Indiretas de amor: demonstre interesse com sutileza 😉

AMOR

O amor Ă© a coisa mais lida do mundo.

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PELA REDE SUSTENTÁVEL

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Vou me ater ao amor, ficar em paz,
quanto ao mais aceitar o que jĂĄ Ă©,
pois amor nĂŁo afronta ou polemiza,
nĂŁo revisa conceitos e posturas...
Esquecer as questÔes da sociedade,
da polĂ­tica, os males desta era,
da cidade que oprime o cidadĂŁo
porque a fera do medo estĂĄ no ar...
Quando falo de amor nĂŁo fico sĂł
sobre a face da terra nem do "Face",
nĂŁo hĂĄ nĂł nem silĂȘncio Ă  minha volta...
Vou me ater ao amor; curtir a vida,
ser curtido na rede social,
ter aval dos que temem ter problemas...

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POEMA DE PANELA

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Ter amor com que teça os meus versos diårios
e meus versos diĂĄrios pra fazer amor,
bom humor pra chorar sem perder o sorriso
que pertence aos meus olhos, apesar da vida...
Igualmente um motor, combustĂ­vel nos temas
dos quais faço poemas pra poder viver,
como quero aplicar meus poemas nas pedras
das colunas e o piso da casa em que moro...
Apesar da ilusĂŁo de qual sempre disponho
ao compor cada sonho sem cair do mundo,
pulo fundo pra fora do lugar-comum...
Cada dia revela que o chão é meu céu;
quero letras cremosas pra passar no pĂŁo;
canjiquinha; feijĂŁo; torresmo com poesia...

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NÃO DE AMOR

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Os que amam de fato,
sem ser amados,
dĂŁo adeus e se tratam...
Ao perdurar o tumor,
Ă s vezes morrem de amor...
mas nunca matam.

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MITOLOGIA DO AMOR PERFEITO

Demétrio Sena, Magé - RJ.

SĂł Ă© lindo por ser um ideal;
uma imagem distante; uma saudade;
um varal de lembranças no infinito...
Foi um mito que a mĂŁo vivenciou,
veio ao corpo, marcou no sentimento,
porém foi; só por isso ainda é lindo...
Quase demos um fim ao romantismo
que se traja do mesmo azul-distĂąncia
do lirismo inegĂĄvel das montanhas...
NĂŁo podemos voltar aos nossos olhos,
pois nos vemos melhor quando nĂŁo vemos;
temos esta ilusĂŁo do que nĂŁo Ă©...
Somos anjos por termos nossos céus
em extremos opostos que nos guardam
sob véus de virtudes surreais...
Nunca mais serĂĄ lindo, se voltarmos,
resgatarmos a nossa humanidade,
porque toda verdade virĂĄ junto...

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JÁ GANHOU!

Demétrio Sena, Magé - RJ.

DecisĂŁo de ganhar Ă© perder o temor;
ter amor e vontade na medida exata;
ir ao céu é saber se conduzir no chão
e manter o motivo para prosseguir...
JĂĄ ganhou a partida quem entrou em campo,
quem venceu a preguiça e se atirou na vida,
viu que o tempo tem asas, o sonho decola,
como a bola do mundo Ă© pra chutar pro gol...
Aprender a sorrir Ă© vencer a tristeza;
Ă© chorar com certeza da manhĂŁ seguinte
sobre a noite que a lua deixarĂĄ pra trĂĄs...
Quem fez mais do que ver como tudo passou,
e bateu, apanhou, mas os fez com decĂȘncia,
jå ganhou de nascença; nem houve placar...

