Janela
"Pensador
Havia uma poesia martelando no escuro,
chocha, eu a convidei para a janela, esculpir, mas escapou.
Cor do Lume, pisca lá de cima.
Nem toda lacuna é um mercado, e nem toda oportunidade é uma janela de negócio. Algumas oportunidades são pessoais, circunstanciais e únicas; negócios começam quando a oportunidade pode sobreviver além de quem a encontrou.
Olhe através da janela e veja o sol brilhar...olhe como brilha...
Mesmo em dias nublados você sabe que ele está lá...
Então não se apegue as nuvens...elas passam...já o sol...ah, ele sempre continua a brilhar...
Olhe para dentro, para seu interior através do silêncio...
A Luz está aí..
A Janela Aberta
Naquela noite, não foi só o pub que ficou para trás.
O corpo voltou para casa. Os pensamentos, não. Sentaram-se na poltrona, caminharam pelos cômodos vazios e, quando perceberam que eu insistiria em dormir, fizeram do travesseiro um bloco de concreto. A casa inteira parecia cansada. Não era o desgaste do tempo. Era o peso da consciência.
Há noites em que a insônia não é ausência de sono.
É excesso de lucidez.
Saí para a varanda.
A janela da casa ao lado estava aberta. A vizinha permanecia ali. Devia ter uns trinta e cinco anos. Reservada. Dessas pessoas que nunca prolongam uma conversa, mas jamais deixam de cumprimentar os vizinhos. Antes disso, eu a tinha visto caminhar lentamente pelo cômodo, como se cada passo precisasse ser convencido a acontecer. Depois os movimentos diminuíram, até desaparecerem por completo.
Não havia televisão ligada. Nem música. Nem qualquer ruído que denunciasse companhia, como era habitual. A casa parecia ter prendido a respiração.
Vi quando ela puxou a cadeira, virou-a de frente para a parede e se sentou. Não olhava pela janela. Não olhava para a rua. Parecia encarar aquela parede como quem espera que o silêncio finalmente responda alguma pergunta antiga.
O corpo foi cedendo aos poucos, numa posição impossível de sustentar por muito tempo, como se tivesse esquecido a maneira correta de existir. Um braço pendia sem propósito. As pernas procuravam apoio onde já não havia equilíbrio. A cadeira fazia o que podia, mas parecia pequena demais para sustentar um peso que não era físico.
Ela não caiu.
Apenas cansou de fingir que ainda estava de pé.
Ficou assim durante muitos minutos.
Tempo suficiente para que a imaginação começasse a fabricar hipóteses.
Talvez esperasse uma ligação que nunca viria.
Talvez estivesse apenas exausta.
Talvez estivesse travando, em absoluto silêncio, uma guerra que ninguém do lado de fora seria capaz de enxergar.
A solidão tem esse hábito perverso: quando não encontra respostas, inventa histórias.
Depois de algum tempo, a penumbra tomou conta do cômodo. Já não conseguia distinguir seus movimentos, nem saber se ainda permanecia na mesma posição. A janela continuava aberta, mas a noite havia fechado o resto da cena. O que aconteceu dali em diante eu nunca soube. O que permaneceu comigo foi apenas a última imagem que meus olhos conseguiram guardar. O restante foi preenchido por essa estranha mania que a solidão tem de transformar lembranças em fotografias mentais.
Foi então que compreendi que algumas janelas permanecem abertas não para deixar o ar entrar, mas porque já não existe força suficiente para fechá-las.
É curioso como a tristeza raramente faz escândalo.
Ela prefere paredes descascadas, cadeiras antigas e o silêncio.
Gosta do silêncio porque o silêncio não faz perguntas.
Talvez ela tenha perdido alguém.
Talvez tenha perdido a si mesma.
No fim das contas, quase dá na mesma.
O mundo admira pessoas que continuam sorrindo enquanto apodrecem por dentro. Chamam isso de força.
Eu chamo de bom comportamento... maldito bom comportamento de gado no matadouro.
A verdadeira exaustão não pede licença. Ela apenas faz o corpo escorrer sobre qualquer pedaço de madeira disponível, como um copo esquecido no fim da madrugada.
Depois de certo ponto, a identidade deixa de importar.
