Indiretas de amor: demonstre interesse com sutileza 😉

Amar Ă© o mesmo que exercitar-nos na simplicidade. O amor nĂŁo complica, porque seu Ășnico desejo Ă© resolver.

Porque eu sou feita pro amor. Da cabeça aos pés.

Fidelidade! Ainda hei de analisĂĄ-la um dia. Entra nela o amor da propriedade. HĂĄ muitas coisas que jogarĂ­amos fora, se nĂŁo temĂȘssemos que outrem a pudesse aproveitar.

Extremos da paixĂŁo

NĂŁo, meu bem, nĂŁo adianta bancar o distante lĂĄ vem o amor nos dilacerar de novo...

Andei pensando coisas. O que Ă© raro, dirĂŁo os irĂŽnicos. Ou "o que foi?" - perguntariam os complacentes. Para estes Ășltimos, quem sabe, escrevo. E repito: andei pensando coisas sobre amor, essa palavra sagrada. O que mais me deteve, do que pensei, era assim: a perda do amor Ă© igual Ă  perda da morte. SĂł que dĂłi mais. Quando morre alguĂ©m que vocĂȘ ama, vocĂȘ se dĂłi inteiro(a)- mas a morte Ă© inevitĂĄvel, portanto normal. Quando vocĂȘ perde alguĂ©m que vocĂȘ ama, e esse amor - essa pessoa - continua vivo(a), hĂĄ entĂŁo uma morte anormal. O NUNCA MAIS de nĂŁo ter quem se ama torna-se tĂŁo irremediĂĄvel quanto nĂŁo ter NUNCA MAIS quem morreu. E dĂłi mais fundo- porque se poderia ter, jĂĄ que estĂĄ vivo(a). Mas nĂŁo se tem, nem se terĂĄ, quando o fim do amor Ă©: NEVER.

Pensando nisso, pensei um pouco depois em Boy George: meu-amor-me-abandonou-e-sem-ele-eu-nao-vivo-entĂŁo-quero-morrer-drogado. Lembrei de John Hincley Jr., apaixonado por Jodie Foster, e que escreveu a ela, em 1981: "Se vocĂȘ nĂŁo me amar, eu matarei o presidente". E deu um tiro em Ronald Regan. A frase de Hincley Ă© a mais significativa frase de amor do sĂ©culo XX. A atitude de Boy George - se nĂŁo houver algo de publicitĂĄrio nisso - Ă© a mais linda atitude de amor do sĂ©culo XX. Penso em Werther, de Goethe. E acho lindo.

No sĂ©culo XX nĂŁo se ama. NinguĂ©m quer ninguĂ©m. Amar Ă© out, Ă© babaca, Ă© careta. Embora persistam essas estranhas fronteiras entre paixĂŁo e loucura, entre paixĂŁo e suicĂ­dio. NĂŁo compreendo como querer o outro possa tornar-se mais forte do que querer a si prĂłprio. NĂŁo compreendo como querer o outro possa pintar como saĂ­da de nossa solidĂŁo fatal. Mentira: compreendo sim. Mesmo consciente de que nasci sozinho do Ăștero de minha mĂŁe,berrando de pavor para o mundo insano, e que embarcarei sozinho num caixĂŁo rumo a sei lĂĄ o quĂȘ, alĂ©m do pĂł. O que ou quem cruzo entre esses dois portos gelados da solidĂŁo Ă© mera viagem: vĂ©u de maya, ilusĂŁo, passatempo. E exigimos o terno do perecĂ­vel, loucos.

Depois, pensei tambĂ©m em AdĂšle Hugo, filha de Victor Hugo. A AdĂšle H. de François Truffaut, vivida por Isabelle Adjani. AdĂšle apaixonou-se por um homem. Ele nĂŁo a queria. Ela o seguiu aos Estados Unidos, ao Caribe, escrevendo cartas jamais respondidas, rastejando por amor. Enlouqueceu mendigando a atenção dele. Certo dia, em Barbados, esbarraram na rua. Ele a olhou. Ela, louca de amor por ele, nĂŁo o reconheceu. Ele havia deixado de ser ele: transformara-se em sĂ­mbolo sem face nem corpo da paixĂŁo e da loucura dela. NĂŁo era mais ele: ela amava alguĂ©m que nĂŁo existia mais, objetivamente. Existia somente dentro dela. AdĂšle morreu no hospĂ­cio, escrevendo cartas (a ele: "É para vocĂȘ, para vocĂȘ que eu escrevo" - dizia Ana C.) numa lĂ­ngua que, atĂ© hoje, ninguĂ©m conseguiu decifrar.

