O problema é que sociedades não se transformam com slogans.
Desigualdade, educação, violência, corrupção, pobreza, desenvolvimento e justiça não cabem em respostas de uma simples linha.
Quando aceitamos Soluções Simplistas para problemas complexos, não estamos necessariamente resolvendo alguma coisa; muitas vezes estamos apenas tornando nossa ignorância mais confortável.
E talvez a Ferida mais profunda esteja justamente aí: não naquilo que não sabemos, mas naquilo que julgamos saber sem nunca termos investigado.
Uma sociedade Intelectualmente Saudável não é aquela em que todos pensam da mesma maneira.
É aquela em que as pessoas conseguem discordar sem transformar o outro em inimigo; conseguem mudar de opinião sem enxergar isso como derrota; conseguem ouvir argumentos contrários sem sentir que sua identidade está sendo atacada.
Pensar criticamente não significa desconfiar de tudo; isso é Ceticismo Apaixonado.
Significa aprender a perguntar: quem está dizendo isso?
Com quais evidências?
O que está sendo omitido?
Existe outra interpretação possível?
Talvez uma das principais formas de resistência aos tempos atuais seja justamente essa: recuperar o Direito de Pensar antes de reagir.
Porque, quando uma população abandona o esforço de compreender, qualquer narrativa bem embalada pode ocupar o lugar da realidade.
E, quando o pensamento crítico desaparece, a manipulação encontra terreno fértil.
No fim, a Pobreza Intelectual não empobrece apenas quem não sabe ou não quer saber.
Empobrece o Debate Público, deteriora as relações, fragiliza a Democracia e transforma problemas que exigiriam maturidade em disputas movidas por paixões, preconceitos e certezas fabricadas.
Por isso, talvez devêssemos falar menos sobre quem tem a resposta certa e mais sobre como chegamos às nossas respostas.
Porque uma sociedade que pensa pode até errar.
Mas uma sociedade que deixa de pensar corre o risco de aceitar qualquer erro — desde que ele venha acompanhado de uma “boa” explicação.
Talvez um dos maiores riscos da Preguiça de Pensar seja nos apaixonarmos pelos que fingem fazê-lo.
Há algo perigosamente sedutor em quem fala com muita convicção sobre aquilo que não compreende.
A voz firme, a frase de efeito e a certeza absoluta muitas vezes ocupam o espaço que deveria pertencer à dúvida, à reflexão e ao esforço de compreender.
Pensar dá muito trabalho…
Exige tempo, confronto com as próprias certezas e, sobretudo, humildade intelectual para admitir que podemos estar errados.
Por isso, é tentador terceirizar o pensamento para alguém que nos ofereça respostas prontas, inimigos convenientes e explicações simplistas para problemas complexos.
É nesse terreno medonho que prosperam os Falsos Pensadores: aqueles que não nos convidam a pensar, mas a concordar.
Não ampliam nossa compreensão; apenas organizam nossos preconceitos em discursos aparentemente sofisticados.
Não desafiam nossas convicções; oferecem argumentos para permanecermos confortavelmente presos a elas.
E talvez o perigo maior não esteja em sermos enganados por quem finge pensar, mas em desejarmos ardentemente que ele pense por nós.
Quando isso acontece, deixamos de admirar ideias e passamos a venerar pessoas.
Trocamos a Liberdade Intelectual pela segurança de pertencer a uma certeza coletiva.
Já não perguntamos se algo é verdadeiro; perguntamos apenas se foi dito por alguém de quem gostamos.
Pensar, entretanto, é justamente preservar a capacidade de discordar até de quem admiramos.
Porque uma mente verdadeiramente livre não precisa de Idolos Intelectuais.
Precisa de inquietação.
Precisa de perguntas.
Precisa da coragem de mudar de opinião quando os fatos exigirem.
Afinal, quem pensa por conta própria pode até errar sozinho.
Mas quem entrega o próprio pensamento a alguém, corre o risco muito maior de errar apaixonadamente — acreditando, ainda por cima, que finalmente encontrou quem pensa por ele.
Que a nossa Criança Interior não pode morrer — é um fato; que ela não pode matar a Criança dos outros — é outro.
Há uma certa beleza em conservar dentro de nós a capacidade de brincar, sonhar, acreditar, rir de coisas simples e se encantar com o que a vida, aos poucos, vai tornando comum.
Crescer não deveria significar abandonar completamente a criança que fomos.
Talvez amadurecer seja justamente aprender a carregá-la pela mão.
