Janela
Percebemos que a mudança é no olhar, quando contemplamos a mesma paisagem da mesma janela e não encontramos o horizonte nem o sentimento de outrora!
HOJE AMANHECI SEM
O SOL NA JANELA
ACORDEI MAIS TARDE
DO QUE A MINHA SOLIDÃO..
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Todos os direitos reservados a
Sonia Solange da Silveira
Ssolsevilha
Poetisa do cerrado
A Janela e o Silêncio
A vida entre nós tinha muros, limites e chão,
Um respeito guardado no fundo do meu coração.
Fomos o que foi possível, com o peso que a vida nos deu,
Entre conversas difíceis e o que o tempo acolheu.
A notícia chegou num sopro, num dia qualquer,
Sem aviso, sem hora, sem o tempo que a gente quer.
E eu fiquei ali, no silêncio daquele salão,
Sem saída, sem pranto, presa na minha própria mão.
Ao teu lado o tempo todo, como quem guarda um altar,
Na anestesia do peito que ainda não sabe chorar.
Parecia um sonho distante, um filme sem cor,
Onde a dor não tinha nome, não era nem raiva nem amor.
Mas na hora da despedida, olhando além da janela,
Entre flores e pedras, na paisagem fria e singela,
Um choro prendeu na garganta, abafado e profundo,
Um choro pra dentro, teu gesto, despedida do mundo.
Olhei para o fim sem sentir que era o fim de verdade,
Pois o que se viveu não se apaga na eternidade.
Fica a paz do respeito, a história que a vida escreveu...
A tua alma partiu, e a minha, em silêncio, entendeu.
Nova e Velha Política.
"Não consigo dizer o quanto uma janela exposta à luz do meio-dia pode ou não ofuscar minha vista, uma vez que quem decide é a hora e a posição que eu devo ocupar naquele ambiente. O paradoxo entre as leis limitantes e a liberdade de escolhas promovidas pelo livre arbítrio sob a lente religiosa promove discursos. Hoje, os políticos são categoricamente dois jogadores em lados diferentes em um único tabuleiro. O que torna isso engraçado é o fato de que somos nós os peões e as rainhas dentro desse jogo. Podemos decidir qual jogador irá nos representar, mas nunca a direção pela qual eles irão nos mover durante cada jogada."
Hoje eu abri a janela
E enxerguei longe, lá no Céu
Algo que parecia
Um casal de andorinhas
Voando alegremente
Não sei se estavam mesmo lá
Ou se era ilusão da minha mente
Com o tempo a gente percebe
Que não é certo
E nem inteligente
Sempre crer
Naquilo que se vê de longe
Nem naquilo que se vê de perto
Mas as andorinhas
Pra sempre estarão voando
Acreditando nelas
Ou não
O difícil não é sabê-las
Pois é pra isso que existem janelas
Triste
É viver sem nenhuma ilusão.
Edson Ricardo Paiva.
Como o vento a entrar pela janela.
"A Beleza da vida
É o Sol lá no céu
Numa noite de chuva
É saber sentir
Quando não houver
Sentido e nem valor
O que vale na vida é o amor
Amar é enxergar a beleza
E sentir o seu sabor
Na água da chuva que cai
Na beleza da noite
É olhar-se no espelho
Poder ver a sorte
Pela imagem refletida
Ser somente uma ilusão
Por mais bela ela seja
Pois a imagem verdadeira
É o Sol no céu
Numa mente que o veja
E que sejam todos nossos sonhos
Bem assim
Como o Sol que brilha
A beleza na vida é o olhar que trilha
Confiante
Encarar de frente a todas as vicissitudes
Como quem sorri perante o espelho
E entender que o velho Sol é também uma ilusão
Como a chuva que se torna tempestade
O que vale na vida é o amor
Que se vai, que voa e que evapora
E que volta maior quando retorna e que te invade
Como o vento pela janela
No momento em que transforma a brasa em chama
E a chama da vela em nada
Nada além de uma vela apagada
E teu quarto em escuro
Era tudo o tempo todo uma questão de proporção
Pense, que o futuro continua a pertencer a Deus
Apesar de tua ilusão ao olhar pro espelho
Pois, em toda tempestade que cair
O Sol vai estar brilhando lá no céu
Talvez leve algum tempo pra entender
Que a beleza mora lá no olhar
Que sorri quando chora e está aqui
Mas que olha e não vê. "
Edson Ricardo Paiva.
