Indiretas de amor: demonstre interesse com sutileza đ
AMOR E SOCIEDADE
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Ă assim que te quero; como quem nĂŁo quer;
numa reza sem fé; busca sem desempenho;
no silĂȘncio da voz que transfiro pros olhos,
mesmo assim de fumĂȘ; de regato e nĂŁo foz...
Eu te quero com filtros de nĂŁo te perder,
muitos véus e desvelos ao ficar assim,
sem começo nem fim; meio termo eficaz
em nĂŁo ter que acordar deste meu nĂŁo dormir...
Um querer sem querer, mas por querer e pronto,
esse ponto sem nĂł pra poder desatar
quando a vida entender de cobrar transparĂȘncia...
NĂŁo importa o contexto, Ă© querer de verdade,
mesmo tendo a mentira como seu escudo,
para tudo ficar na moldura da lei...
AMOR E SOCIEDADE
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Ă assim que te quero; como quem nĂŁo quer;
numa reza sem fé; busca sem desempenho;
no silĂȘncio da voz que transfiro pros olhos,
mesmo assim de fumĂȘ; de regato e nĂŁo foz...
Eu te quero com filtros de nĂŁo te perder,
muitos véus e desvelos ao ficar assim,
sem começo nem fim; meio termo eficaz
em nĂŁo ter que acordar deste meu nĂŁo dormir...
Um querer sem querer, mas por querer e pronto,
esse ponto sem nĂł pra poder desatar
quando a vida entender de cobrar transparĂȘncia...
NĂŁo importa o contexto, Ă© querer de verdade,
mesmo tendo a mentira como seu escudo,
para tudo ficar na moldura da lei...
AMOR EM QUEDA
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Esfriou, nĂŁo retente.
NĂŁo requente.
Separe amor e café.
DESCASO DE AMOR
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Um amor magoado, mesmo assim amor;
sem amor que se faça, pois nos falta fome;
que se deixa de lado e deixa o tempo ir,
corroendo as açÔes que jå perderam corpo...
Eu te amo ferido e com amor sombrio;
um adeus ensaiado no temor da hora;
tu me amas com brio que nĂŁo quer ceder
e não quer desatar os aguilhÔes aos pés...
Ă amor apesar do desamor exposto,
da frieza no rosto e do nenhum afago;
dos estragos do tempo, a corrosĂŁo do ser...
O descaso de amor que se formou em nĂłs
tem a voz de sentidos que nĂŁo tĂȘm sentido,
mas ainda Ă© amor e nos restou sentir...
AMOR INVIĂVEL
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Sou levado a sentir
que te perder
neste momento,
jĂĄ nem seria mais perda.
Passou a ser
um investimento.
AMOR INVIĂVEL
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Sou levado a sentir
que te perder
neste momento,
jĂĄ nem seria mais perda.
Passou a ser
um investimento.
MITO AMOR
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Sem amor nem sentido, assim se fez,
uma vez um romance; um folhetim;
foi um sim descuidado e tĂŁo carente,
que nĂŁo viu a cilada sob os olhos...
Tempo envolto num longo passatempo,
força exposta no vão desse brincar
de não ser brincadeira e tornar sério;
desaguar um mistério em nossas vidas...
NĂŁo te amei, mas amei ser bem amado;
crer no amor que sentia que sentia;
ser deixado Ă deriva nesse mar...
Ou amei sem sem amar, sĂł pra saber
como a vida consegue tornar mito
seu pequeno infinito em nosso espaço...
SOMBRA DO AMOR
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Para Nathalia
Dor nĂŁo dĂłi sendo minha, se a resgato
da suÂŽalma, do entorno, seu olhar,
nem hĂĄ mar que me assombre, caso venha
das muralhas que a livrem da invasĂŁo...
Quero todo sofrer que se aproxime
dos caminhos tomados por seus sonhos,
cada verso que rime com seu pranto
e as quedas na fila do futuro...
Sangraria os mais fundos ferimentos,
tornaria infinitos no meu ser
os tormentos capazes de abatĂȘ-la...
Venham todas as causas da tristeza
compor mesa na sombra deste amor;
minha dor, quando minha, nĂŁo Ă© dor...
AMOR DE FESTIM
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Ao brincar de nĂłs dois fui solidĂŁo,
tive o chão pra fingir que foi o céu,
fui um deus espremido no desejo
de se amar no teu corpo; nada mais...
Formatei o meu sonho em teu tabloide,
fiz a minha geoide nesse cosmo,
pra reinar do meu jeito absoluto
sobre um sonho sem sono pra manter...
Um amor de artifĂcio; fez ruĂdo
e brilhou muito alĂ©m da consistĂȘncia,
foi banido entre nuvens de fumaça...
