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Jornal

Cerca de 100 frases e pensamentos: Jornal

Jornal
sobre a mesa:
desjejum amargo.

Folha de jornal
vem no vento ao meu pescoço;
cachecol de letras.

Homero é novo, esta manhã, e talvez nada seja tão velho como o jornal de hoje.

o jornaleiro espantado
que eu queira comprar
o jornal de ontem

Jornal do bairro:
"Pescaria no rio Tietê"...
Primeiro de abril!

Amo você quando não é você

Parece aquelas notícias de jornal popular, mas merece uma página inteira na imprensa nobre. Escute só: um casal em crise estava, cada um, em segredo, trocando e-mails com um pretendente virtual. Ela querendo ver o marido pelas costas e total mente envolvida pelo cara com quem teclava todos os dias. E o marido querendo que a bruaca evaporasse para poder curtir a gata que conheceu num chat. Você certamente já matou a charada: cada um marcou um encontro às ganhas com seu amor clandestino e shazam: descobriram que estavam teclando um com o outro sem saber.

Ou seja, marido e mulher não se amavam mais, porém se apaixonaram um pelo outro pela internet, usando pseudônimos. Imagine a cena: você se arruma para um primeiro encontro com alta carga erótica e dá de cara com seu cônjuge. Eu iria rir da situação e tentaria reinvestir no casamento desgastado, dessa vez estabelecendo novos códigos, mas o casal em questão não teve senso de humor e pediu o divórcio, alegando que estavam sendo "traídos". Moralismo nessa hora?

Não é preciso teses nem seminários: este fato, isoladamente, consegue explicar e exemplificar o ponto frágil dos casamentos de longa duração. Todo ser humano é vaidoso - uns mais, outros menos - e essa vaidade se estende ao campo da sedução. Por mais que a gente ame a pessoa com quem casamos, a passagem do tempo reduz o feedback sexual. As transas podem até continuar prazerosas e relativamente assíduas, mas já não temos certeza se seríamos capazes de chamar a atenção de alguém que nada soubesse sobre nós, e esta é uma necessidade que não esmorece nunca: seguimos interessantes? seguimos atraentes? E a pergunta mais séria entre todas: depois de tanto tempo fundidos com um parceiro, sabemos ainda quem somos nós?

Sendo assim, ficamos suscetíveis a uma paquera. Pela internet, parece seguro, sem conseqüências, mas não impede que nos apaixonemos - nem tanto pelo outro, mas principalmente por nós mesmos. Recuperamos a adolescência perdida: nos tornamos novamente audazes, sedutores e jovens - paixão rejuvenesce mais que botox. É a chance para a gente se reinventar e ganhar uma sobrevida neste mausoléu de sentimentos chamado "estabilidade afetiva". Não, você não, que é de outra estirpe. Estou falando de gente comum.

Este casal pagou um mico, mas fez um alerta à humanidade: somos capazes de nos apaixonar por quem já fomos apaixonados, desde que esta pessoa se apresente a nós como uma novidade e nos dê também a chance de sermos quem a gente ainda não foi. Este marido, que em casa talvez fosse carrancudo e desleixado, revelou-se bem-humorado e empreendedor para sua nova "namorada". A esposa, que em casa talvez bocejasse pelos cantos, mostrou-se alegre e entusiasmada para o novo "namorado". Estavam o tempo inteiro conversando com quem conheciam há anos, mas, da forma que se apresentaram, desconheciam-se.

Já escrevi uma vez sobre este tema: a gente se apaixona para corrigir nosso passado. Agora fica claro que podemos corrigir nosso passado com os próprios protagonistas do nosso passado, desde que eles nos enxerguem com olhos mais curiosos, com um coração mais disposto e que acenem com um novo futuro.

Martha Medeiros
Doidas e Santas

– Pois olhe – declarou de repente uma velha fechando o jornal com decisão – pois olhe, eu só lhe digo uma coisa: Deus sabe o que faz.

Clarice Lispector
Laços de família. Rio de Janeiro: Rocco, 1998.

Nota: Trecho do conto A menor mulher do mundo.

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Hoje eu sou colunista em mais de 20 jornais e revistas,
mas não sou colunista do jornal em que iniciei minha carreira.
Por que? Mudaram a direção e a nova editora do caderno direcionado ao público feminino (onde ficava minha coluna) disse que as mulheres preferiam ler 'receitas culinárias' do que poesia.
(...)

Inserida por AugustoBranco

"Um homem que compra dois exemplares do mesmo jornal de manhã, ao sair da boate com sua garota, esse é um cavalheiro."

Inserida por jcsalomao

Alguns anos antes de morrer, colocou um anúncio no jornal que dizia:

"Mulher simples, trinta anos, bem em todos os sentidos, mas, até agora, muito pouco feliz no amor, com rendimento médio de quinhentos mil dólares por ano, procura homem honesto e sensível, pode ser calvo, para relação séria. Responder a Marilyn Monroe, Sutton Place, Nova Iorque."