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AMOR DE SÓTÃO

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Gosto mais de vocĂȘ do que o meio permite;
calo todos os traços do meu rosto entregue;
dou Ă  luz do grafite que reluz nos olhos,
uma sombra serena; sossego sem paz...
É um triste gostar que se acomoda e vive
do sorrir disfarçado e do mero estar perto,
rechear meu deserto, minha solidĂŁo,
de conversas distantes do que penso e sinto...
Fantasio, imagino, me dou em sigilo,
vocĂȘ nunca recebe, mas dou assim mesmo,
peço asilo em seus olhos e finjo ganhar...
Meu gostar de vocĂȘ fere laços formais;
gosto mais do que posso nĂŁo gostar do quanto;
do que planto e sufoco esperanças estéreis...

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MISSÃO DE AMOR

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Para Nathalia e JĂșlia

Se nĂŁo tenho a certeza de lhes ter por perto,
nĂŁo hĂĄ nada em redor que desperte sentido;
nem existe lugar que nĂŁo seja deserto;
cada passo Ă© sem norte; meu tempo Ă© perdido...

Faço à vida somente o mais simples pedido;
meu amor nunca falte no momento certo;
saiba como soldar um coração partido,
ser alĂ­vio na dor do ferimento aberto...

Quero ter esse dom de me doar sem fim;
ao olhar nos seus olhos olhando pra mim,
ver a paz que sustenta seu porto seguro...

Saberei respeitar quando abrirem sozinhas
suas asas vistosas, libertas das minhas,
e lhes dar de presente a rota pro futuro...

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SONHO DE AMOR

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Essa lua jĂĄ foi o nosso lustre;
seus luares banharam nossos olhos,
deram luz Ă s promessas hoje turvas
entre as curvas incertas da saudade...
Muitas noites teceram fantasias
das mais belas verdades provisĂłrias;
uma colcha de sonhos momentĂąneos
numa histĂłria com tons de para sempre...
Foram tantas as nossas madrugadas
de suave cansaço e rendição
à canção de ninar da natureza...
Fomos raios de sol; de renascença;
uma crença ilusória no amanhã
que jĂĄ veio embalado pra ser ontem...

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SOLIDÃO DO AMOR

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Demorei pra saber que só és uma imagem,
muito embora consiga te sentir no tato,
ver teu rosto e julgar que desvendei teus olhos;
teu extrato; as entranhas; o que te recheia...
Foste o centro ilusĂłrio do meu romantismo;
da razĂŁo atrasada em meus anos de sonho,
porque dei ao mesmismo deste sentimento
a viagem mais longa, morosa e profunda...
Lentamente me alcanço e começo a me ouvir
ou querer despertar da solidĂŁo do amor
que me deixo sentir sem alcançar teu eco...
Sou apenas um lobo que geme pra lua
isolada na espelho da poça esquecida
numa rua distante; sombria; deserta...

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REETERNO AMOR

Demétrio Sena, Magé - RJ.