Você não é mais advogado, artista, pai, mãe, amante ou fracassado.
É apenas alguém tentando sobreviver ao próprio pensamento.
As paredes conhecem esse tipo de gente.
O concreto guarda segredos melhores que qualquer padre. Já viu homens ricos chorarem sozinhos, mulheres bonitas desistirem da própria beleza e gente comum morrer muitos anos antes do coração parar.
Naquela varanda compreendi que existem intervalos maiores do que qualquer derrota.
Existe uma diferença enorme entre perder a guerra e simplesmente não ter forças para levantar naquele dia.
Vivemos num mundo que confunde movimento com vida. Gente correndo atrás de dinheiro, curtidas, diplomas e promessas de felicidade vendidas em prestações. Basta, porém, fechar a porta e apagar as luzes para descobrir que muita gente continua respirando apenas porque o corpo ainda não recebeu o aviso de que a esperança foi embora.
Na manhã seguinte, ela acordará.
Preparará o café.
Responderá mensagens.
Comprará pão.
Cumprimentará os vizinhos.
Se alguém perguntar como está, sorrirá o suficiente para encerrar o assunto.
E a cidade continuará funcionando com a eficiência de sempre.
Os ônibus passarão.
Os escritórios abrirão.
Os bares voltarão a encher.
Ninguém perceberá que uma mulher quase desapareceu diante de uma parede na noite anterior.
Talvez porque todos estejam ocupados demais escondendo a própria parede.
Voltei para dentro de casa.
A janela dela continuava aberta.
Fechei a porta da varanda, mas não consegui fechar aquela janela dentro de mim.
Desde então, algumas noites não terminam quando amanhece.
Elas apenas mudam de endereço.
Há dias em que caminho pela rua, entro num café, espero numa fila ou observo alguém parado no trânsito e me pergunto quantas pessoas ali estão vivendo exatamente a mesma noite que vi naquela janela.
A resposta nunca vem.
Talvez porque a tristeza mais profunda tenha aprendido um truque antigo: descobriu que ninguém desconfia de quem continua respirando.
E foi então que percebi uma ironia cruel.
Naquela noite, eu acreditava estar observando a solidão de uma mulher.
Hoje já não tenho tanta certeza.
Talvez eu nunca tenha escrito sobre ela.
Talvez, desde a primeira linha, eu estivesse apenas descrevendo a janela da minha própria casa.
Meu olhar se embriaga
na poesia do pôr do sol,
que irrompe da janela
da minha cozinha
como um poema em chamas.
O céu escreve, em tons alaranjados,
os seus silêncios,
enquanto o dia se retira devagar,
com a serenidade
de quem conhece o próprio tempo.
Sobre a pia,
a louça reflete o esplendor
desse arco-íris poético.
E a minh’alma,
pincelada por essa paleta de cores,
deleita-se
num estado puro de êxtase.
E eu, inspirada,
derramo estes versos
de gratidão à Natureza,
por conceder-me
tamanha bênção.
✍©️ @MiriamDaCosta
Um menino em seu quarto, deitado na cama sob o olhar de uma lua bisbilhoteira pela janela; uma rádio de pilhas Sharp ouvindo ‘All My Loving’ dos Beatles; o mundo pegando fogo com a Guerra Fria; e sonhando em reencontrar a menina que colocou um Drops Dulcora em sua boca na matinê de domingo.
Tirei uma dúvida com a janela do meu quarto: além do bem-te-vi despertador de todo dia; da visita de um solitário beija-flor; e rota das maritacas, quando chego na janela não espanto a turma e não espantando, evidencia que existe empatia, solidariedade e amizade comigo também. Assim, pelo privilégio, a janela e eu ficamos felizes e confortados, pois a solidariedade é inimiga da solidão.
Pela fresta da janela
Vejo o dia chegar: poesia.
O primeiro passo
É sempre um recomeço
Em cada amanhecer,
Uma história escrita
Em palavras e atitudes.
Ela pegou a vassoura
e saiu voando pela janela,
ainda vejo sua silhueta sobre a vassoura
em contraste com a lua cheia...
mais cedo fez chover pétalas de rosas
me falou da essência do amor...
e cheirando a jasmim
levitava entre entre as bromélias do jardim,
ela me disse que era pra sempre
que era infinito, sempre que acontecesse
deitamos a luz da lua
acordamos a luz das estrelas
e tudo que era poesia invadiu minha rua...
