Invisível
Quando entendermos que o amor é uma luz que nos envolve como um véu invisível, estaremos prontos para vivê-lo intensamente.
A beleza se encontra nas profundezas do além. Para encontrá-la é necessário ultrapassar o invisível véu das incertezas.
Deus
é a suprema evidência
que sapiente, inspiradora,
se permite invisível;
sobrevindo como um memorável
desafio a cada Ser vivente
em resplandecê-la
em si mesmo!
Num mundo onde as aparências ainda prevalecem, prefiro continuar sendo o careta invisível aos olhos ignorantes.
Reaja e remova de você todas as escamas que te impedem de ver o invisível e entender a Palavra. Que possamos discernir o inimigo da nossa alma.
Solidao
Num amplexo invisivel
Circundaste-me
Num beijo morno,afugast na imensidao da tortura
Meus inocents dsejos
Nos passaros q entoam hinos d'amor
Ja nao encontro neles razao pra um granulo d riso semear
Pois so dor tudo esta gdd germinar
O impossível,
o inatingível...
o invisível
torna visível.
Acreditar,
apostar,
esperar,
ganhar.
Ao que tem fé
Deus não vai desapontar
fique em pé...
o que é seu já vai chegar.
Não se pode ver
O fim é invisível
Ele está presente
Mas não se houve
Muito menos se vê.
O fim está nos gestos
Está nos beijos
E também nos abraços.
O fim está no cotidiano
No que não se sente
Naquilo que causa desprezo
E no que causa ânsia.
O fim está no corpo adormecido
Na falta da vontade
Na falta do desejo
Do que quer a carne.
O fim está presente
Basta olhar ao redor
E nada enxergar
Sentir-se ausente.
Fora do ar
Fora de si
Não entender o não
Muito menos o sim.
DA GÊNESE INVISÍVEL DO VERSO.
Antes do primeiro poeta, já havia silêncio.
E o silêncio não era vazio. Era potência.
A palavra não começou na boca humana. Ela começou na necessidade metafísica de significar o mundo. Quando o primeiro ser consciente contemplou o céu e sentiu a vertigem do infinito, ali germinou o germe do poema. O verso nasce no assombro. Nasce da insuficiência da prosa diante do mistério.
A linguagem ordinária organiza. A linguagem poética revela. Por isso o poema não é invenção arbitrária, mas emergência. Ele irrompe quando a realidade excede os limites do discurso comum. Surge quando o espírito percebe que há algo que não pode ser dito diretamente, mas apenas insinuado.
A tradição sempre intuiu que o poeta não cria do nada. Ele participa de uma corrente anterior. Na Antiguidade, falava-se em inspiração. Não como superstição, mas como reconhecimento de que a consciência individual é atravessada por conteúdos que a ultrapassam. O poeta é médium da memória cultural. É intérprete de uma herança invisível.
O útero simbólico de onde procedem os poemas é a própria história do espírito humano. Cada geração deposita ali seus temores, seus êxtases, suas quedas e suas redenções. O escritor que nasce em determinado século não começa em branco. Ele herda mitos, ritmos, arquétipos, formas. Ao escrever, ele reorganiza esse patrimônio.
Sob a perspectiva psicológica, o verso é condensação de experiências arcaicas. Sob a perspectiva metafísica, é atualização de princípios permanentes. A imagem do útero mantém-se rigorosa. Há concepção, há gestação, há parto. O poema exige maturação interior. O precipitado é apenas discurso ornamentado. O verdadeiro verso é aquele que atravessou a noite da consciência.
A continuidade entre escritores não é mera influência externa. É consonância estrutural. Quando dois poetas separados por séculos expressam angústias semelhantes, não é coincidência. É a condição humana reiterando-se sob novas circunstâncias históricas. O estro é continuidade do humano diante do enigma.
Não há criação autêntica sem humildade diante da tradição. A ruptura que ignora o passado empobrece-se. A inovação legítima é transformação, não negação. O novo que possui densidade é aquele que conhece suas raízes. A árvore que despreza o solo seca-se.
Assim, o metapoema reconhece sua própria origem e ultrapassa-se pelas entranhas permissivas de quem é leitor e criador . Ele sabe que fala de si mesmo enquanto se produz. Ele assume que sua voz carrega ecos. Não reivindica isolamento. Reconhece-se como elo de uma cadeia que começou antes e continuará depois.
O ponto final não encerra o processo. Ele apenas delimita uma forma provisória. O silêncio que o sucede já contém o germe do próximo verso.
E é nesse ciclo ininterrupto que a poesia se mantém como testemunho da grandeza e da fragilidade humanas, perpetuando-se como chama que não consome apenas papel, mas ilumina consciências através dos séculos.