A vida exige muito mais de vocĂȘ do que de mim. Vivemos em um mundo machista. VocĂȘ amadureceu, constituiu famĂ­lia, fez filhos e nĂŁo teve o direito de se manter menina para ninguĂ©m. NĂŁo seria diferente para mim. Liberdades divergem de gĂȘnero para gĂȘnero, mesmo na sociedade contemporĂąnea, quando a mulher conquistou direitos, ganhou espaço, invadiu o mercado de trabalho. No entanto, ainda luta para ser simplesmente mulher. NĂŁo mulher objeto, mas aquela que pode ser quem Ă©, para quem quiser, sem que isso deponha contra sua idoneidade.
TambĂ©m amadureci, constituĂ­ famĂ­lia, fiz filhos, mas nĂŁo paguei um preço tĂŁo alto. Exigi minha liberdade, mesmo com todos os compromissos e as convençÔes dos laços formais. Por essa liberdade unilateral bem prĂłpria do mundo machista, o que seria condenĂĄvel no seu caso Ă© admirĂĄvel no meu. Pude guardar para vocĂȘ, aquele menino que a conduzia mundo afora, sem a mĂ­nima preocupação com o que fizesse pensar. Que a iniciou nas caminhadas noturnas, nos banhos em cachoeiras, na intimidade com a natureza e a nudez do corpo. Aquele menino acanhado para os outros, mas desinibido para vocĂȘ, e que ao seu lado convertia tudo em poesia.
Quando nos reencontramos, cheguei a pensar que poderĂ­amos reviver o passado sem ferir o presente ou ameaçar o futuro. VocĂȘ tentou, reconheço, e sei que no fundo, aquele amor ainda vive no seu Ă­ntimo. Vi em seus olhos o eco das palavras que o redeclararam para mim. PorĂ©m, nĂŁo foi difĂ­cil perceber que o reinĂ­cio de nossas caminhadas, nossos banhos em cachoeiras e a intimidade com a natureza, em todos os sentidos, teriam vida breve. Seria fĂĄcil para o "menino", reconstruir aquele mundo em nossa particularidade, mas a "menina" poderia sofrer as consequĂȘncias de ser menina e mesmo assim evocar esse direito, se a particularidade viesse a pĂșblico.
Mesmo assim foi compensador. "Reeternizei" momentos. Eternizei "remomentos" e me "ressenti" amado. Sem ressentimentos maus. Apenas bons. Recolhi meu amor e o reguardei bem fundo, pois se nĂŁo posso exercĂȘ-lo com eternidade contĂ­nua, tenho esperanças de lĂĄ na frente, algum dia, "reeternizar" outra vez, ainda que o "remomento" seja mais curto e furtivo. Eu a amo. Com o mesmo amor de menino. Aquele amor que jamais teria dado certo, se o tornĂĄssemos convencional.

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CARIMBO

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Valorizo este amor que nos conserva em véus,
num baĂș de aventuras que ninguĂ©m desfaz,
numa paz de saber que nem o tempo rĂłi
ou a lixa do vento pode corroĂȘ-lo...
Mas queria o momento que seria um;
nĂŁo viria o segundo, pra nĂŁo ser igual;
ficaria comum se retornasse ao campo
deste afeto platĂŽnico e por isso eterno...
Uma cena escondida nesta eternidade,
pra ficar na saudade, sob as de costume,
ser eterna e tĂŁo rara quanto nossa histĂłria...
SĂł queria essa pausa pro desvio breve,
pro carinho mais fundo e pro beijo mais quente;
um deslize, um repente, um carimbo na pele...

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JOÃO E MARIA

Demétrio Sena, Magé - RJ.

TĂĄ gostoso, amor; nĂŁo pare...
Por favor empurre mais...
com carinho; vai, meu bem...
Se pudesse ficaria
muitas horas, todo o dia,
neste vai e vem...
NĂŁo se assuste, meu querido;
sou assim desde bem nova;
se começo não me canso...
Uma louca, desvairada,
totalmente apaixonada
por um balanço.

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VITÓRIA DO AMOR

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Desta vez nos deixamos conhecer mais fundo,
viajamos um noutro e tivemos destino,
fomos tino e loucura em perfeito consenso
e deixamos o mundo se fechar em nĂłs...
Hoje nĂŁo nos roubamos de nossa vontade,
nossos medos venceram seus bichos-papÔes,
porque foi a verdade que cedeu ao sonho;
reagiu aos senÔes e nos deu livre arbítrio...
Finalmente a coragem de chegar no sim,
sem o fim como sombra; contorno; rascunho;
punho pronto pro soco na boca do ser...
Conheceste meus becos, bueiros, vielas,
conheci teus asfaltos, teus pontos de luxo,
fui o bruxo que a fada se deixou amar...

