Inquieta
A carga tributária abafa nossos sonhos, nos tira o lazer, inquieta o futuro. A carga política e jurídica nos fazem descrentes.
«Se um morto se inquieta tanto, a morte não é sossego, Não há sossego no mundo, nem para os mortos nem para os vivos, Então onde está a diferença entre uns e outros, A diferença é uma só, os vivos ainda têm tempo, mas o mesmo tempo lho vai acabando, para dizerem a palavra, para fazerem o gesto, Que gesto, que palavra, Não sei, morre-se de não a ter dito, morre-se de não o ter feito, é disso que se morre».
As palavras têm poder!
Escrever me inspira,
fascina, seduz,
e às vezes,
inquieta e angustia!
Verdadeiramente,
é uma força mágica
que me realiza e alegra!
Surdina (em Alma Inquieta)
No ar sossegado um sino canta,
Um sino canta no ar sombrio...
Pálida, Vénus se levanta...
Que frio!
Um sino canta. O campanário
Longe, entre névoas, aparece...
Sino, que cantas solitário,
Que quer dizer a tua prece?
Que frio! embuçam-se as colinas;
Chora, correndo, a água do rio;
E o céu se cobre de neblinas...
Que frio!
Ninguém... A estrada, ampla e silente,
Sem caminhantes, adormece...
Sino, que cantas docemente,
Que quer dizer a tua prece?
Que medo pânico me aperta
O coração triste e vazio!
Que esperas mais, alma deserta?
Que frio!
Já tanto amei! já sofri tanto!
Olhos, por que inda estais molhados?
Por que é que choro, a ouvir-te o canto,
Sino que dobras a finados?
Trevas, caí! que o dia é morto!
Morre também, sonho erradio!
- A morte é o último conforto...
Que frio!
Pobres amores, sem destino,
Soltos ao vento, e dizimados!
Inda voz choro... E, como um sino,
Meu coração dobra a finados.
E com que mágoa o sino canta
No ar sossegado, no ar sombrio!
- Pálida, Vénus se levanta...
Que frio!
Noite chuvosa e fria, alma inquieta . No silêncio da noite,
Encontro a paz de que preciso,
Para alimentar os meus sonhos,
devaneios e meus delírios.Está tudo tão escuro parece até que as estrelas não existem, a companhia solitária da noite me trás lembranças que levam minha mente e imaginação para outros lugares. Viajei para minha juventude ela estava encantada em terras verdes entre vales e montanhas lá tinha uma bela mulher a muito conhecida que tocava piano em compassos delicados e espiritualizados, Olhei seu belo rosto, onde o seu sorriso era composto e regado a um tom misterioso. Será que o mundo está a me testar ? Será que tenho a chance da ilusão de esquecer por um segundo essa pobre solidão.
Hoje, sorrateiramente, venho escrever sobre algo que nos inquieta, da dor iminente que nos assola e nos isola em uma bolha. Falar do luto, automaticamente, nos remete a perdas e as suas formas de morrer. Não estamos preparados para quando isso chegar a acontecer, talvez nunca estejamos. Do luto que falo agora, prevejo, renego, não aceito, mas acolho inevitavelmente como aquele que acolhe um sorriso. Neste momento, brindo com a morte que chega de mansinho e, amigavelmente, ecoa da sua boca que ainda não é o tempo. Enquanto o tempo não chega... bailamos! brindamos! proseamos! flertamos! Flertar com a morte é saber o quão insignificante é essa passagem por aqui, principalmente se você não tiver vivido tudo àquilo que você sempre quis ou pensou. A cada brinde, a cada drink: um salve! salve salve! A morte, este momento obscuro que sempre atormentou e assolou a humanidade, também nos traz boas novas. Tim, tim! Dessa vez o brinde foi à morte concreta, de fato. O que dizer dela... aqui se findou uma etapa, a outra que se inicia não ouso falar, pois seria enorme audácia da minha parte, até. Tim, tim! Dessa vez o brinde foi à morte simbólica, perfeito! Todos os dias morremos em algo para que possamos renascer e viver àquilo que desejamos. Talvez a morte simbólica nos permeie durante toda a existência e, brindamos dia após dia sem percebermos. Tim, tim! Este brinde é para a morte que está acontecendo neste exato momento em você. O que tens matado e, por conseguinte, deixou viver logo após? O que está nascendo em você, viverá ou morrerá? Ou será apenas mais uma morte inevitável nesta vasta imensidão do que é viver? Viver é um constante morrer infinito. Cá entre nós... que texto fúnebre que me deu vida! Uma lágrima de esperança escapou dos meus olhos e começo a pensar: e se não morrermos diariamente, que sentido terá a vida? Um brinde àquilo que renasceu!
onde tudo vejo e me escondo
a realidade quente
queima
deixa marca
inquieta meu coracao
lembra-me de tudo que nao foi
lembra-me de como eu não estou completo
os meus cuidados foram poucos
os meus passos errados quase me mataram
Agora, vou andar despercebidamente.