Mas existe uma diferença entre preservar a nossa criança interior e permitir que ela governe todas as nossas escolhas.
Porque a criança que existe em nós também pode ser ferida, carente, impulsiva, possessiva…
Pode querer tudo para si, não saber ouvir um “não”, confundir desejo com direito e liberdade com ausência de limites.
E, quando deixamos que essas feridas conduzam nossas atitudes, corremos o risco de transformar nossas dores em feridas para os outros.
É aí que a reflexão do Dia das Crianças ganha um sentido ainda maior.
Não basta dizer que amamos crianças.
É preciso perguntar que mundo estamos construindo para elas.
Que palavras estamos ensinando?
Que exemplos estamos oferecendo?
Que tipo de adulto estamos sendo diante de seus olhos?
Uma criança aprende muito mais com aquilo que presencia do que com aquilo que lhe ordenamos ou ensinamos.
Ela aprende quando vê um adulto pedir desculpas.
Aprende quando percebe que uma diferença não precisa virar desprezo.
Aprende quando testemunha respeito, generosidade, honestidade e limites.
Mas também aprende quando vê humilhação, intolerância, mentira, violência e pessoas usando sua própria dor como justificativa para ferir alguém.
Por isso, talvez preservar a criança interior seja também assumir a responsabilidade pelo adulto que nos tornamos.
Que nunca percamos a capacidade de brincar, mas que aprendamos a não brincar com os sentimentos alheios.
Que continuemos sonhando, sem destruir os sonhos de ninguém.
Que tenhamos coragem de defender nossa criança interior, sem transformar nossas frustrações em condenação das crianças que estão chegando.
Porque cada criança que nasce traz consigo uma possibilidade: a de que o mundo seja um pouco diferente amanhã.
E talvez nossa maior obrigação não seja apenas impedir que a criança dentro de nós morra, mas impedir que ela se torne tão ferida, tão egoísta ou tão amarga que passe a matar, nos outros, aquilo que um dia também tivemos: a esperança.
Feliz Dia das Crianças — às que ainda brincam, às que já cresceram e, principalmente, aos adultos que não se esqueceram de que toda criança merece encontrar um mundo um pouco mais gentil do que aquele que encontramos.
Quase todo mundo lendo — quase ninguém interpretando. Seria um começo admirável, se o fim não negasse os meios.
Vivemos a curiosa contradição de uma época em que a informação nunca esteve tão acessível, mas a compreensão parece cada vez mais escassa.
Lemos frases de efeito, compartilhamos pensamentos, colecionamos citações e reproduzimos discursos com uma facilidade impressionante.
Mas, entre o contato com as palavras e a assimilação de seus significados, existe um abismo que nem sempre estamos dispostos a atravessar.
Porque ler é um exercício dos olhos; interpretar é uma disposição da consciência.
É uma questão de querer…
A leitura nos apresenta às palavras, mas é a interpretação que nos confronta com aquilo que elas exigem de nós.
E talvez seja justamente aí que muitos desistam.
Afinal, compreender de verdade não significa apenas reconhecer a beleza de uma ideia, mas aceitar o desconforto de perceber o quanto ela questiona nossas certezas, denuncia nossas incoerências e expõe nossas conveniências.
É relativamente fácil admirar um texto sobre empatia.
Difícil é exercê-la quando o outro pensa diferente.
É simples compartilhar uma reflexão sobre humildade, desde que ninguém toque no nosso orgulho.
É confortável aplaudir discursos sobre respeito, até que a liberdade alheia contrarie aquilo que julgamos correto.
Há quem leia sobre amor sem aprender a cuidar, sobre liberdade sem respeitar escolhas, sobre justiça sem abandonar privilégios e sobre humanidade sem conseguir enxergar a humanidade de quem está do outro lado.
Não por falta de acesso às palavras, mas, muitas vezes, por excesso de apego às próprias convicções.
O problema, portanto, não está necessariamente na ausência de leitura, mas na resistência à transformação que uma leitura verdadeira pode provocar.
Afinal, interpretar exige mais do que inteligência: exige honestidade para reconhecer que nem sempre estamos certos, maturidade para rever posições e conceitos, e coragem para permitir que uma ideia nos modifique.
Talvez por isso tantas pessoas saibam citar grandes pensadores, mas tão poucas consigam traduzir seus ensinamentos em pequenas atitudes.
Confundimos conhecimento com sabedoria, eloquência com consciência e a capacidade de falar sobre virtudes com a disposição de praticá-las.
