Indiretas de amor: demonstre interesse com sutileza đ
O poema real nĂŁo tem poesia,
sentimento esvazia em nossos tanques;
haverĂĄ sempre um novo amor eterno...
Um grande amor não é pó que se espana dŽalma... deixar de amar é um projeto penoso e lento, que muitas vezes traçamos sem sucesso
SĂł a felicidade justifica o viver a dois, e isto sĂł Ă© possĂvel se houver amor na igual medida em ambos os lados. Quando nĂŁo Ă© para ser feliz, de nada vale ao ser humano estar com alguĂ©m.
Esse tal de "atĂ© que a morte nos separe" nĂŁo se restringe Ă natureza fĂsica da questĂŁo afetiva. Ă mais adequado ao sentimento, propriamente. Seremos fiĂ©is aos nossos pares ou cĂŽnjuges na alegria ou na tristeza, na saĂșde ou na doença, na pobreza ou na fartura, e seremos felizes assim, nĂŁo exatamente atĂ© que um dos dois morra... muito menos ambos.
O amor Ă© de fato perecĂvel... Muitas vezes morre antes que nĂłs. Quando isso acontece, jĂĄ nĂŁo vale a pena insistir numa relação que leva o peso e a fedentina de um cadĂĄver... O ex-amor.
ALEGRIA DE AMAR
Todo amor empobrece, nĂŁo resiste,
quando sua função se torna fardo,
tem placar, promissĂłria e dedo em riste;
armadilha; torpedo; bomba; dardo...
Esse laço estå sobre papel pardo
e o presente, no fundo nem existe;
restam mĂĄgoas contadas por um bardo
ao passado, presença vaga e triste...
Quando a dĂșvida paira sobre o dom,
se nem tudo, igual antes, Ă© tĂŁo bom,
certa via desgarra dessa regra...
Repensar Ă© sensato, eis a lisura,
quase sempre a ferida nĂŁo tem cura;
todo amor vale a pena enquanto alegra...
O amor é mesmo eterno... Porém, essa eternidade não nos pertence, mas ao próprio amor. Sendo assim, ele não é vinculado ao tempo de nossas relaçÔes... à um passageiro que tanto quanto embarca, desembarca de nossas vidas quando quer.
Numa era em que a gente
Faz do amor um artigo
Em extinção,
Qualquer bicho é uma espécie
Em distinção.
AMOR GUARDADO
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Fico aqui me dizendo pra falar depois,
quando a minha palavra encontrar teus ouvidos,
que o que sinto Ă© "tĂŁo" puro; tĂŁo ĂĄgua potĂĄvel,
e nĂłs dois transcendemos afetos palpĂĄveis...
Redecoro pra sempre o meu texto suave,
minha clave de sol, de manhĂŁ musical
cujo encanto nĂŁo corta meus nervos e a carne;
sĂł eu sei como corta, mas calo a sangria...
Ă tamanho desejo amarrado ao temor
deste amor que nĂŁo sabe se terĂĄ resposta;
um edema, um tumor, um cĂąncer de sentidos...
Amo além do que a lei de te amar se permite
no paĂs inseguro do meu coração,
na visĂŁo indecisa do que pode ser...
UM AMOR DE VERDADE
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Na saĂșde ou na doença, nĂŁo. SĂł na saĂșde. Na saĂșde afetiva daquele amor que vence as doenças e nem a morte o mata.
Na riqueza ou na pobreza, não. Só na riqueza. Na riqueza de um enlace que não se abate por privaçÔes. Que se autossustenta e permanece forte para superar qualquer fase.
Na alegria ou na tristeza, não. Só na alegria. Na alegria de se ter ao lado a pessoa que reluz. Que faz tudo valer a pena... transforma caos em sonho; medo em esperança.
Um amor de verdade nĂŁo pode ser negativo... tem que ser tudo de bom... tem que ter dom de se renovar.
DOCE ALMA DE FILHA
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Vencido pelo amor de Marcela, Pedro resolveu se cuidar. Filha extremada, Marcela usou de todos os artifĂcios de afeto, para convencer o pai turrĂŁo a procurar tratamento. pedro andou com problemas respiratĂłrios e parece que o coração sempre forte, Ă prova de abalos, decidiu dar sinais de que nĂŁo Ă© de aço.