Ser amado foi bom, e mesmo assim
afoguei no meu poço de verdades
as saudades que sempre quis sentir...
ETERNO AMOR ACABADO
DemĂ©trio Sena, MagĂ© â RJ.
Nosso amor teve o mesmo velho tudo
entre juras que ficam pelo meio,
feito carro sem freio enquanto vai
pelas vias desertas e sem curvas...
Todo amor desta vida estava em nĂłs
e nos nós que tratamos como laços,
pelos passos do voo sem limite
nas promessas passadas de futuro...
Um amor que durou a vida inteira;
uma vida na caixa do seu tempo;
eira e beira que o tempo desmentiu...
Foi um nĂŁo que se deixou converter
pelos ventos do sim e da paixĂŁo;
nosso amor foi pra sempre até o fim...
MEU AMOR
DemĂ©trio Sena, MagĂ© â RJ.
Nas durezas desta lida,
vocĂȘ Ă© meu bom amor...
humor da minha vida.
SENTIMENTO CANINO
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Nosso amor pelo semelhante bem que podia se assemelhar ao amor dos cĂŁes por seus donos, que nĂŁo sĂŁo semelhantes. O amor dos cĂŁes pelo ser humano Ă© incondicional. Eles nĂŁo admiram nossa esperteza ou inteligĂȘncia. NĂŁo nos idolatram pelo talento, a beleza, muito menos pela posição que ocupamos. TĂŁo apenas nos amam, e nĂŁo importa se estamos na penĂșria, para nos seguirem atĂ© o fim do mundo e dos nossos dias.
Amor de cĂŁo Ă© desses que duram atĂ© que a morte ou a nossa crueldade nos separe, pois ele jamais nos deixarĂĄ, e sempre hĂĄ de ser grato ao menor carinho. Ao mais breve afago em seus pelos. Ao mais leve roçar de nariz e fuça. Nossos olhos de afeto e o falsete na voz... cĂŁes adoram nossos falsetes, pois mostram que estamos bem e de bem com eles. Ă a nossa expressĂŁo explĂcita, inequĂvoca e timbrada de chamego.
à neste contexto que sempre deplorei o amor humano... sonho constantemente que, num futuro talvez distante, alcançaremos a graça de realmente viver em um mundo cão... desfrutar de uma vida cadela.
O AMOR PĂS-REPRESSĂO
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Hoje falo de amor e nĂŁo tenho remorso,
porque sempre fui voz de gritar contra o mundo,
ir ao fundo insondåvel de toda injustiça
quando nem se podia expressar um gemido...
Quem critica o romance dos versos que faço
tem as asas que outrora evoquei para tanto;
vai no passo que um dia comecei a dar;
tem o canto engajado que a lei aprovou...
Conquistei junto a outros o livre protesto
que se faz ao contexto social de agora
e também ao meu texto acomodado enfim...
O poder contra o qual jĂĄ se pode gritar
entre farsas de humor e revoltas de araque
abençoa os ataques aos versos de amor...
TRAGO
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Trago seu amor
em sete dias...
Não hå trapaça,
frustração nem revolta:
seu amor,
a fumaça
ou seu dinheiro de volta.
Respeite autorias. Ao divulgar o que nĂŁo Ă© seu, sempre cite o autor.
EM NOME DO AMOR
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Ao encontrar um novo amor nĂŁo lhe diga, em nenhuma hipĂłtese, as razĂ”es por que a relação passada expirou. NĂŁo fale dos defeitos, das manias e diferenças do seu ex-cĂŽnjuge ou par. Se vocĂȘ cair nesse ardil, poderĂĄ ter ao lado alguĂ©m superficial. Uma pessoa que atuarĂĄ, por muito ou pouco tempo, na intenção de parecer diferente, para nĂŁo repetir o mal desempenho de quem lhe decepcionou.
Prefira estabelecer outra relação com todos os riscos de um novo rompimento, até mesmo precoce, a ter uma nova história, talvez longa, no entanto falsa. Não é compensador conviver com pessoa impessoal. Uma personagem. Alguém não alguém, porque representa o que não vive, simplesmente para manter a novela de uma vida que se pretende real, mas não terå como ser feliz. Nem real.
A felicidade nĂŁo tem que ser eterna, mas consistente. Ou pelo menos eterna em seu por enquanto, pela verdade que autentica e dĂĄ fĂ©. Amores reais nĂŁo admitem atuaçÔes. Ă preciso que ambos sejam quem sĂŁo. Nenhum dos lados esteja quem nĂŁo Ă©, na duração possĂvel do viver a dois, que terĂĄ valido a pena, mesmo depois do fim, se a relação foi vivida. NĂŁo atuada.