Eis uma das maiores ironias do nosso tempo: podemos terminar um livro e continuar exatamente no mesmo lugar em que estávamos antes de abri-lo.
Podemos atravessar centenas de pensamentos sem permitir que nenhum deles atravesse nossas certezas.
No fim, a leitura só cumpre plenamente seu propósito quando deixa de ser um hábito dos olhos e se torna um compromisso com a maneira como enxergamos o mundo.
Porque não basta compreender o que está escrito; é preciso perceber o que aquilo revela sobre nós, sobre os outros e sobre a responsabilidade que carregamos diante do que aprendemos.
Talvez a maior prova de que alguém realmente interpretou uma boa leitura não esteja naquilo que consegue explicar, mas naquilo que já não consegue continuar fazendo sem se questionar.
Afinal, de que adianta ter acesso a tantas palavras capazes de nos tornar melhores se continuamos encontrando justificativas para permanecer os mesmos?
Quase todo mundo lendo.
Quase ninguém interpretando.
E, entre uma coisa e outra, a humanidade segue acumulando conhecimento, enquanto ainda tropeça no básico: aprender a transformar aquilo que sabe naquilo que vive.
Seria muito difícil — ou até impossível — alugar a cabeça de todo um povo, ou parte dele, sem antes comprar algumas.
Porque nenhuma multidão é dominada de uma só vez.
Primeiro, conquistam-se as vozes mais potentes, as mentes mais influentes, os que falam com facilidade e pensam com preguiça.
Compra-se a opinião de alguns e, pouco a pouco, ela passa a parecer a verdade que muitos gostariam que fosse.
Ideias alugadas raramente chegam com contrato visível.
Elas se disfarçam de pertencimento, de urgência, de causa nobre ou de solução fácil.
E, quando parte do povo passa a repetir convicções que nunca questionou, talvez já não perceba que deixou de ser dono dos próprios pensamentos.
Há quem venda a consciência por conveniência, há quem a entregue por medo, e há quem a troque pela confortável sensação de fazer parte do coro.
Mas toda mente que abdica do esforço de pensar por conta própria torna-se terreno fértil para quem deseja governar sem diálogo, conduzir sem explicar e dividir para melhor controlar.
Pensar exige coragem.
Questionar exige disposição para, às vezes, caminhar sozinho.
Afastar-se da famigerada manada.
Por isso, manter a própria cabeça livre talvez seja um dos atos mais silenciosos — e mais revolucionários — que alguém pode praticar.
No fim, não são as ideias impostas que transformam uma sociedade, mas aquelas que nascem do encontro honesto entre consciência, reflexão e responsabilidade.
Porque quem preserva a própria mente, não apenas se protege, mas ajuda a impedir que o pensamento coletivo seja transformado em propriedade de poucos.
Às vezes, o Barco resolve balançar um pouquinho mais, só para nos lembrar que o Filho do Homem tem Autoridade até sobre a Tempestade.
Quando eu era mais Medo que Fé, olhava mais para as águas agitadas…
Agora, sendo mais Fé do que Medo, já posso Vê-lo — vindo ter comigo, caminhando por sobre as águas!
Aos meus — consanguíneos e em Cristo — tende bom ânimo!
Ele sempre está agindo!
Porque há Tempestades que não chegam para anunciar a nossa ruína, mas para revelar, de maneira mais profunda — Quem verdadeiramente governa o Barco.
Há momentos em que o Senhor não acalma imediatamente o vento, não porque tenha perdido o controle, mas porque também deseja transformar o nosso olhar.
A Tempestade, que antes ocupava todo o horizonte, começa a perder a sua grandeza quando os nossos olhos aprendem a reconhecer Aquele que vem ao nosso encontro.
A Fé não é a ausência de ondas, tampouco a garantia de que nunca sentiremos Medo.
Fé é aprender que a dimensão das ondas, da turbulência, não determina o tamanho do nosso Deus.
É compreender que, mesmo quando não conseguimos discernir os Seus movimentos, a aparente ausência de intervenção não significa ausência de ação.
Pedro, ao caminhar sobre as águas, descobriu que era possível dar passos extraordinários enquanto os olhos permaneciam em Cristo; mas também descobriu como o Medo pode ganhar voz quando a força do vento passa a ocupar o centro das atenções.
Talvez amadurecer espiritualmente seja justamente isso: não fingir que o vento não existe, mas recusar-se a tratá-lo como se fosse soberano.
E há algo ainda mais precioso: antes de Pedro clamar, Jesus já estava ali.
Antes da mão do Mestre segurá-lo, a presença do Mestre já rompia a distância.