(E não recebeu uma única resposta - FONTE: Autobiografia de Marilyn Monroe, Rafael Reig).

jornal aberto,
café, leite e sangue:
guerra de perto

Para uma pessoa especial...

Pensei em colocar um anúncio no jornal
para todo mundo ficar sabendo o quanto
eu amo você!
Mas depois pensei melhor e resolvi dizer isso bem
através deste recado:
eu te amo muito!

Não consigo permanecer por muito tempo num teatro ou num cinema, mal posso ler um jornal, raramento leio um livro moderno. Não sei que prazeres e alegrias levam as pessoas a trens e hotéis superlotados, aos cafés abarrotados, com uma música sufocante e vulgar, aos bares e espetáculos de variedades, às feiras. Não entendo nem compartilho dessas alegrias, embora estejam ao meu alcance, pelas quais milhares de outros tanto anseiam

velho jornal
levado pelo vento
prevê temporal

Eu sou como um jornal. Tenho meus dias, meus meses, meus anos, sejam eles bons ou ruins. Trago sempre comigo notícias, sejam elas de inverno ou jardim. Anuncio um mês e um ciclo, sou também preto e branco e quando me dão liberdade fico parte colorido. Muitos me dão valor, outros ainda darão. Alguns já se foram, outros ainda se vão. Tenho curiosidade, mergulho em qualquer assunto, qualquer música, em qualquer mundo. Viveremos em Marte se é que o mundo acabou. Sei que vivo no mundo da lua quando sozinha estou. Os caminhos percorro ao encontro sempre de algo a fazer. Ser feito e ter feito são dois obstáculos a vencer. Procuro um futuro velho, de alguem que ainda tem que viver. A vida está aqui em mim, por onde ando, caminhos sem fim. Quase sempre na mesma fonte, Verdana, me chame assim, no início meio esquisita no fim só tem olhos pra mim. To sempre bem arrumada, cabelo cortado e unha feita, sapato de salto e vestido de seda. Tudo pra viver como eu sei, nesse mundo guerreiro e aflito. Impresso em mim só não está se parecer não ter soluções. Pra tudo eu tenho quem apóie: mãe, pai, tio e doutor, aquele que eu não conheço, aquele de quando é dor. Vai que sem rumo eu rasgo no meio da rua do Ouvidor. Vou me mudar pra outro estado com aquele que me encontrou. É essa minha vida de riscos, acho que não sei viver, porque se eu soubesse, teria de estar com você. O perdi em alguma outra rua, num beco, em algum museu. Não sei como você esta, se serve pra peças frágeis, segura pra não quebrar. Você é uma página perdida na multidão, mas quem sabe um dia ainda acho, o mundo não é grande não. Uma página de esportes, onde estaria você? Espero que esteja na sorte, aquela que um dia vou ter. Um dia a gente morre, um dia a gente tem que morrer. Extinção dessa nossa espécie, substituida por PC. Aqueles robôs que se mexem, só sei que não sao meus irmãos, porque se meus irmãos fossem, não custariam um tustão. A vida sempre acaba, de um jeito e de outro também. Os ricos não sabem de nada, quem sabe é o povo que tem. Tem o papel preto e pranco, papel de jornal vai e vem. O rico só sabe de esquerda, egoísmo é só o que tem. Jornal, papel fino e sábio, sabe do valor que ele tem, que move o mundo de cima, quer conhecê-lo também. Só quer ser colorido, encontrar o esporte perdido e nesse mundo notar o que tem de sempre ser lido.

Os anúncios contêm as únicas verdades que merecem crédito em um jornal.

deu no jornal:
economia vai bem
o povo vai mal

E então, que quereis?...


Fiz ranger as folhas de jornal

abrindo-lhes as pálpebras piscantes.

E logo

de cada fronteira distante

subiu um cheiro de pólvora

perseguindo-me até em casa.

Nestes últimos vinte anos

nada de novo há

no rugir das tempestades.



Não estamos alegres,

é certo,

mas também por que razão

haveríamos de ficar tristes?

O mar da história

é agitado.

As ameaças

e as guerras

havemos de atravessá-las,

rompê-las ao meio,

cortando-as

como uma quilha corta

as ondas.

Meu amigo, vamos sofrer,
vamos beber, vamos ler jornal,
vamos dizer que a vida é ruim,
meu amigo, vamos sofrer.

Vamos fazer um poema
ou qualquer outra besteira.
Fitar por exemplo uma estrela
por muito tempo, muito tempo
e dar um suspiro fundo
ou qualquer outra besteira.

Vamos beber uísque, vamos
beber cerveja preta e barata,
beber, gritar e morrer,
ou, quem sabe? beber apenas.

Quem não lê jornal não está informado. E quem lê está desinformado.

Desconhecido

Nota: O pensamento é erroneamente atribuído a Mark Twain, mas acredita-se que ele seja uma mistura de pensamentos de Orville Hubbard e Ezra Taft Benson.

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