Isso Ja Nao me Pertence mais
Não encontro razão alguma para não comparar a política ao que há de mais ignóbil, pois nela mesma já transborda a imundície que a define. (Furucuto, 2025)
Tudo que já foi necessário já não me faz mais falta, tudo o qual eu jurei nunca viver sem se tornou supérfluo, e tudo que eu já amei... Posso encher a boca pra falar que detesto.
Os poetas já estão censurados,
já, já, não poderemos mais falar de amor,
no lugar de versos apaixonados,
falarão apenas de ódio, guerra e dor!
Eu Já Não Posso Mais Ficar
Querido,
não estou partindo por desamor,
nem porque deixei de te amar.
Parto porque preciso salvar
a ausência de quem um dia fui,
a mulher que existia em mim
antes que o silêncio começasse
a ocupar o lugar das palavras.
Você mudou, querido.
E, nos teus olhos,
já não encontro o mesmo amor
que um dia me fazia ficar.
Talvez ainda exista carinho,
talvez ainda exista lembrança,
talvez nosso amor tenha apenas
se transformado em memória.
Mas ficar onde o amor permanece vivo,
enquanto as raízes se tornaram sufocantes,
é viver um luto
que nunca encontra o enterro.
Eu não quero destruir
o que fomos.
Ao contrário,
partindo, quero guardar
o que houve de mais bonito entre nós.
Nosso castelo de memórias
não precisa desmoronar
só porque eu preciso partir.
Ele permanecerá de pé
dentro de mim,
com as nossas risadas,
os nossos abraços,
os sonhos que um dia construímos
e tudo aquilo que, apesar do fim,
foi verdadeiro.
Desculpa, querido,
mas eu já não posso ficar
em um lugar onde não estou mais florescendo.
Não quero continuar
apenas por medo da partida.
Não quero me perder
tentando permanecer.
Às vezes, amar também é saber ir embora.
E talvez esta seja
a parte mais dolorosa do amor:
olhar para alguém que ainda amamos
e compreender que,
para continuarmos existindo,
precisamos seguir caminhos diferentes.
Eu parto levando comigo
a certeza de que você fez parte
da minha história.
E, onde quer que eu esteja,
nosso castelo de memórias
continuará guardado.
Porque algumas histórias terminam,
mas nunca deixam de ter existido.
Eu só preciso partir.
Porque eu já não posso mais ficar.
Pisou descalça em mim
Limpei teus pés
Calçou-se em peso
Já não sirvo mais
Não mais sou o que para ti fui um dia
Talvez nunca tenha sido
Doei-me por inteiro a algo que, de repente, já não significava mais nada. Aceitei o silêncio; ele não me feriu tanto quanto imaginei.
Mas ser esquecido por aqueles que um dia caminharam ao meu lado... essa foi a cicatriz mais profunda.
Ainda assim, não endureci. Tornei-me mais forte sem abandonar a gentileza, mais firme sem perder a humildade. Aprendi que cada coração trava batalhas invisíveis e que, muitas vezes, o abandono nasce da fraqueza de quem parte, não da insuficiência de quem permanece.
Por isso sigo adiante: com as marcas do esquecimento, mas sem permitir que elas roubem de mim a compaixão.
“Eu já não tinha mais esperança no amor…
Mas você chegou como uma brisa suave.
Entrou devagar na minha vida.
E, quando percebi;
eu já estava inteiro, vulnerável, entregue e sonhando acordado com um futuro ao seu lado.”
- Priscila de Araújo
Deus preparou algo que mudou completamente a minha vida.
Quando eu já não acreditava mais, quando dentro de mim só havia medo, Ele me surpreendeu… e foi através de você, Guilherme.
Você chegou como resposta de oração, trazendo esperança onde havia silêncio, luz onde havia feridas. Deus te usou para tocar lugares tão profundos em mim que, muitas vezes, nem eu sabia que ainda doíam. E com paciência, amor e temor ao Senhor, você foi instrumento de cura.
Você é exemplo.
É um amor que não nasceu da terra, mas veio do céu.
Como marido, você me apresentou um amor que vem do alto: um lar firmado na fé, na paz e na oração.
Todas as noites, quando você ora por nós e nos ensina a Palavra, meu coração entende o cuidado de Deus em cada detalhe. Quando eu olho para você, eu vejo a fidelidade do Senhor se manifestando na minha história.
Obrigada, meu amor.
Você é resposta, é promessa cumprida, é abraço de Deus na minha vida.
MiriamLeal
A dor já não me define, me informa, ela sinaliza o que cuidar e o que transformar, não mais sou refém do que passou.
A fé não resolve tudo, mas resolve o que mais importa, a guerra dentro de mim, sem ela eu já teria desabado, com ela eu renasço.
Não temo mais minhas falhas, elas moldaram minha identidade, sei onde piso porque já caí lá, sei quem sou porque me quebrei, e sei o que quero porque sobrevivi.
A solidão me afinou como instrumento, hoje toco minha vida com mais harmonia, já não desafino tanto, já não me perco nas notas, sou melodia própria.
Estive entre ossos secos e almas já sem brilho, um cemitério de olhos que não mais ardia. Corvos pousavam nas minhas falhas, cravando olhares como pregos, aguardando o instante em que eu iria finalmente ceder. O vento cheirava a metal e pó, passos distantes soavam como facas nas paredes do peito. Como um carvalho retorcido pela tormenta, segurei o que restava de mim. Juntei raízes como dedos enegrecidos, afundei-os na terra estilhaçada e bebi, com avareza, o pingo de água que sobrava. A umidade tinha gosto de lembrança e sangue seco. Numa fenda da planície estéril, meu cárcere aberto ao sol, apareceu uma lâmina tão pequena que quase se escondia, uma promessa miúda, de luz, como se a aurora tivesse voltado com as unhas quebradas.
Cada fibra do meu corpo lutava contra o esquecimento, contra a areia que roçava os tendões e tentava sepultar a centelha final. A areia não era neutra: sibilava, entrava pelas gengivas, raspava a língua. Sobreviver não bastava. Havia que coagular a dor, transformá-la: o peso da solidão, o sussurro venenoso da desistência, tudo virou húmus amargo para uma vontade que recusava morrer.
O solo rachado não ofereceu descanso, ofereceu lições. Rachaduras cuspiam pó que cheirava a ossos e foi nelas que aprendi a perfurar, a furar a crosta do desespero com unhas encravadas. Busquei, com um fervor áspero, uma nascente que se escondia debaixo do olhar dos mortos, uma força profunda, mútua com a escuridão, que não se entrega ao alcance.
As sombras permaneceram comigo, não como inimigas, mas como mapas invertidos: eram faróis que apontavam para onde eu jamais devia olhar de novo. E então, o tronco que antes dobrava sob o sopro do mundo começou a endireitar, não por graça, mas por insistência, por teimosia sórdida. Mesmo naquele deserto que parecia ter consumido até a fé, a vida voltou, torta e obstinada, rasgando a casca do nada para cuspir, por um instante, seu próprio clarão, sujo, ferido, impossível de apagar.
Há uma diferença entre estar vivo e estar consciente da vida, e eu já não consigo mais separar os dois, porque cada instante carrega uma análise implícita, e, nesse excesso de lucidez, a simplicidade se tornou inacessível.
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