Indiretas de amor: demonstre interesse com sutileza đ
Se tiver amor e compaixĂŁo por todos os seres sencientes, em especial por seus inimigos, este Ă© o verdadeiro amor e a verdadeira compaixĂŁo. O amor e compaixĂŁo, nutridos por seus amigos, esposa e filhos, nĂŁo sĂŁo verdadeiros em sua essĂȘncia. SĂŁo apego, e esse tipo de amor nĂŁo pode ser infinito.
Quando choramos abraçados e caminhamos lado a lado. Por favor amor me acredite, não hå palavras para explicar o que eu sinto...
O amor acaba. Numa esquina, por exemplo, num domingo de lua nova, depois de teatro e silĂȘncio; acaba em cafĂ©s engordurados, diferentes dos parques de ouro onde começou a pulsar; de repente, ao meio do cigarro que ele atira de raiva contra um automĂłvel ou que ela esmaga no cinzeiro repleto, polvilhando de cinzas o escarlate das unhas; na acidez da aurora tropical, depois duma noite votada Ă alegria pĂłstuma, que nĂŁo veio; e acaba o amor no desenlace das mĂŁos no cinema, como tentĂĄculos saciados, e elas se movimentam no escuro como dois polvos de solidĂŁo; como se as mĂŁos soubessem antes que o amor tinha acabado; na insĂŽnia dos braços luminosos do relĂłgio; e acaba o amor nas sorveterias diante do colorido iceberg, entre frisos de alumĂnio e espelhos monĂłtonos; e no olhar do cavaleiro errante que passou pela pensĂŁo; Ă s vezes acaba o amor nos braços torturados de Jesus, filho crucificado de todas as mulheres; mecanicamente, no elevador, como se lhe faltasse energia; no andar diferente da irmĂŁ dentro de casa o amor pode acabar; na epifania da pretensĂŁo ridĂcula dos bigodes; nas ligas, nas cintas, nos brincos e nas silabadas femininas; quando a alma se habitua Ă s provĂncias empoeiradas da Ăsia, onde o amor pode ser outra coisa, o amor pode acabar; na compulsĂŁo da simplicidade simplesmente; no sĂĄbado, depois de trĂȘs goles mornos de gim Ă beira da piscina; no filho tantas vezes semeado, Ă s vezes vingado por alguns dias, mas que nĂŁo floresceu, abrindo parĂĄgrafos de Ăłdio inexplicĂĄvel entre o pĂłlen e o gineceu de duas flores; em apartamentos refrigerados, atapetados, aturdidos de delicadezas, onde hĂĄ mais encanto que desejo; e o amor acaba na poeira que vertem os crepĂșsculos, caindo imperceptĂvel no beijo de ir e vir; em salas esmaltadas com sangue, suor e desespero; nos roteiros do tĂ©dio para o tĂ©dio, na barca, no trem, no ĂŽnibus, ida e volta de nada para nada; em cavernas de sala e quarto conjugados o amor se eriça e acaba; no inferno o amor nĂŁo começa; na usura o amor se dissolve; em BrasĂlia o amor pode virar pĂł; no Rio, frivolidade; em Belo Horizonte, remorso; em SĂŁo Paulo, dinheiro; uma carta que chegou depois, o amor acaba; uma carta que chegou antes, e o amor acaba; na descontrolada fantasia da libido; Ă s vezes acaba na mesma mĂșsica que começou, com o mesmo drinque, diante dos mesmos cisnes; e muitas vezes acaba em ouro e diamante, dispersado entre astros; e acaba nas encruzilhadas de Paris, Londres, Nova York; no coração que se dilata e quebra, e o mĂ©dico sentencia imprestĂĄvel para o amor; e acaba no longo pĂ©riplo, tocando em todos os portos, atĂ© se desfazer em mares gelados; e acaba depois que se viu a bruma que veste o mundo; na janela que se abre, na janela que se fecha; Ă s vezes nĂŁo acaba e Ă© simplesmente esquecido como um espelho de bolsa, que continua reverberando sem razĂŁo atĂ© que alguĂ©m, humilde, o carregue consigo; Ă s vezes o amor acaba como se fora melhor nunca ter existido; mas pode acabar com doçura e esperança; uma palavra, muda ou articulada, e acaba o amor; na verdade; o ĂĄlcool; de manhĂŁ, de tarde, de noite; na floração excessiva da primavera; no abuso do verĂŁo; na dissonĂąncia do outono; no conforto do inverno; em todos os lugares o amor acaba; a qualquer hora o amor acaba; por qualquer motivo o amor acaba; para recomeçar em todos os lugares e a qualquer minuto o amor acaba.
Bom dia
Olha as flores que eu trouxe pra vocĂȘ, amor.
SĂŁo para comemorar aquele dia
Que passei a viver do teu lado
Eu me lembro, entre nĂłs nĂŁo havia quase nada.
E agora Ă© sĂł vocĂȘ que me faz cantar
E Ă© sĂł vocĂȘ que me faz cantar...
A amizade sempre Ă© proveitosa, o amor Ă s vezes Ă©.
Temos o direito de fazer promessas de amor que nunca serão cumpridas. Não hå graça nenhuma em falar somente aquilo que se pode fazer.
Quando a gente ama alguém, de verdade, esse amor não se esquece. O tempo passa, tudo passa, mas no peito o amor permanece, e qualquer minuto longe é demais, a saudade atormenta, mas qualquer minuto perto é bom demais, o amor só aumenta.
Todas as cartas de amor sĂŁo ridĂculas, nĂŁo seriam cartas de amor se nĂŁo fossem ridĂculas.
Nota: Trecho de poema do livro "Poesias de Ălvaro de Campos", de Fernando Pessoa (heterĂŽnimo Ălvaro de Campos). Link
...MaisQue nunca te arrependas pelo amor dado,
faz parte da vida arriscar-se por um sonho...
Porque se nĂŁo fosse assim, nunca terĂamos sonhado.
Mas, antes de tudo, que vocĂȘ saiba que tem aliado,
ele se chama TEMPO... seu melhor amigo.
SĂł ele pode dar todas as certezas do amanhĂŁ.
A certeza que... realmente vocĂȘ amou.
A certeza que... realmente vocĂȘ foi amada.
O amor perfeito Ă© realmente raro,
pois para ser um amante
Ă© necessĂĄrio que vocĂȘ tenha
continuamente
a sutileza de um sĂĄbio,
a flexibilidade de uma criança,
a sensibilidade de um artista,
a compreensĂŁo de um filĂłsofo,
a aceitação de um santo,
a tolerĂąncia de um estudioso
e a força de um bravo.
Algo de que eu tinha certeza (âŠ), sabia no fundo de meu peito vazio - era que o amor pode dar Ă s pessoas o poder de despedaçar vocĂȘ. Eu fora irremediavelmente despedaçada.
Ama de igual amor o poluto e o impoluto;
Começa e recomeça uma perpétua lida,
E sorrindo obedece ao divino estatuto.
Tu dirĂĄs que Ă© a Morte; eu direi que Ă© a Vida.
Faça amor comigo
e vĂĄ embora antes do amanhecer.
Eu nĂŁo quero correr o risco de me apaixonar
ao acordar
e ainda ter vocĂȘ em meus braços.
- Garçom, uma dose de amnésia e duas de desapego por favor...
- Vai uma de amor também?!
- NĂŁo, nĂŁo. Deixa pra outro dia!
O amor? Påssaro que pÔe ovos de ferro.
