Instante
Viver no agora, não é reduzir a vida ao instante, mas aceitar que é somente no instante que a vida pode ser transformada.
É um acto de reconciliação com a própria alma e com o tempo.
Quando duas almas se cruzam é sempre um instante absoluto, rápido demais para o tempo, fundo demais para o esquecimento.
As pegadas da alma não são rasto nem luz: são o instante em que o ser se desfaz do próprio peso e se torna apenas vibração.
A Cartografia do Instante
Perguntaram-me qual seria a jornada mais incrível;
eu, que ando pelos caminhos da insciência absoluta,
recusei os mapas grandiosos e os destinos barulhentos.
A verdadeira aventura não desafia os abismos do mundo;
ela reside no milagre de desarmar o tempo,
ao lado da companhia que escolhi para dividir o silêncio.
Caminhar sem rumo por um solo belo e desconhecido,
onde os relógios não têm poder sobre os nossos passos;
viver sem a pressa que adoece o espírito,
sem o peso das expectativas que inventam miragens.
Apenas a vivência pura, o instante que se faz carne,
seja no sabor de um prato simples,
seja no contorno manso de uma paisagem que se descobre.
Há uma melancolia mansa em saber que tudo passa;
as lembranças que construímos são a nossa única âncora.
Mas quando cada gesto é desenhado pela verdade,
e cada olhar carrega a pureza da sinceridade,
o mundo imenso e ruidoso deixa de importar.
O horizonte inteiro se resume àquele espaço calmo...
onde a vida acontece sem precisar de explicação.
... se os primatas,
mesmo que por um instante,
experimentassem o tédio, saberiam
o que é ser um homem; e, portanto,
entenderiam que sentimentos como o
tédio, bem mais do que uma sensação
de cansaço, significam uma precária
percepção do próprio
valor!
O WhatsApp, esse néctar digital que adoça o instante com um toque, revela-se veneno lento quando as mensagens não lidas se acumulam como fantasmas no bolso. Elas piscam como promessas de conexão, liberando dopamina — o prazer fugaz do cérebro viciado em recompensas instantâneas. No Brasil, onde quase todos os smartphones trocam mensagens diárias, esse ciclo vira prisão: ansiedade explode ao ver o "visto" sem resposta, corroendo laços que pareciam eternos. É o doce que paralisa, transformando amigos em sombras acusadoras. Acumular "não lidas" sinaliza esgotamento ou fobia digital — medo de más notícias, cobranças ou o peso de responder. Em relacionamentos, vira abismo: brigas por áudios longos ou silêncios interpretados como rejeição esfriam o afeto, piorando o que o app prometia aproximar. O veneno infiltra-se devagar, isolando na multidão conectada. Estabeleça limites: desative notificações à noite, priorize conversas reais. Psicólogos tratam isso como vício, ecoando dependência de smartphones. Viva além da tela.
Pare um instante e sente isso comigo: o peso da miséria que esmaga sonhos, a fome que rouba infâncias, as desigualdades que nos separam como abismos, e guerras entre nações que nascem de brigas pequenas e viram herança de ódio eterno. Meu coração grita sim: precisamos lutar contra isso tudo. Não com palavras vazias, mas com a força de quem sente na pele que o sofrimento do outro é o nosso também. Calar é conivência; agir é humanidade pura. Pensa na miséria e na fome primeiro, que doem fundo. Famílias contando migalhas pro jantar, crianças com olhos vazios de esperança — isso parte a alma. Lutar significa dividir o pão, criar empregos dignos, educação pra todos. Desigualdades acabam quando estendemos a mão, construindo pontes de solidariedade. E as guerras? Que dor... Começam com disputas tolas — terra, poder — e se eternizam, pai passando trauma pro filho. Oriente Médio, Ucrânia: rios de lágrimas, mães sem filhos. Mas dá pra parar: com diálogo sincero, trocando ódio por paz. Histórias mostram que negociações salvam mundos, rompem ciclos viciosos. Precisamos disso agora, pra herdar abraços, não cicatrizes.
O descanso da alma é o instante em que o coração suspende o peso do mundo e se deita à sombra de si mesmo, onde o cansaço vira prece e o tempo vira paz.