Sem saĂda e com as velhas desculpas para lĂĄ de gastas, Pedro fez exames; tomou remĂ©dios; fez um bom tratamento. No fim das contas, nĂŁo era mesmo nada tĂŁo grave. Teria sido, se o amor e o desvelo da Marcela nĂŁo o tivessem feito buscar ajuda. Se os olhos atentos de Pedro nĂŁo tivessem mergulhado nas lĂĄgrimas dos olhos tristes de Marcela.
Pedro cuidou dos brĂŽnquios obstruĂdos, para que Marcela respirasse aliviada. Foi ver como estava o seu coração, para sossegar de vez o coração de Marcela. Tratou das dores do velho e duro corpo de pai, para que deixassem de doer na fragilidade, no verdor e nas afliçÔes da doce alma da filha.
DESGASTE AFETIVO
Demétrio Sena, Magé- RJ.
SĂł discuta uma relação de amor pela terceira vez, quem tiver discernimento para saber que a terceira deve ser tambĂ©m a Ășltima vez. Se nĂŁo for assim, nada mais vai valer a pena.
AMOR MAIS OU MENOS
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Ficarei lhe devendo esse amor extremado
que se tem no calor dos primeiros afetos,
mas que logo Ă© passado e se acomoda nÂŽalma,
quando as dores do mundo nos calcificaram...
Hoje posso lhe amar, mas gastei muito fogo,
tive toda paixĂŁo que uma vida concebe,
me perdi nesse jogo e tenho poucas fichas
pra lançar às escuras do que pode ser...
Um amor mais ou menos; cascalhos de sonhos;
uma vida que o tempo arbitrou requentar;
vou me dar no que der pra sentir e viver...
Ficarão na vontade as emoçÔes pendentes,
as miragens e lentes de todas as cores
dos amantes de amores de primeira safra...
O QUE SERĂ
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Sendo amor nĂŁo se guarde nem preserve
a palavra, o calor do sentimento,
faça o vento soprar nos meus ouvidos
o teor do que ferve no seu todo...
Pode ser que nĂŁo ache o mesmo sonho,
meu amor nĂŁo comungue o seu contexto,
mas o texto Ă© mais forte que os olhares;
Ă© a voz que desata qualquer nĂł...
Saberemos de nĂłs ao nos dizermos
e virĂĄ tĂŁo somente o que viria;
sendo amor nĂŁo espere uma certeza...
Sangre o dom, a magia de saber,
desnovele o prazer de sim ou nĂŁo
que liberta e desvenda o que serĂĄ...
MILITĂNCIA DO AMOR
Demétrio Sena, Magé - RJ.
O amor Ă© pretexto pra fazer protesto
contra os restos, as raspas, os lixos humanos
ou as perdas e os danos por faltar amor;
Ă© a flor que diz nĂŁo aos estragos do espinho...
Um poema sentido nos pega de assalto
e nos lança no abismo de nossas questÔes,
nos vomita no asfalto e provoca o poder
de sentirmos a dor que se tem de ser gente...
Cada verso dos versos de quem ama e chora
tem o peso da hora de fazer pensar
que o amor, este sim, Ă© questĂŁo social...
Toda forma de amor nos desperta pro sonho
de acordar todo mundo pro dom de viver
sem a vĂŁ pretensĂŁo de ser dono do mundo.
MEU GRANDE HUMOR
Demétrio Sena, Magé - RJ.
O bom amor que percorre
a luz serena em meu rosto...
meu olho raso de fundo
que seu olhar jamais vĂȘ...
Ă© minha prova diĂĄria
de que nĂŁo perco meu gosto
pela vida e pelo mundo...
nem meu humor por vocĂȘ.
AMOR PRĂPRIO
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Quando sou situado retorno ao meu canto;
me replanto e renasço inteiramente outro,
para quem me acomoda no ponto passivo
do caixote ou da ostra de minhas entranhas...
Se me sinto freado correspondo ao pé,
mesmo tendo certezas; verdades opostas;
tenho fĂ© no bom senso e meus olhos tĂȘm asas
que me levam além do momento e da cena...
Valorizo a palavra, o discurso direto,
quero sempre o contexto sem traços demais,
mas aceito eufemismos; acolho pretextos...
Deixo em paz e nĂŁo travo batalhas no ego;
se me sinto avisado me colho e recuo;
se nĂŁo pode ser duo nĂŁo serĂĄ duelo...