Andei pensando em AdĂšle H., em Boy George e em John Hincley Jr. Andei pensando nesses extremos da paixĂŁo, quando te amo tanto e tĂŁo alĂ©m do meu ego que - se vocĂȘ nĂŁo me ama: eu enlouqueço, eu me suicido com heroĂ­na ou eu mato o presidente. Me veio um fundo desprezo pela minha/nossa dor mediana, pela minha/nossa rejeição amorosa desempenhando papĂ©is tipo sou-forte-seguro-essa-sou-mais-eu. Que imensa misĂ©ria o grande amor - depois do nĂŁo, depois do fim - reduzir-se a duas ou trĂȘs frases frias ou sarcĂĄsticas. Num bar qualquer, numa esquina da vida.

Ai que dor: que dor sentida e portuguesa de Fernando Pessoa - muito mais sĂĄbio -, que nunca caiu nessas ciladas. Pois como jĂĄ dizia Drummond, "o amor car(o,a,) colega esse nĂŁo consola nunca de nĂșncaras". E apesar de tudo eu penso sim, eu digo sim, eu quero Sins.

Caio Fernando Abreu

Nota: ExtraĂ­do do livro Pequenas Epifanias

As nuvens vagueiam no espaço sem lar nem raiz. O Ăłdio nĂŁo Ă© o real, Ă© a ausĂȘncia do amor...

Mais tequila. Mais amor. Mais qualquer coisa. Mais Ă© melhor.

Parei, talvez, de odiar o amor. Mas o amor, na verdade, ficou lå. Duro que nem pedra. Daqueles que não vão embora nem com reza brava. Amor adolescente, pensei. Com certeza, se eu virar mulher, esse amor bobinho passa. Amor de menina boba. Tratei, então, de virar mulher. Quem sabe mudando de casa, esse amor não se mudava de mim? Nada feito. Casa nova, cama nova, novas contas pra pagar. E o mesmo coração idiota. O mesmo amor de sempre. Coisa chata, não?

Do amor conheço os sintomas e os hematomas.

O amor nĂŁo acaba, ele continua em outros lugares.

Mesmo no amor é puramente questão de fisiologia. Os moços querem ser fiéis e não são; os velhos querem ser infiéis e não podem.

Encontrar de novo o amor

Quando vocĂȘ gosta de alguĂ©m de verdade, por mais que vocĂȘ seja forte ou decida nĂŁo sofrer, nĂŁo importa o quĂŁo bem vocĂȘ esteja, o final de um relacionamento Ă© sempre muito difĂ­cil.
Às vezes nĂŁo Ă© sĂł a falta do carinho ou a saudade dos momentos felizes. É tambĂ©m um sentir falta de com quem se preocupar, a quem se dedicar... Como se faltasse uma prĂłpria razĂŁo para seguir... E nĂŁo adianta querer entregar-se Ă s primeiras pessoas que surgirem Ă  tua frente. Isso sĂł piorarĂĄ as coisas. FarĂĄ parecer que todos os outros relacionamentos serĂŁo vazios e superficiais, e isto nĂŁo Ă© verdade.
Ora, vivamos este momento, que isso também é saudåvel ao ser humano, mas também saiamos dele e olhemos o mundo.
Ah... Lancemos o olhar sobre as coisas belas que existem, por que o mundo estĂĄ repleto de beleza! Deixemos de lado este ar, essa tristeza, por que nĂŁo se vive com tristeza.
E todo ser humano precisa ter o dom ou aprender a se reerguer. Precisa aprender a amar, a ganhar, a viver, a perder, entristecer, reviver e encontrar de novo o amor.

Conta-se que havia na China uma mulher
belĂ­ssima que enlouquecia de amor todos
os homens. Mas certa vez caiu nas
profundezas de um lago e assustou os peixes.

O problema do casamento é que se acaba todas as noites depois de se fazer o amor, e é preciso tornar a reconstruí-lo todas as manhãs antes do café.

Gabriel GarcĂ­a MĂĄrquez
O Amor nos Tempos de CĂłlera

Assim que o amor entrou no meio, o meio virou amor.