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O AMOR COMO PRINCÍPIO

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Quando quero ou nĂŁo que a JĂșlia faça algo, jamais aponto para os efeitos futuros de sua possĂ­vel desobediĂȘncia. Ela sabe que se nĂŁo me "obedecer" nĂŁo levarĂĄ uma surra, nĂŁo serĂĄ destratada, castigada nem deixarĂĄ de ganhar o presente ou passeio prometido. Sabe apenas que ficarei decepcionado, nĂŁo como forma ou estratĂ©gia de represĂĄlia, mas naturalmente. Sabe ainda, que a desobediĂȘncia de um filho Ă© algo muito grave, nĂŁo importa o que acontecerĂĄ ou nĂŁo depois. Tive a graça de bem cedo conseguir fazĂȘ-la entender a dimensĂŁo negativa desse ato, Ă s vezes me usando como exemplo negativo. De positivo, apenas o drama de consciĂȘncia que os erros me causaram, quando fui meu prĂłprio acusador.
Faz bem pouco tempo conversei demoradamente com minha filha, para me redimir do erro de lhe ter permitido, em nome do sossego, o que muitos chamam de uma pequena mentira. Tive a chance de lhe dizer que a mentira nem sempre tem "pernas curtas". Muitas vezes ela tem asas e ninguĂ©m as alcança nem descobre, de forma que o mentiroso fica impune para sempre. No entanto, mentir Ă© grave. É traição. NĂŁo devemos fazĂȘ-lo, porque com isso, fazemos os outros sofrerem. Desrespeitamos o prĂłximo. É em nome do prĂłximo, das pessoas que amamos e outras que nos rodeiam, que nĂŁo devemos mentir, ofender, bater, roubar, matar. Nada de "Deus tĂĄ vendo"; "a polĂ­cia pega"; "o castigo vem". Sei muito bem em que mundo nĂłs vivemos, e a JĂșlia jĂĄ começou a entender que muitos mentirosos se dĂŁo bem, dentro do contexto negativo e vulgar de se dar bem. Os polĂ­ticos sĂŁo um exemplo clĂĄssico dessa verdade. Ela jĂĄ percebe, de alguma forma, que muitos seres humanos roubam, matam, prejudicam, nĂŁo pagam o que devem, praticam toda sorte de abusos e seguem livres, impunes, fisicamente saudĂĄveis e queridos na sociedade. Sendo assim, nĂŁo Ă© por causa do "troco" presente ou futuro que ela deve ser uma pessoa direita e honesta, e sim, porque isso Ă© certo, porque o ser humano deve ser assim para que o mundo seja melhor. Para que a felicidade seja possĂ­vel.
Sempre de forma simples e leve para seu entendimento, tambĂ©m digo a minha filha que ela deve ser solidĂĄria, fazer o bem, perdoar, pedir perdĂŁo, mas nunca pensando em recompensa. JĂĄ a fiz entender que nem sempre ou quase nunca os outros serĂŁo solidĂĄrios com ela. Nem sempre ou quase nunca ela terĂĄ o reconhecimento pelo que fez, proporcionou ou deu. Muitas vezes perdoarĂĄ e serĂĄ de novo magoada, como tantas vezes pedirĂĄ sinceramente perdĂŁo e nĂŁo terĂĄ. Mesmo assim, esses preceitos devem ser seguidos e observados, nĂŁo levando em conta o que virĂĄ do outro lado. Nossa parte hĂĄ de ser feita sem nenhuma cobrança da outra parte. Aprender a ser uma "boa pessoa" para que o mundo seja bom com ela, Ă© aprender a ser hipĂłcrita. Dar com a mĂŁo direita de forma que a esquerda veja. Fazer filantropia para que a sociedade admire. Promover a paz para, quem sabe, ganhar o PrĂȘmio Nobel, e nĂŁo porque entende que a paz Ă© essencial para a humanidade.
Quero que a JĂșlia seja melhor do que eu. Bem melhor. Tenha virtudes que nunca tive, mas hoje tento ensinar enquanto aprendo. NĂŁo quero contar de novo com a sorte que me coroou, de ver a Nathalia, minha primogĂȘnita se tornar a grande pessoa que Ă©, sem grandes mĂ©ritos meus. Mesmo nĂŁo contando com a experiĂȘncia, os conhecimentos e as visĂ”es de mundo e vida que ora tenho, adquiridos com grande sofrimento. E boa parte desse grande sofrimento Ă© outro item dispensĂĄvel na vida de qualquer pessoa, se houver quem possa orientĂĄ-la sobre como amadurecer feliz. Amadurecer no pĂ©. Ser pessoa Ă­ntegra nĂŁo por medo, opressĂŁo, hipocrisia, interesse, troca ou egoĂ­smo, e sim, por amor. Amor ao prĂłximo e a si mesmo como extensĂŁo do prĂłximo, tendo sempre a consciĂȘncia como promotora de acusação dos erros.

