Indiretas de amor: demonstre interesse com sutileza 😉

LIVRE PARA GRITAR

DemĂ©trio Sena, MagĂ© – RJ.

Hoje falo de amor; abertamente;
sem temores; nĂŁo conto atĂ© nem trĂȘs,
pois nĂŁo sou candidato a presidente;
nĂŁo preciso dos votos de vocĂȘs...

Meus direitos, os seus, a nossa vez,
igualdade, respeito a toda gente,
qualquer gĂȘnero, crença, classe ou tez,
porque nunca serei seu presidente...

Sofrerei muitas perdas, muitos danos
ao gritar por direitos, bens humanos,
mas assumo esse risco Ă  minha frente...

Somos tĂŁo diferentes quanto iguais;
vim dizer servidĂŁo pra nunca mais,
pois nĂŁo sou candidato a presidente...

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AO AMOR

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Eu vou direto
ao amor...
Sem atalhos;
truques; freios.
Porque nĂŁo sou
do tipo
que faz "odeios".

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SAUDADE FURTIVA

DemĂ©trio Sena, MagĂ© – RJ.

Fui seu algo acessível por faltar alguém;
um amor provisĂłrio, improviso afetivo;
fiz um bem quando a vida lhe fazia mal,
dei motivo e sentido pro seu prosseguir...
A carĂȘncia me achou e me adequou Ă  sua
que me teve nos flancos dessa solidĂŁo,
dei a lua que a noite pedia em suÂŽalma
e servi a paixĂŁo que seu corpo queria...
Fomos algo arranjado por nosso destino;
uma data festiva que se fez cumprir,
um abrir qualquer chĂŁo e semear momentos...
VocĂȘ foi o que fui, mas com menos verdade,
tanto foi que a saudade me viu por aqui,
numa hora improvĂĄvel pra me torturar...

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APELOS MODESTOS

DemĂ©trio Sena, MagĂ© – RJ.

Quem tiver um amor sobrando aĂȘ,
uma sobra de afeto – qualquer um,
qualquer prisma, soslaio dum olhar,
venha ver quanto bem lhe faço em troca...
Serei grato por gestos e palavras,
por afagos discretos nos cabelos,
minha lavra de sonhos e carĂȘncias
tem apelos modestos e sutis...
Eu aceito até beijo em minha testa;
faço festa por mão mais generosa
e não vou exigir além da conta...
Tenho tempo; quem sabe lhe seduzo,
mas me privo de abuso e peço aĂȘ,
sua esmola de afeto inicial...

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DIA DE...

DemĂ©trio Sena, MagĂ© – RJ.

É dia do abraço,
do amor e da paz...
e do perdĂŁo.
NĂŁo acredite,
se o seu calendĂĄrio
disser que nĂŁo.

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CAMINHÃO

DemĂ©trio Sena, MagĂ© – RJ.

Dei amor de SĂŁo Cosme e DamiĂŁo,
nas esquinas do sonho e da esperança,
mas de sĂłlido tive a solidĂŁo
que me pÎs pra rodar na sua dança...

Tenho tanta saudade como herança;
sob minha couraça, o coração;
ele faz que se ajusta, mas alcança
os estågios mais fundos da emoção...

Pago todos os preços do que fiz,
dou meu jeito sem jeito e sou feliz,
apesar das arrobas dos pesares...

Transformei o caminho em caminhĂŁo;
é assim que atropelo a frustração
e minhÂŽalma se banha doutros ares...

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TODO AMOR

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Odiei como pude, as paixÔes que não quis,
quando novos olhares cruzaram meus rumos;
fui feliz de pirraça, quando não contive
os impulsos de fuga da felicidade...
Qualquer paz que se perde se perdeu em mim,
cada fim que se tem recomeçou do nada,
pra mostrar que nĂŁo tenho controle dos meios
nem os freios e jatos do mundo e do tempo...
JĂĄ travei qualquer guerra que viver declara,
tive calma e tensĂŁo que nĂŁo quero de novo,
fui a clara, fui gema e fui muito batido...
Toda forma de sonho, esperança e verdade
me crivou de saudade, lembrança e cansaço;
todo amor que se tem jĂĄ passou por meus dutos...

