Indiretas de amor: demonstre interesse com sutileza đ
Acredito, sim, em amores para toda a vida e, além da vida, pois seria um tipo de amor unido à própria alma, e sem alma a vida não tem razão.
O amor, porém, é contagioso, com especialidade na solidão, onde a alma tem necessidade de uma companheira, e quando de todo não a encontra, divide-se ela própria para ser duas: uma, esperança; outra, saudade.
Eu queria ser seu Ășltimo amor. Mas sabia que nĂŁo era. Sabia e a odiava por isso. Eu a odiava por nĂŁo se importar comigo. Eu a odiava por ter me deixado naquela noite. E odiava a mim mesmo por tĂȘ-la deixado ir embora, porque, se eu tivesse sido suficiente, ela nĂŁo teria querido ir embora. Simplesmente teria se deitado comigo, conversado e chorado. E eu a teria ouvido e teria beijado as lĂĄgrimas que caĂam dos seus olhos.
(Quem Ă© vocĂȘ, Alasca?)
O seu amor, a sua ternura, eram apenas um sonho. Mas valeria a pena aceitar sonhar um amor que queremos viver na realidade?
Pois de amor andamos todos precisados! Em dose tal que nos alegre, nos reumanize, nos corrija, nos dĂȘ paciĂȘncia e esperança, força, capacidade de entender, perdoar, ir para a frente! Amor que seja navio, casa, coisa cintilante, que nos vacine contra o feio, o errado, o triste, o mau, o absurdo e o mais que estamos vivendo ou presenciando.
Apesar de tudo, o amor era menos simples do que ele julgava. Era mais forte do que o tempo. O amor, no fim das contas, era feito de inquietaçÔes, de renĂșncias, de pequenas tristezas que surgiam a todo instante.
O amor não acaba. O amor apenas sai do centro das nossas atençÔes. O tempo desenvolve nossas defesas, nos oferece outras possibilidades e a gente avança porque é da natureza humana avançar. Não é o sentimento que se esgota, somos nós que ficamos esgotados de sofrer, ou esgotados de esperar, ou esgotados da mesmice. Paixão termina, amor não. Amor é aquilo que a gente deixa ocupar todos os nossos espaços, enquanto for bem-vindo, e que transferimos para o quartinho dos fundos quando não funciona mais, mas que nunca expulsamos definitivamente de casa.
A flor e seu nome
Mas o que impressiona mesmo no amor-perfeito Ă© o nome. Que responsabilidade, meu filho! HĂĄ por aĂ uma planta chamada de amor-de-um-dia, que nĂŁo carece muito esforço para ser e acontecer, como doidivanas. Outra atende por amor-das-onze-horas e presume-se como sua vida Ă© folgada. HĂĄ tambĂ©m amor-de-vaqueiro, amor-de-hortelĂŁo, amor-de-moça, amor-de-negro... muitos amores vegetais que desempenham função limitada. Mas este aqui nĂŁo tem ĂĄrea especĂfica, nĂŁo se dirige a grupo, ocasiĂŁo, profissĂŁo. Ă absoluto, resume um ideal que vai alĂ©m do poder das flores e dos seres humanos.
Que sentirĂĄ o amor-perfeito, sabendo-se assim nomeado? Que tristeza lhe transfixarĂĄ o veludo das pĂ©talas , ao sentir que os homens que tal apelação lhe dera nĂŁo sĂŁo absolutamente perfeitos em seus amores? Que aquele substantivo, casado a este adjetivo, sugere mais aspiração infrutĂfera da alma do que modelo identificĂĄvel no cotidiano?
A tais perguntas o sĂłbrio amor-perfeito nĂŁo responde. O outono tampouco. Talvez seja melhor nĂŁo haver resposta.
NĂŁo mexa com o amor de um diferente. A menos que vocĂȘ seja suficientemente forte para suportĂĄ-lo depois.
Que Ă© o amor?
A necessidade de sair de si.
O homem Ă© um animal adorador
Adorar Ă© sacrificar-se e prostituir-se
Assim, todo amor é prostituição.
Ela lhe perguntou num daqueles dias se era verdade, como diziam as cançÔes, que o amor tudo podia.
-Ă verdade - respondeu ele - mas serĂĄ melhor nĂŁo acreditares.
Eu mudo constantemente. Sou alegre e triste, grossa e simpĂĄtica, amor e Ăłdio, sorriso e lĂĄgrimas. Todo dia eu acordo e nĂŁo sou mais a mesma de ontem. EntĂŁo Ă© impossĂvel me descrever, dizer o que sou, o que eu gosto ou nĂŁo gosto. Posso querer muito algo por um tempo, e depois ser indiferente a isso. Me canso de coisas, de pessoas, de sentimentos e de lugares. Tudo Ă© incerto e mutĂĄvel demais dentro de mim.
NĂŁo existe perdĂŁo com ressalvas. O verdadeiro perdĂŁo Ă© como o verdadeiro amor pregado por Cristo: Ă© sublime e incondicional.
Bom dia
Olha as flores que eu trouxe pra vocĂȘ, amor.
SĂŁo para comemorar aquele dia
Que passei a viver do teu lado
Eu me lembro, entre nĂłs nĂŁo havia quase nada.
E agora Ă© sĂł vocĂȘ que me faz cantar
E Ă© sĂł vocĂȘ que me faz cantar...
Eu sĂł queria que vocĂȘ soubesse do muito amor e ternura que eu tinha â e tenho â pra vocĂȘ. Acho que Ă© bom a gente saber que existe desse jeito em alguĂ©m, como vocĂȘ existe em mim.
Ama de igual amor o poluto e o impoluto;
Começa e recomeça uma perpétua lida,
E sorrindo obedece ao divino estatuto.
Tu dirĂĄs que Ă© a Morte; eu direi que Ă© a Vida.
O amor Ă© a ocasiĂŁo Ășnica de amadurecer, de tomar forma, de nos tornarmos um mundo para o ser amado. Ă uma alta exigĂȘncia, uma ambição sem limites, que faz daquele que ama um eleito solicitado pelos mais vastos horizontes.