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GUERRA PASSIONAL

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Esse amor abismal com que me odeias
faz rodeios, inventa mil motivos,
lança teias pra ver se me abduz
e me cola na cruz dos teus caprichos...
É assim que me queres; fogo a fogo,
no teu jogo cerrado e passional,
numa guerra sem trégua, regra e honra,
pois seria teu fim me ver em paz...
Tua raiva me caça feito louca,
tua boca me ofende com desejo,
teus ataques confessam teu querer...
Falta chĂŁo aos teus pĂ©s quando me vĂȘs,
teu olhar, tua tez, tudo me come
com a fome raivosa da paixĂŁo...

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AMOR E CONFEITARIA

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Depois de um doce suspiro,
do beijinho e do sonho,
nĂłs dois assim, bem quietinhos...
bem chicletinhos...
E logo apĂłs nos fartarmos
de um bom bocado
daqueles bem delicados,
pavĂȘ se a vida recheia
nosso doce amor...
que nos farĂĄ bem casados...

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AMOR E RANCOR

Demétrio Sena, Magé - RJ.

JĂĄ nĂŁo tens o sorriso que achavas em mim
e depois refletias pra tudo em redor,
teu olhar Ă© sĂł dor dessa perda sem volta
e teu lĂĄbio a revolta que ficou do adeus...
Hoje tens um sabor de amargura sem fim
que semeias no cheiro das tuas palavras,
feito pedra no rim que te faz espremer
cada gesto entre buscas de momentos mortos...
E por isso me odeias com tamanho amor,
com um senso de humor que amaldiçoa o mundo,
pois nĂŁo sabe acender uma luz no semblante...
Sempre voltas pra mim em delĂ­rios ocultos,
colhes vultos de outrora e mergulhas em ti,
mas te perdes no chão que se abre aos teus pés...

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AMOR HOSTIL

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Tenha calma e me queira menos tensa;
mais a fundo; silente; bem contrita;
seu amor se confessa em sua ofensa
e seu olho desmente o que a voz grita...

Não se renda e também não faça fita;
guerrear de fachada nĂŁo compensa;
Ă© a sĂșplica em gestos de quem dita
numa espécie afetiva de doença...

Pra pintar de frieza o sentimento,
leve o seu coração ao pensamento
e supere a si mesma; chegue ao pĂłdio...

Sua fĂșria nĂŁo vai vencer o drama;
se nĂŁo pode assumir o quanto ama,
nĂŁo precisa me amar com tanto Ăłdio...

Inserida por demetriosena

AMOR SEM ECO

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Um gostar dissolvido em névoa e véu;
disfarçado no céu de minha voz;
uma chama escondida que nĂŁo chama
e me leva pra cama sĂł comigo...
Meu amor se declara pra si mesmo,
minhas mĂŁos te procuram nos meus cantos,
onde os mantos de minha solidĂŁo
chocam sonhos que nunca darĂŁo crias...
Tenho via de fato sem saĂ­da,
servidĂŁo que nĂŁo serve um horizonte,
velha ponte quebrada noutro extremo...
É assim que meu mundo anseia o teu;
cĂ©u de ateu que nĂŁo crĂȘ, sĂł por despeito;
eu te odeio de amor ignorado.

Inserida por demetriosena