Antes do mar se aquietar, Cristo já era Senhor sobre ele.
Por isso, aos meus — consanguíneos e em Cristo — digo: tende bom ânimo!
Não façam da Tempestade a interpretação definitiva da própria história.
Não confundam demora com abandono, silêncio com indiferença, nem águas agitadas com a falência das promessas de Deus.
Nem sempre saberemos por que o barco balança tanto; nem sempre compreenderemos os caminhos pelos quais o Senhor nos conduz.
Mas podemos descansar nesta certeza: o vento não tem a última palavra, o mar não estabelece os limites de Cristo, e a Tempestade jamais ocupará o Trono que pertence ao Senhor.
Que, nos dias de calmaria, sejamos gratos.
Nos dias de Vento Forte, sejamos perseverantes.
E, quando as ondas tentarem roubar-nos a visão, a atenção, que a nossa alma se lembre de olhar novamente para Jesus.
Porque a nossa segurança definitiva nunca esteve na estabilidade do barco, mas na soberania d’Aquele que tem Autoridade até sobre o mar.
O Barco pode balançar.
O Vento pode soprar.
As Águas podem se levantar.
Mas Cristo continua sendo o Senhor.
E, se Ele vem ao nosso encontro caminhando por sobre aquilo que nos ameaça, então até a Tempestade pode se tornar cenário de uma grande revelação: aquilo que para nós parece impossível continua debaixo dos Seus pés.
Tende bom ânimo.
Ele está presente.
Ele reina.
Ele sempre está agindo!
Amém?
Quando a Saudade me abraça um pouquinho mais apertado, o que me consola é a Gratidão pelo Azar
de ter tido tanta Sorte.
Porque há encontros que, mesmo quando a vida os transforma em despedidas, continuam acontecendo dentro da gente.
Há pessoas que partem, momentos que não voltam, abraços que se tornam lembranças e sorrisos que, de tão vivos na memória, quase nos convencem de que o tempo ainda não passou.
E talvez seja esse o paradoxo mais bonito e mais doloroso de existir: descobrir que algumas das coisas que mais nos fazem falta são justamente aquelas que mais nos fizeram felizes.
A Saudade, no fundo, é uma espécie de Eternidade disfarçada de Ausência.
Ela nos lembra que o tempo pode levar a presença de quem amamos, mas não pode desfazer o que foi verdadeiramente vivido.
O que passou não deixou de existir; apenas mudou de lugar.
Saiu do alcance das nossas mãos e encontrou morada naquilo que somos.
Está nos nossos gestos, nas nossas escolhas, nas palavras que repetimos até sem perceber, e até na maneira como olhamos para o mundo após termos conhecido alguém que nos ensinou a enxergá-lo de outra forma.
E é aí que nasce a Gratidão pelo Azar de ter tido tanta Sorte.
Azar, porque a vida não nos permite conservar tudo aquilo que amamos.
Porque a morte, essa arquiteta imprevisível e implacável dos nossos destinos, não nos consulta antes de mudar os cenários, encerrar capítulos ou transformar presenças em lembranças.
Azar, porque, às vezes, precisamos aprender a continuar vivendo com um espaço vazio onde antes existia alguém.
Porque amar também é aceitar a vulnerabilidade de não ter garantias, de não possuir o amanhã e de não poder negociar com o tempo.
Mas Sorte…
Ah, quanta Sorte!?!
Sorte por ter cruzado caminhos que poderiam jamais ter se encontrado.
Por ter vivido histórias que não estavam escritas em lugar algum.
Por ter conhecido pessoas que fizeram o mundo parecer maior, a vida parecer mais leve e os dias comuns ganharem a importância das coisas extraordinárias.
Sorte por ter tido motivos para rir até perder o fôlego, por ter encontrado abrigo em um abraço, por ter experimentado aquela sensação rara de estar exatamente onde se deveria estar, ao lado de quem fazia aquele instante valer a pena.
Talvez a maturidade comece quando deixamos de perguntar apenas por que certas coisas precisaram acabar e passamos a agradecer porque, um dia, elas começaram.
Quando compreendemos que a finitude não anula o valor de uma experiência, assim como o pôr do sol não torna menos belo o dia que termina.
Há coisas que não precisam durar para sempre para terem sido eternas naquilo que despertaram em nós.
Não se trata de romantizar a perda, nem de fingir que a ausência não dói.
Há dias que a Saudade pesa um pouquinho mais, os silêncios apertam e as lembranças chegam metendo os pés na porta.