" Todos os dias ao amanhecer o sol me dava um pássaro cantante na minha janela, hoje o sol não veio, mas lá esta já preocupante um pássaro. "
Viver é colecionar adeuses discretos. Nem todo fim tem trombetas, muitos se vão por uma janela fechada. Eu faço inventário desses pequenos fins, para não esquecê-los. Cada adeus me ensina a salvar pedaços para recomeços. E, mais uma vez, o coração vira caixa de sobras transformáveis.
A chuva hoje tocou a janela como quem pede licença para entrar. Dentro de mim há móveis que rangem com lembranças. As palavras saem mansamente, como se pedissem perdão. Às vezes penso que sou feito de corredores vazios. E nesses corredores ecoam os passos que um dia me ensinaram a voltar.
O vento traz nomes que o mundo esqueceu. Eles pousam na janela e demoram a sair. Eu os recolho como se fossem folhas importantes. Coloco-os no bolso e sigo caminho mais leve. Carregar nomes é forma de resistir ao esquecimento.
A memória é pássaro que pousa em qualquer janela. Quando pousa, canta e revela céu. Algumas músicas me levam a lugares que nem sei nomear. Elas nascem de saudade e terminam em consolo. E eu as coleciono como quem junta estrelas.
A depressão é como um nevoeiro que entra pela janela aberta e apaga as cores do jardim, deixando tudo com um tom de cinza-hospitalar que nos tira o apetite de viver. A gente aprende a tatear os móveis e a caminhar no escuro, esperando que o sol decida voltar das suas férias eternas.
Às vezes, o café esfria no balcão enquanto a gente assiste ao tempo passar pela janela, percebendo que a pressa do mundo é apenas uma tentativa desesperada de não encarar o fato de que a beleza real mora no que é lento, no que dói devagar e no que se cura sem alarde.
Eu conheço a melancolia pelo modo como ela acende as coisas simples: uma xícara, uma janela, um nome antigo, e tudo passa a doer com elegância.
A melancolia é uma janela aberta por dentro, o vento entra, desarruma tudo e, ainda assim, deixa o quarto menos morto.
TSAS A MORTE LENTA
Pela manhã a tela acende,
faz da janela um muro digital.
O corpo esquece o movimento,
a alma perde o rumo natural.
O sofá abraça sem maldade,
convida ao descanso e à rendição.
Pouco a pouco prende os passos,
transforma a força em ilusão.
O açúcar veste roupa de festa,
adoça a boca, seduz o paladar.
Mas cobra caro pelo encanto,
quando chega a hora de cobrar.
O sal tempera a convivência,
dá sabor ao feijão e ao pão.
Porém, em excesso silencioso,
cerca a vida de preocupação.
São prazerosos, mas é morte lenta para todos.
São prazerosos, mas é morte lenta para todos.
No brilho da tela, no abraço do sofá,
no doce do açúcar e no sal a transbordar.
São prazerosos, mas é morte lenta para todos.
Não vieram como inimigos,
nem carregam espada ou canhão.
Entram sorrindo pela porta,
ganham espaço no coração.
A televisão rouba o tempo,
o sofá negocia a disposição.
O açúcar compra o instante,
o sal disfarça a condição.
Enquanto o mundo corre lá fora,
a vida pede participação.
Caminho, esforço e equilíbrio
são remédios sem prescrição.
São prazerosos, mas é morte lenta para todos.
São prazerosos, mas é morte lenta para todos.
Quando o excesso vira costume,
e o costume vira prisão,
São prazerosos, mas é morte lenta para todos.
Então façamos nova escolha,
sem guerra, culpa ou radicalismo.
Que a tela informe, não domine;
que o descanso não seja abismo.
Que o açúcar seja visita,
não morador do coração.
Que o sal conheça limites,
respeitando a moderação.
Pois viver é mais que prazer,
é movimento, consciência e valor.
E o tempo, que tudo revela,
é o mais exigente julgador.