A vida no campo.
Da janela do meu quarto, vejo a luz do dia, o sol radiante me passa energia, os pássaros cantando, o estresse alivia, a chuva quando aparece, a plantação e o solo agradecem, o ar, as plantas umidificam e purificam, pelas minhas narinas, ar puro respiro todos os dias. A natureza é rica, pois, é uma obra divina. Gratidão! Sempre, meu Deus.
"No interior, o que mais me intriga é ver quanta gente espicha os olhos para a janela do vizinho, esquecendo-se de arrumar a bagunça no próprio quintal."
Todo dia eu lembro de você,
como a chuva forte na janela
das noites em que o silêncio fala
e a saudade responde por ela.
Às vezes me pergunto onde você está,
se ainda sorri daquele mesmo jeito.
E meu coração volta a morar
nas lembranças guardadas dentro do peito
— Patrick Wallace
Esvoaçante
Na janela, uma cortina esvoaçante balança insinuante.
A brisa suave traz o cheiro de maresia misturado com esperança.
Um mundo colorido se revela na luz...
Nuvens fugidias pelo céu a mão de Deus conduz.
Desce ele pela ladeira dos sonhos perdidos,
cada passo ressoa em ecos sentidos.
As cores palpitam, vibrantes no ar...
Um espetáculo vivo a nos encantar.
O sol sorri alegre, brinca com as sombras,
cochicha segredos que da alma assomam.
As flores, em festa, se inclinam para ouvir
as histórias do vento, contentes a sorrir.
E assim, nesta dança de vida e cor,
Janelas e portas se abrem, convidando ao renascer do amor.
Quer saber!
Da janela, a vista do crepúsculo é insana,
A noite foi de sonhos aventureiros, agora os pensamentos são selvagens,
Uma queima de fogos refletem as margens do rio imaginário,
Alheio as ausências os olhos sabem brindar com os sentimentos levando os dramas na brincadeira,
Quer saber!
No fundo, no fundo o destino pode pegar leve se a saudade virar liquido de vez em quando, ou se na escala richter a magnitude do impacto de amor integral for 9,5.
A chance
A janela aberta no amanhecer,
O café quente descendo quente a cada gole,
No olhar para dentro uma divisão de sentimentos,
Nas nuvens passageiras o recado foi dado,
Na revisão das atitudes e do comportamento, a chance de evoluir sem errar novamente.
Entre um sol e outro
Já vi o sol saindo da escuridão por entre as nuvens da janela de um avião,
Já vi o crepúsculo com seus diversos tons avermelhados desaparecer do horizonte praiano,
E em nenhum destes fantásticos acontecimentos eu vi, porém eu senti você renascendo,
Sofro de tensas saudades, mais tenho a esperança de que está muito perto o nosso reencontro.
Da janela para fora, a calmaria, a beleza da floresta e as promessas,
De dentro da janela, a paz interior, o controle das ações e a busca por um amor.
Bom dia.
Enquanto a água do café esquenta e a manhã vai entrando pela janela, a gente nem percebe que a vida também se ajeita devagar dentro de nós.
Há coisas que permanecem. Há coisas que, aos poucos, aprendemos a deixar ir.
E talvez a paz esteja justamente nisso: confiar que Deus cuida daquilo que precisa ficar e, com carinho, alivia as mãos daquilo que já pode ser solto.
Edna de Andrade
Bom dia!
Tem manhãs que chegam devagar, como quem abre a janela sem fazer barulho e deixa a luz entrar aos poucos.
Talvez a vida não tenha mudado durante a noite. Talvez as perguntas ainda estejam aí, sobre a mesa, esperando respostas.
Mas existe alguma coisa bonita em recomeçar o dia mesmo assim.
Preparar o café, arrumar a casa por dentro e por fora, respirar fundo e seguir.
Que Deus visite os seus pensamentos nesta manhã e coloque serenidade onde o coração anda cansado.
E que, entre uma tarefa e outra, você perceba: a vida também se revela nas pequenas delicadezas.
Edna de Andrade