Sem deixar rastros para não ser seguido
pregado em mim, todas as marcas das insatisfação
grudadas em minha alma
"As Horas"
Tic tac as horas não passam, meu corpo anda cansado, minha mente inquieta...
as coisas vem mudando constantemente e em questão de segundos nada mais é o que era...
neste mundo louco sistemático temos de nos virar como dá,
se esquivando e contorcendo-se...
caso contrário estaremos vivendo as margens da sociedade automatizada
que vem crescendo de forma desordenada e caótica,
recrutando cada vez mais discípulos para seu exército de cabeças programadas.
Atordoados de tantas responsabilidades e preocupações,
esquecemos-nos de origens e princípios,
numa era em que rapidez e praticidade falam mais alto que o tão cobiçado e original " faça você mesmo."
Vivemos em tempos de respostas pré-cozidas onde quem questiona é rei...
Já é passada a hora de acordarmos para a realidade ou tomarmos conhecimento da real idade,
pois por mais "rápidolento" que o tic e o tac cheguem, eles não deixam de se encontrar
e quando nos damos conta, os nostálgicos sufixos "ia" e "ido" estão presentes na maioria
das frases que deveriam ter sido conjugadas no presente..
O sistema é feito de escolhas, o livre-arbítrio esta ai para quem quiser usa-lo... Usufrua
Ame mais, enxergue mais cores, de mais sentido a coisas rotineiras, isso as tornará mais interessantes,
pare nem que seja por um minuto no sol ou na chuva, sinta na pele, fotossintetize-se,
deixe o vento arrepiar-te, feche mais os olhos em horas que não sejam as de sono...
Brinque, sorria, chore, emocione-se, AME,(-se) incondicionalmente, e acima de tudo divirta-se...
Afinal esta nas mãos de cada um escolher o rumo, a frequência e a intensidade que cada ponteiro do relógio ira seguir...
Sempre acordo com a alma inquieta... com vontade de ver o mundo palpitando em emoções e controvérsias para que eu consiga captar e extrair de tudo afagos literais que acalma e acarinha o desejo pelo sonho que se concretiza na praticidade subjetiva da vida.
A insônia - essa loba triste - anda tão inquieta e curiosa que mal dormiu, já pulou da cama e anda por aí.. a ladrar nos muros da cidade..
Mergulho em sonhos
Minha imaginação se liberta
fico inquieta e deprimida
No entanto é
como algo dentro de mim
querendo cantar
Paralelos...
Havia em mim uma presença inquieta
Uma criança alegre e sem limites
Sem fronteiras entre alegria e desejos
Sem argumentos para justificar quereres
Criança à moda de meu tempo de menino
Boa de meia, pega-pega, esconde-esconde
Sorriso largo, temente, obediente a meu pai
Tinha meus castelos, meu alazão, um conde
Não haviam temores e era eu meu herói
Minha espada, salvadora, forjada em aço e fé
Era temida por espadachins e arqueiros
Guerreiros de outras cidades e muitos reinos
No universo de minhas aventuras
Haviam donzelas em perigo
Alcateias a vagar pelas florestas
Um lago a circundar meu alcácer
Mas sempre a realidade bate à porta
Me chama à razão e me trás de volta
Abandono o sonhar da fantasia
Volto a pisar em terras de gente adulta
Boa noite
Que a paz se espalhe devagarinho
e acalme o que ainda inquieta por dentro.
Que a esperança de dias melhores
não nos falte nunca —
e more com leveza dentro do peito.
— Edna de Andrade
@coisasqueeusei.edna
A escolha
Mente inquieta, palpita o coração
Um turbilhão de pensamentos
Cheio de dúvidas e incertezas
Passando em segundos de momentos
O filme se repete sem um fim
Como uma pintura inacabada
As idéias aparecem, mas não ficam
Falta tinta no pincel dessa mente agitada
Uma atitude, uma escolha de vida
Decidir não escolher é uma escolha
O rumo seguirá o fluxo do rio
Sem leme, sem âncora, na mesma bolha
Esperar não é a solução
Escolher poderia ser mais fácil
Se não fosse o medo da escolha
Não feita num momento difícil
Tempo para escolher o que fazer
Desperdiçado na escolha não feita
Tempo para viver desta escolha
Acaba, para mente que não aceita