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CORAÇÃO VIOLADO

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Dei amor que nĂŁo tive ou tive sĂł pra dar,
minha dor foi mentir com tal sinceridade,
por amar como preço e com peso de cruz,
construir a verdade que jamais foi minha...
Fiz amor que nĂŁo era, tive o compromisso
do prazer que devia e nĂŁo pude negar,
ser omisso e distante pra tanta presença
e pra tal promissĂłria estendida pra mim...
Fui tĂŁo seu e nĂŁo fui nos recantos mais meus,
um adeus latejava me cobrando ação,
porque meu coração não batia por nós...
Quis amar e meu erro foi querer sentir
pela força do quanto me fiz devedor,
o amor nĂŁo Ă© verso em letras cambiais...

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JANELA DE AMOR

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Somos mais do que flanco entre nossas vontades;
do que margens opostas nos dizem que somos;
temos nossas verdades atadas por sonhos
ou de sonhos tecemos a ponte pra nĂłs...
O amor que sentimos tem asas potentes;
Ă© a mĂĄgica, o truque, o encanto exercido;
nossos dentes nos pescam no rio do tempo
que desĂĄgua nas ondas do nosso querer...
Eu te caço e me caças com fogo nos olhos,
com a pele grudada na grelha do instinto,
vinho tinto na carne tremendo entre a mĂŁo...
Entre vozes uivantes nos temos em nĂłs;
nossa foz vai ao chĂŁo, engravida o vazio
e acende o pavio para novo incĂȘndio...

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O ECO

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Foi amor infinito; sei que sim,
mesmo havendo ficado no caminho;
teve um fim que nĂŁo teve, porque Ă©
um espinho florido na saudade...
Seus efeitos ficaram no meu ser;
nas lembranças que a mente quase toca;
numa toca secreta nas entranhas,
no viver entre os panos do passado...
É amor que disfarça que se foi,
pra que o tempo nĂŁo ache o ponto fraco;
nĂŁo aumente o buraco entre nĂłs dois...
Fomos tudo que ainda sou por nĂłs,
trago a voz das promessas que trocamos
e a faço ecoar no meu silĂȘncio...

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MAPA DA MINA

Demétrio Sena

Tenho amor de reserva, um bom montante
que poupei desde os dias de menino;
fui errante afetivo e me guardava
sob a vasta incerteza de respostas...
Trago em minha colmeia o mel mais denso;
mais curtido e secreto; sertanejo;
meu desejo é dulçor que também arde
num imenso tonel de solidĂŁo...
Guardo anseios, lembranças, nostalgias,
dias tristes de sonhos desmentidos,
de abandono e de muita indecisĂŁo...
Sob tantas feridas, tanto amor;
uma grande barragem de sentidos;
bom humor que tirei das prĂłprias mĂĄgoas...

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POR MAIS NINGUÉM

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Nunca tive um amor antes de ti
ou durante; nem quando achei que sim;
nem no fim temporĂĄrio da razĂŁo
que alugou meus sentidos embotados...
Tive muitas vontades mundo adentro,
bebi muitas quimeras tempo afora,
fiz mais hora que amor, quando nĂŁo fiz
em teus braços, meu ninho natural...
Procurei o teu rosto em outras caras,
outras taras nĂŁo tinham tua essĂȘncia,
paciĂȘncia; tentei; nĂŁo fui feliz...
Nossos dias grisalhos me remoçam;
minha casa, meu mundo sĂŁo em ti;
não senti este amor por mais ninguém...

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POEMAS DE AMOR

DemĂ©trio Sena, MagĂ© – RJ.

Um poema de amor nĂŁo Ă© bula de Afrin
nem Ă© cĂĄlculo quĂ­mico; nem TCC,
mas um fim de tardinha; de noite ou de festa;
Ă© um eu e vocĂȘ sob a luz do luar...
NĂŁo exija um poema, de amor ou saudade,
com projeto e critério; tabela e charada;
leia menos Demétrio, mais Antonio Sena,
para ter a verdade com seiva floral...
HĂĄ poema de amor que parece tratado
ou achado difĂ­cil de se decifrar
e se torna monturo sem nenhum sentido...
EmoçÔes que decantam verdades de amor
tĂȘm humor e tristeza que se poetizam,
mas ninguém as garimpa sem ser natural...

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O AMOR NÃO TEM PREÇO

DemĂ©trio Sena, MagĂ© – RJ.

