⁠Quem fura fila, sobretudo para votar,... Alessandro Teodoro

⁠Quem fura fila, sobretudo para votar, é só um qualquer um que pode votar em qualquer outro. A frase parece muito dura, mas talvez seja justamente a dureza que ... Frase de Alessandro Teodoro.

⁠Quem fura fila, sobretudo para votar, é só um qualquer um que pode votar em qualquer outro.


A frase parece muito dura, mas talvez seja justamente a dureza que nos faça pensar.


Porque furar uma fila não é apenas passar à frente de alguém.


É afirmar, silenciosamente, que o meu tempo vale mais que o do outro, que a minha urgência merece privilégio, que a regra pode ser relativizada quando me convém.


E, quando isso acontece justamente na hora de votar, a contradição se torna ainda maior.


O voto é um dos poucos momentos em que, pelo menos em princípio, todos deveriam estar em condições de igualdade.


Na fila, diferimos em histórias, opiniões, profissões e escolhas; diante da urna, cada cidadão deveria carregar o mesmo Peso Democrático.


Mas há quem queira igualdade no resultado e privilégio no caminho.


Talvez o problema não esteja apenas em quem fura a fila, mas na mentalidade que permite a alguém pensar que pode ou merece mais do que os outros.


É uma pequena transgressão que revela uma grande concepção de sociedade: a de que as regras existem só para os outros.


E é assim que a cidadania vai se desgastando.


Não necessariamente nos grandes escândalos, mas nos pequenos gestos cotidianos em que cada um decide que pode abrir uma exceção para si.


Quem não respeita a fila talvez não esteja escolhendo apenas quem vai governar o país.


Está também revelando, naquele instante, o tipo de país que considera aceitável construir.


Porque a Democracia não começa na urna.


Começa antes — na capacidade de esperar a sua vez, respeitar o outro e compreender que nenhum direito verdadeiro precisa nascer da humilhação ou do prejuízo de alguém.


No fim, votar em qualquer outro também é um direito.


Respeitar a fila é um dever…


E talvez uma sociedade mais justa comece justamente quando aprendemos a não confundir liberdade com licença para passar por cima dos outros.