O amor e as represas sĂŁo iguais: se vocĂȘ deixa uma brecha por onde um fio de ĂĄgua possa se meter, aos poucos ele vai arrebentando as paredes, chega um momento em que ninguĂ©m consegue mais controlar a força da correnteza.

GitĂŁ

Às vezes vocĂȘ me pergunta
Por que Ă© que eu sou tĂŁo calado
NĂŁo falo de amor quase nada
Nem fico sorrindo ao teu lado...

VocĂȘ pensa em mim toda hora
Me come, me cospe, me deixa
Talvez vocĂȘ nĂŁo entenda
Mas hoje eu vou lhe mostrar...

Eu sou a luz das estrelas
Eu sou a cor do luar
Eu sou as coisas da vida
Eu sou o mĂȘdo de amar...

Eu sou o medo do fraco
A força da imaginação
O blefe do jogador
Eu sou, eu fui, eu vou..
Eu sou o seu sacrifĂ­cio
A placa de contra-mĂŁo
O sangue no olhar do vampiro
E as juras de maldição...

Eu sou a vela que acende
Eu sou a luz que se apaga
Eu sou a beira do abismo
Eu sou o tudo e o nada...

Por que vocĂȘ me pergunta?
Perguntas nĂŁo vĂŁo lhe mostrar
Que eu sou feito da terra
Do fogo, da ĂĄgua e do ar...

VocĂȘ me tem todo dia
Mas nĂŁo sabe se Ă© bom ou ruim
Mas saiba que eu estou em vocĂȘ
Mas vocĂȘ nĂŁo estĂĄ em mim...

Das telhas eu sou o telhado
A pesca do pescador
A letra "A" tem meu nome
Dos sonhos eu sou o amor...

Eu sou a dona de casa
Nos pegue pagues do mundo
Eu sou a mĂŁo do carrasco
Sou raso, largo, profundo...
Eu sou a mosca da sopa
E o dente do tubarĂŁo
Eu sou os olhos do cego
E a cegueira da visĂŁo...

Euuuuuu!
Mas eu sou o amargo da lĂ­ngua
A mĂŁe, o pai e o avĂŽ
O filho que ainda nĂŁo veio
O inĂ­cio, o fim e o meio
O inĂ­cio, o fim e o meio
Euuuuu sou o inĂ­cio
O fim e o meio
Euuuuu sou o inĂ­cio
O fim e o meio...

Quando pareço ausente, não creias:
hora a hora meu amor agarra-se aos teus braços,
hora a hora meu desejo revolve teus escombros,
e escorrem dos meus olhos mais promessas.

NĂŁo acredites nesse breve sono;
nĂŁo dĂȘs valor maior ao meu silĂȘncio;
e se leres recados numa folha branca,
não creias também: é preciso encostar
teus lĂĄbios nos meus lĂĄbios para ouvir.

Nem acredites se pensas que te falo:
palavras
sĂŁo meu jeito mais secreto de calar.

Lya Luft
Para nĂŁo dizer adeus. Rio de Janeiro: Record, 2010.

Gastei todas as minhas mentiras na paixĂŁo. Gastei todas as minhas verdades no amor. O que sobrou sou eu.

AULA DE AMOR

Mas, menina, vai com calma
Mais sedução nesse grasne:
Carnalmente eu amo a alma
E com alma eu amo a carne.

Faminto, me queria eu cheio
NĂŁo morra o cio com pudor
Amo virtude com traseiro
E no traseiro virtude pĂŽr.

Muita menina sentiu perigo
Desde que o deus no cisne entrou
Foi com gosto ela ao castigo:
O canto do cisne ele nĂŁo perdoou.

Não quero alguém que morra de amor por mim... Só preciso de alguém que viva por mim, que queira estar junto de mim, me abraçando. Não exijo que esse alguém me ame como eu o amo, quero apenas que me ame, não me importando com que intensidade....Não tenho a pretensão de que todas as pessoas que gosto, gostem de mim... Nem que eu faça a falta que elas me fazem, o importante pra mim é saber que eu, em algum momento, fui insubstituível... E que esse momento serå inesquecível... Só quero que meu sentimento seja valorizado... Quero, um dia, poder dizer às pessoas que nada foi em vão... que o amor existe, que vale a pena se doar às amizades, que a vida é bela, sim, e que eu sempre dei o melhor de mim... e que valeu a pena

Adriana Britto

Nota: Trecho adaptado de um poema muitas vezes atribuĂ­do, de forma errĂŽnea, a Mario Quintana.