O BOM DO AMOR
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Ă a voz do meu corpo que me chama
sem os gritos de outrora e seus destons,
tem a chama nos graus do meu controle
sob os dons naturais e seus temperos...
Vou em paz; meu prazer nĂŁo vai fugir;
a minhÂŽalma se guarda em cada vĂŁo,
pra ungir as entranhas desta carne
que saiu do carvĂŁo; entrou na brasa...
TambĂ©m sei que nĂŁo firo a consciĂȘncia,
consultei a carĂȘncia e me dei conta;
nĂŁo hĂĄ conta, carnĂȘ ou promissĂłria...
Um acaso de amor, tĂŁo brando amor
nos envolve, då laço e nos desata;
cata o bom de se ter e nos devolve...
SĂ TE AMAR
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Se me deixo te amar, Ă© amor que nĂŁo gasta;
nĂŁo Ă© vento, e por isso, nĂŁo faz erosĂŁo;
nem te amo igual sombra, fantasma que arrasta
uma velha corrente a gemer pelo chĂŁo...
Meu amor é sereno e mantém a razão,
sabe como conter o que assusta ou afasta,
pÔe a sua esperança na própria ilusão
e depois fecha o zĂper; guarda bem a pasta...
Sendo assim, tenhas calma, baixes teu escudo,
jĂĄ entendo esse nada que responde a tudo
com que sonho sozinho por anos e anos...
Só me deixes te amar, não tirarei pedaço
com olhar e silĂȘncio; sem gesto nem passo;
calo todas as perdas e bebo meus danos...
ALĂM DO AMOR
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Entendi seu adeus e nĂŁo condeno
a palavra escondida em eufemismos;
mais pra frente, outro dia, qualquer hora;
um agora esticado pra depois...
Nem julguei que faltasse o sentimento,
que nevasse no chĂŁo do seu afeto,
fosse terra e cimento sobre a histĂłria
de vivĂȘncias tĂŁo fortes e profundas...
Reconheço a distùncia das verdades
entre nossas quimeras, nossos sonhos,
nosso dom de saudades infinitas...
Ă por isso que aceito seu adeus
em silĂȘncio, segredo que desvendo,
pois entendo as razÔes além do amor...
AMOR AO PRĂXIMO
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Ă bem cĂŽmodo este meu amor ao prĂłximo que me agrada e oferece contrapartida. Massageia o meu ego, por estar sempre de acordo com as minhas ideias e corresponder Ă s mais fundas expectativas.
Amo ao prĂłximo que sempre soma para os meus ideais e fecha comigo no que der e vier. O prĂłximo bem prĂłximo, por ser aquele que dĂĄ vantagem, Ă© meu cĂșmplice ou confidente, me dĂĄ razĂŁo, me admira, obedece ou apoia, seja qual for a causa.
Ou amo aquele prĂłximo distante, que dĂĄ status amar. Que me deixa bem, aos olhos da sociedade, cada vez que ostento amor com um gesto remoto e Ășnico, para tambĂ©m fazer as pazes com a prĂłpria consciĂȘncia.
Mas nĂŁo amo aquele prĂłximo que me desconforta. TĂŁo prĂłximo e sem afinidade. Sem possibilidade, promessa e sentido para para os gritos de minha vaidade; as necessidades mais profundas; aquele velho egoĂsmo da voz ansiosa pelo prĂłprio eco.
No fim das contas, reconheço que o que faço e difundo como tal, não é exatamente amar ao próximo. à cuidar dos meus interesses.
DAS RELAĂĂES HUMANAS
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Para entrar numa relação, seja de amizade, amor e atĂ© trabalho, Ă© preciso que haja um consenso. Que os dois, trĂȘs ou mais queiram; de preferĂȘncia, na mesma proporção. E a cada peça desse complicado engenho Ă© permitido atĂ© fingir nĂŁo querer, se for o melhor para quem o faz.
Para sair nĂŁo Ă© assim. A liberdade ocorre de outra maneira. Deixa de ser coletiva. Ă pessoal. Cada um sai quando quer; nĂŁo hĂĄ nem deve haver consenso. Por isso, ninguĂ©m precisa fingir querer atĂ© criar uma forma confortĂĄvel de sair. Nem Ă© justo e decente arquitetar situaçÔes para que outro assuma sua desistĂȘncia. Dramatizar a verdade, pelo simples plano de sair bem... ou sair âpor cimaâ.
Pra dizer a verdade, nĂŁo hĂĄ saĂdas por cima, por baixo nem pelas tangentes. No que tange as relaçÔes humanas de qualquer natureza, sĂł existem duas saĂdas... ou duas portas: uma delas Ă© a da frente... naturalmente, a outra Ă© a dos fundos.