Ela pode somar dez mil defeitos;
tenho tantos, que devem ser o dobro;
sou salobro, ranzinza, trago espinhos
que me tornam difícil de abraçar...
Pode ser até fã do presidente,
não achar que o “juiz” foi desonesto,
ser ardente, fiel, cantar louvores
pros herĂłis da carĂȘncia nacional...
A paixĂŁo me cegou pra tudo isso,
é ouriço-cacheiro a porco-espinho,
deve haver uma bula pra dar certo...
Ela pode fazer sinais de arminhas;
tenho minhas loucuras; reconheço,
e amar não tem preço nem padrão...

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CAMINHOS DO AMOR

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Uma troca de opostos e recusas
que se aceitam no vĂŁo das oponĂȘncias,
desafiam dormĂȘncias e silĂȘncios
latejantes na sombra do querer...
O amor das impossibilidades,
dos carinhos com farpas e faĂ­scas,
com verdades que tentam se ferir
em um ringue de abraços disfarçados...
Eis o ponto em que nossas diferenças
podem ter semelhanças decisivas,
fontes vivas de sonhos em comum...
Descaminhos se cruzam no vazio
e vazios preenchem um ao outro,
sobre o fio que logo serĂĄ ponte...

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REFLOR

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Um amor vem distante; jĂĄ consigo ver;
uma brisa me beija e fica seu aroma;
minha soma de vidas revela o que sinto,
jĂĄ no broto que mama no seio do tempo...
A minh'alma grisalha teme o verde amor,
um orvalho me cobre de sonhos dormentes,
vejo dentes-de-leite na boca do espaço
e a flor dos anseios estĂĄ no botĂŁo...
Mas também me conheço e me vejo sofrer
até ver que o que tenho são muitas lembranças
e serĂŁo de saudades as outras vivĂȘncias...
Quanto menos tiver pra recordar no fim
serĂĄ menos em mim pra secar e ruir
ou morrer de morrer de sentir novas dores...

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QUASE AMOR

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Pelas vias do velho quase amor,
quase tudo Ă© viĂĄvel; permitido;
tudo ganha sentido e condição,
ganha cor que o momento justifica...
Muitos quases permeiam nossos passos,
vĂȘm Ă  tona e desenham seus contornos,
nossos braços provocam nossas mãos
e as línguas desenham confissÔes...
Quase amor Ă© o amor por se fazer,
o prazer a caminho, em modo espera,
um fazer atrelado ao jamais feito...
HĂĄ nas vias banais do velho quase,
uma base de amor acomodado
em silĂȘncios eivados de palavras...

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DO AMOR DESAVISADO

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Quem jå viu coração raciocinar
e conter o seu corpo jĂĄ rendido,
desmentir o cupido e dar Ă  mente
a razĂŁo que da mesma se perdeu?
NĂŁo existe juĂ­zo, se o desejo
se aliou Ă  latĂȘncia intravenosa,
fez a prosa fugir, cedeu ao verso
que gerou a fogueira da paixĂŁo...
Nem hå solo pros pés de quem caiu
entre as teias do amor desavisado,
o pecado evitĂĄvel vira lenda...
Coração não pertence ao corpo tåtil;
sĂł a bomba que serve ao seu desmando
e me flagra te amando sem querer...

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A REESCRITA DO AMOR

Demétrio Sena

O amor pode achar outra saĂ­da,
quando vĂȘ que o sentido nĂŁo se ajusta,
custa caro viver uma verdade
que faria da vida um peso eterno...
É preciso pensar sobre o sentir,
se nos fere um contexto conturbado,
faz o sonho mentir para si mesmo
como forma disforme de viver...
Nosso amor pode ser desconstruĂ­do
e refeito em essĂȘncia inusitada
que mais nada pudesse contestar...
Poderemos amar sem perda e dano,
sem o cano da culpa em nossa testa,
se mudarmos o texto deste amor...

Inserida por demetriosena

SEM HORIZONTE

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Nosso amor Ă© tardio; veio tĂŁo depois
das pedradas de amores que me calejaram,
do cansaço e do medo que me refizeram;
amarraram meus sonhos em um porto frio...
JĂĄ nĂŁo posso te amar, apesar deste amor
que faria estilhaços de vidas a mais,
criaria um tumor que chegaria em nĂłs
pelos ecos dos gritos deixados no tempo...
O que temos nĂŁo temos, Ă© sonho furtivo,
nĂŁo atrai horizonte senĂŁo por miragem,
Ă© viagem que volta de lugar nenhum...
Eu te amo e me amas, isso nos resume,
nosso amor Ă© cardume na garganta estreita
da baleia encalhada numa praia rasa...

Inserida por demetriosena