Nossa maior dificuldade, é sermos nós mesmos, pois a cada instante nos tentam colocar outro ser dentro de nós.
Gélson Pessoa
Santo Antônio do Salto da Onça RN
14/08/2026
O desgosto é o instante em que a alma descobre a fragilidade das expectativas.
Ele não nasce do mundo, mas da distância entre o que imaginamos e o que acontece. É um convite abrupto para olhar a vida sem as cores que pintamos nela.
O desgosto é um mestre duro:
mostra que nada é permanente, nem mesmo a alegria;
revela que o outro não pertence às nossas certezas;
recorda que o coração, por mais forte que seja, ainda é casa de delicadezas.
Ele desmonta ilusões, mas ao mesmo tempo amplia a visão.
No desconforto do desgosto, percebemos que a existência não é feita apenas de plenitude —
é feita de contrastes.
Sem o gosto amargo, não haveria clareza suficiente para distinguir o doce.
Paradoxalmente, o desgosto é também uma forma de despertar.
Ele corta, mas abre espaço.
Ele pesa, mas educa.
Ele derruba, mas deixa o terreno limpo para algo novo crescer.
Por isso, filosoficamente, o desgosto não é inimigo, mas um visitante incômodo que nos obriga a reorganizar a própria alma —
e a reconhecer que viver é aprender a renascer mesmo quando aquilo que amávamos desaba dentro de nós.
O meu lar não tem paredes, nem janelas abertas para o vento.
Ele se faz lar no instante em que o teu toque toca a minha pele com amor.
É no calor da tuas mãos que repousa a minha paz, é no contorno dos teus dedos que reconheço cada parte de mim.
E se um dia me perguntarem onde moro, eu apenas direi:
— É no toque das tuas mãos,
onde tudo em mim encontra abrigo.
Você já se divertiu em um parque de diversões, onde ninguém sabe seu nome, e por um instante o mundo esquece sua história, e você também?
A vida é uma fruta.
Saboreie!
Morda o instante,
deixe o suco correr,
não economize doçura...
A vida é uma fruta.
Saboreie!
Morda o instante
e deixe o suco doce do agora
tocar seu paladar...
A vida é uma fruta madura
que escorre pelos dedos
antes mesmo da gente perceber.
Saboreie sem pudor,
rasgue a casca,
morda com fome,
deixe o caldo manchar tudo,
pois viver é essa lambança bela
que não se lava nunca...
A vida é uma fruta que repousa
entre as mãos que a acolhem.
Saboreie devagar,
como quem escuta o silêncio
do próprio coração.
Cada mordida é um instante que se abre,
um perfume que se desprende,
um gesto de ternura com o tempo...
✍©️@MiriamDaCosta
Os sonhos não dormem e nem morrem,
apenas aguardam, em silêncio,
o instante em que a tua alma desperte
e teus passos os chamem para dançar...
Eles se escondem nas frestas do tempo,
respiram dentro do teu peito,
sussurram na tua sombra,
esperando que a tua coragem
lhes devolva o corpo da vida...
Porque sonhos são sementes eternas,
que mesmo soterrados e esquecidos,
guardam em si a fúria da primavera....
✍©️@MiriamDaCosta
Delirium
Para os corações
que nunca envelhecem.
Apenas esqueça,
por um instante,
que ainda sabe florescer.
A vida tem um estranho costume:
quando pensar ter aprendido
todos os caminhos,
Abra uma porta
Naquele lugar onde existe apenas parede.
Não se preocupe
De repente,
o mundo inteiro irá caber
na delicadeza do seu sorriso,
na gentileza de sua palavra,
na certeza de que ainda existe
beleza esperando por te.
Não é fraqueza
recomeçar.
O rio não pede desculpas
por continuar correndo,
nem a manhã
por nascer outra vez.
Tudo o que viveu
carrega dentro de si
o dom secreto
de renascer.
Talvez a esperança
não seja uma promessa.
Talvez seja apenas
a voz silenciosa da sua alma
lembrando que a luz
nunca deixou de existir—
ela apenas esperava
o teu coração
abrir aquela porta, se Lembra ?
