Indiretas de amor: demonstre interesse com sutileza 😉

Me vĂȘ uma rodada de vida boa, com uma porção extra de amor, uma boa dose de amizades verdadeiras e boas mĂșsicas para acompanhar! E se tiver dinheiro aĂ­, pode incluir no pedido.

...Amar não requer conhecimento prévio nem consulta ao SPC. Ama-se justamente pelo que o Amor tem de indefinível...

Que canto hĂĄ de cantar o indefinĂ­vel?
O toque sem tocar, o olhar sem ver
A alma, amor, entrelaçada dos indescritíveis.
Como te amar, sem nunca merecer?
Amar o perecĂ­vel,
o nada,
o pĂł,
Ă© sempre despedir-se.

Na vida duas coisas sĂŁo certas o amor e a morte !

O amor vive de repetição. Cada um de nĂłs tem, na existĂȘncia, no mĂ­nimo uma grande aventura. O segredo da vida Ă© reeditar essa aventura sempre que seja possĂ­vel.

Escolho o amor...

Nenhum fato justifica o ódio; não hå injustiça que justifique amargura. Escolho o amor. Hoje amarei a Deus e o que Ele ama.

Escolho a alegria...

Convidarei o meu Deus para que seja o Deus da circunstancia. Recusarei a tentação de ser cínico... a ferramenta do pensador preguiçoso. Recusar-me-ei a ver as pessoas como nada menos que seres humanos, criados por Deus. Recusar-me-ei a ver qualquer problema como nada menos que uma oportunidade de ver Deus.

Escolho a paz...

Viverei o perdĂŁo. Perdoarei para que possa viver.

Escolho a paciĂȘncia... Negligenciarei as inconveniĂȘncias do mundo. Ao invĂ©s de amaldiçoar aquela que tenta tomar o meu lugar, convidĂĄ-lo-ei a fazer isto. NĂŁo reclamarei a longa espera, mas agradecerei a Deus pelo momento de oração. Ao invĂ©s de cerrar meus punhos face a novas designaçÔes, enfrentĂĄ-las-ei com alegria e coragem.

Escolho a generosidade...

Serei generoso para com os pobres, por estarem solitĂĄrios. Generoso para com os ricos, por estarem temerosos. E generoso para com o mau, pois Ă© assim que Deus tem tratado a mim.

Escolho a virtude...

Prefiro ficar sem um tostĂŁo a ganhar algum desonestamente. Serei negligenciado para nĂŁo ser jactante. Confessarei antes que seja acusado. Prefiro a virtude.

Escolho a fidelidade...

Hoje cumprirei minhas promessas. Meus devedores não lastimarão sua confiança. Meus associados não questionarão minha palavra. Minha esposa não questionarå meu amor. E meus filhos nunca temerão que seu pai possa não retornar ao lar.

Escolho a mansidĂŁo...

Nada pode ser vencido Ă  força. Escolho a mansidĂŁo. Se levantar a minha voz, que ela possa ser apenas em louvor. Caso cerre meus punhos, que seja em oração. Caso dĂȘ uma ordem, que seja apenas para mim mesmo.

Escolho o autocontrole...

Sou um ser espiritual. Após a morte desde corpo, meu espírito subirå. Recuso-me a permitir que a podridão domine o que é eterno. Escolho o autocontrole. Ficarei embriagado apenas pela alegria. Comovido apenas pela minha fé. Serei influenciado apenas por Deus. Serei ensinado apenas por Cristo. Escolho o autocontrole.

Amor, alegria, paz, paciĂȘncia, generosidade, virtude, fidelidade, mansidĂŁo, autocontrole. A estes submeto meu dia. Caso seja bem-sucedido, louvarei a Deus. Se falhar, buscarei sua graça. E entĂŁo, ao anoitecer, colocarei minhas cabeça sobre o travesseiro e descansarei.

Basta um instante
E vocĂȘ tem amor bastante.

Paulo Leminski

Nota: Trecho de poema de Paulo Leminski

JĂĄ gastĂĄmos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou nĂŁo chega
para afastar o frio de quatro paredes.
GastĂĄmos tudo menos o silĂȘncio.
GastĂĄmos os olhos com o sal das lĂĄgrimas,
gaståmos as mãos à força de as apertarmos,
gastĂĄmos o relĂłgio e as pedras das esquinas
em esperas inĂșteis.

Meto as mĂŁos nas algibeiras e nĂŁo encontro nada.
Antigamente tĂ­nhamos tanto para dar um ao outro;
era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes.
E eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possĂ­veis.

Mas isso era no tempo dos segredos,
era no tempo em que o teu corpo era um aquĂĄrio,
era no tempo em que os meus olhos
eram realmente peixes verdes.
Hoje sĂŁo apenas os meus olhos.
É pouco mas Ă© verdade,
uns olhos como todos os outros.

JĂĄ gastĂĄmos as palavras.
Quando agora digo: meu amor,
jĂĄ nĂŁo se passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
sĂł de murmurar o teu nome
no silĂȘncio do meu coração.