Há momentos em que a razão entende, mas o coração continua procurando.
E tudo bem.
Nem toda dor precisa ser vencida; algumas precisam apenas ser acolhidas até que aprendamos a carregá-las sem deixar que nos impeçam de caminhar.
Porque existe uma diferença imensa entre sofrer por aquilo que “perdemos” e reconhecer a riqueza daquilo que tivemos.
A primeira nos prende ao que já não podemos mudar; a segunda nos reconcilia com a beleza de termos vivido.
E talvez a verdadeira sabedoria esteja justamente nessa travessia: permitir que a Saudade nos visite sem esquecer que a Gratidão também mora em nós.
No fim das contas, a vida não nos promete permanências.
Oferece encontros, possibilidades, instantes e a liberdade — nem sempre fácil — de atribuir significado ao que nos acontece.
Não escolhemos as despedidas, não controlamos todas as mudanças e não conseguimos proteger para sempre aquilo que amamos.
Mas podemos escolher não transformar o fim em uma negação do começo.
Podemos olhar para trás sem desejar apagar a história só porque ela terminou.
E, quando a Saudade me abraça um pouquinho mais apertado, tento me lembrar de que nem toda ausência é sinal de fracasso, nem todo fim é uma injustiça e nem toda lágrima precisa significar arrependimento.
Às vezes, chorar é apenas o coração reconhecendo o tamanho da bênção que foi ter vivido aquilo que agora lhe faz tanta falta.
Por isso, se existe algum consolo em não poder voltar, talvez ele esteja em saber que eu estive lá.
Que vivi.
Que amei.
Que fui feliz sem saber, em alguns daqueles instantes, o quanto eles se tornariam preciosos.
Que a vida, mesmo sem me garantir a eternidade de certas presenças, me concedeu o privilégio de conhecê-las.
E, se hoje a Saudade dói, é porque ontem a vida me presenteou.
Que eu nunca seja tão triste pelo que “perdi” a ponto de me tornar ingrato pelo que recebi.
Que eu nunca deseje tanto reviver o passado a ponto de deixar de honrar tudo o que ele construiu em mim.
E que, mesmo nos dias em que a ausência falar mais alto, eu consiga encontrar, no fundo da memória, uma razão serena para sorrir.
Afinal, há Azares que nos ferem, mas há Sortes que nos transformam para sempre.
E algumas pessoas, mesmo quando já não podem caminhar ao nosso lado, continuam sendo parte do melhor caminho que já percorremos.
Se a Saudade é o preço de ter vivido algo tão extraordinário, que eu tenha coragem de senti-la sem amaldiçoar a Sorte que me permitiu viver.
Porque, entre a Dor de não ter para sempre e a felicidade de ter tido um dia, escolho Agradecer.
Não porque a ausência seja pequena, mas porque o amor foi grande.
Não porque tenha deixado de doer, mas porque valeu a pena.
E, sobretudo, porque há lembranças que, mesmo quando apertam o peito, continuam aquecendo a alma.
Que Sorte a minha por ter tido tanto a perder!
Que Gratidão a minha por ter tido tanto para amar!
Gratidão pelo Azar de ter tido tanta Sorte!
"Para uns o o amor é..
Onde o coração descansa
e vive em paz
Um lugar onde a tempestade não alcança
Um sentimento delicado
Para outros o amor é saudade!
Um sonho, um espaço solitário
Para alguns é algo leve, alegre,
cheio de esperança e muita brincadeira
Já para outros é utopia, sofrimento, devaneio, dor
e medo de sofrer
Para mim o amor é ser o oceano, é sentir, é crescer, é o céu....
É viver junto do meu par...."
☆Haredita Angel
Prá mim, é quase um malabarismo manter a lucidez
que é tão imprescindivel na vida...
☆Haredita Angel
"Uma verdade universal: Mulher, quando não dá problema pra um, é porque está dando pra outro.
☆Haredita Angel
"Os artistas e os políticos, estão fazendo do mundo um quintal onde eles jogam todo os seus lixos e a grande massa vai lá e faz a coleta!"
☆ Haredita Angel
-Um amor não se acaba de repente...
Um amor não se detém mediante dificuldades...
Um amor não se finda fatalmente...
Um amor fica sempre a espreita para começos e recomeços...
Em não sendo assim...
Não lamente...
Não era amor...!!!
☆ Haredita Angel
"Dizem que para ser menino é uma questão de nascimento, ser um homem é uma questão de idade...Mas ser um cavalheiro é uma questão de escolha."
☆Haredita Angel
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