NĂŁo temos jĂĄ nada para dar.
Dentro de ti
não hå nada que me peça ågua.
O passado Ă© inĂștil como um trapo.
E jĂĄ te disse: as palavras estĂŁo gastas.

Adeus.

Eugénio de Andrade
ANDRADE, E., Poesia e Prosa, 1987, CĂ­rculo de Leitores

O amor e a admiração só tem profundidade se forem
espontĂąneos,caso contrĂĄrio produziremos servos e nĂŁo pessoas livres para decidir.

A FĂ© Ă© como o amor; nĂŁo hĂĄ nada que a force.

De todos os versos de amor
as rimas e frases reinventadas
as jogadas de efeito
os subterfĂșgios e os hai-kais
anotaçÔes de diårio
de todos os nomes que dei
para crises de adolescĂȘncia
e carĂȘncias plagiadas
de todo o minimalismo
clichĂȘs e letras de mĂșsica
de toda minha literatura
vocĂȘ ainda Ă© a melhor pĂĄgina.

Martha Medeiros
MEDEIROS, M. Poesia Reunida. Porto Alegre: L&PM, 1999.

E as estrelas ainda vĂŁo nos mostrar
Que o amor nĂŁo Ă© inviĂĄvel
Num mundo inacreditĂĄvel

Cazuza

Nota: Trecho da mĂșsica Como jĂĄ dizia Djavan.

CiĂșme nĂŁo Ă© ex

Saudade nĂŁo Ă© ex, tampouco amor. Mas a vida da qual abrimos mĂŁo por um sonho (ou por um erro) Ă© passado. E de escolhas e de perdas Ă© feita a nossa histĂłria. NĂŁo hĂĄ nada que se possa fazer a nĂŁo ser carregar por um tempo um peso sufocante de impotĂȘncia: eu escolhi que aquele fosse o Ășltimo abraço. Agora Ă© outra que se perde em ombros tĂŁo largos, tomara que ela nĂŁo se perca tanto ao ponto de um dia nĂŁo enxergar o quanto aquele abraço Ă© o lado bom da vida. Da vida que te desemprega mesmo depois de tantas noites em claro e de tantos beirutes indigestos. Da vida que te abre uma porta que vocĂȘ jura ser a certa mas quando resolve entrar descobre duas crianças brincando na sala e uma mulher esperando no quarto. Da vida que te confunde tanto que vocĂȘ quer se afastar de tudo para entendĂȘ-la de fora. Da vida que te humilha tanto que vocĂȘ quer se ajoelhar numa igreja. Da vida que te emociona tanto que vocĂȘ nĂŁo quer pensar. Da vida que te engana. Aquele abraço era o lado bom da vida, mas para valorizĂĄ-lo eu precisava viver. E que irĂŽnico: pra viver eu precisava perdĂȘ- lo. Se fosse uma comĂ©dia-romĂąntica-americana, a gente se encontraria daqui a um tempo e eu diria a ele, que mesmo depois de ter conhecido homens que nĂŁo gritavam quando eu acendia a luz do quarto, nĂŁo amavam os amigos acima de, nĂŁo espirravam de uma maneira a deixar um fio de meleca pendurado no nariz, nĂŁo usavam cueca rosa, nĂŁo cantavam tĂŁo mal e tampouco cismavam de imitar o Led Zeppelin, nĂŁo tinham a mania de aumentar o rĂĄdio quando eu estava falando, nĂŁo ligavam se eu confundisse italiano com espanhol e argentino, nomes de capitais, movimentos artĂ­sticos, datas de revoluçÔes e nomes de queijo, era ele que eu amava, era ele que eu queria.

Pouco sei sobre o amor. Apenas lembro-me que o temia e o procurava.

Clarice Lispector
A bela e a fera. Rio de Janeiro: Rocco, 1999.

Nota: Trecho do conto ObsessĂŁo.

...Mais

"NĂŁo fale, amor. Cada palavra, um beijo a menos."

Vou procurar um amor bom para mim - no qual me reconheço e me reencontro, me refaço e me amplio, me exploro, me descubro - se minha imagem interior me levar a isso. O amor mais que tudo nos revela: manifesta nossas tendĂȘncias, o que preferimos e escolhemos para nĂłs.

O acaso tem seus sortilégios, a necessidade não. Para que um amor seja inesquecível, é preciso que os acasos se encontrem nele desde o primeiro instante como os påssaros nos ombros de são Francisco de Assis.

Milan Kundera
A insustentĂĄvel leveza do ser. SĂŁo Paulo: Companhia das Letras, 2022.

O amor verdadeiro tem destas coisas: nĂŁo se explica, nĂŁo se controla, nĂŁo se racionaliza, simplesmente toma conta. É uma droga, um vĂ­cio, uma viagem entre o cĂ©u e o inferno, ida e volta, sem parar.

Tinha sido amor Ă  primeira vista, Ă  Ășltima vista, Ă s vistas de todo o sempre.

O tempo existe para ser desperdiçado, o amor fracassa e a vida Ă© inĂștil.