Indiretas de amor: demonstre interesse com sutileza 😉

VocĂȘ sĂł saberĂĄ realmente o que Ă© o amor, quando lhe perguntarem sobre ele e vocĂȘ nĂŁo pensar em uma definição, mas em um nome.

AMOR

Amor, entĂŁo,
também, acaba?
NĂŁo, que eu saiba.
O que eu sei
Ă© que se transforma
numa matéria-prima
que a vida se encarrega
de transformar em raiva.
Ou em rima.

Paulo Leminski
Caprichos & Relaxos

INVASOR AMOR

TĂŁo surpreendente Ă© o amor,
Aparece sempre sem avisar,
Muito insinuante e sedutor,
Depressa começa a enfeitiçar.
Encantador e também invasor,
Nem pede licença para entrar,
Começa a penetrar sem pudor,
Deseja o coração arrebatar.
E quando domina o interior,
Não é mais possível disfarçar,
O brilho do olhar Ă© revelador,
O melhor agora Ă© se entregar.

Sonho e amor

Sonho, a gente sĂł se dĂĄ
conta dele depois que acorda, depois que ele acabou.
E fica aquela vontade na gente de sonhar mais um pouquinho.
Existem pessoas que sĂŁo um sonho.
Um sonho pelo qual a gente dormiria a vida inteira.
Mas o destino vem e nos acorda violentamente.
E nos leva aquele sonho tĂŁo bom.
Existem pessoas que sĂŁo estrelas.
Doces luzes que enfeitam e iluminam as noites
escuras de nossas vidas.
Mas vem o amanhecer e nos rouba com toda a sua claridade
aquela estrela tĂŁo linda.
Existem pessoas que sĂŁo flores. Belezas discretas
que alegram o nosso caminho.
Mas com o tempo, as flores murcham,
e nos enchem de saudade de sua cor e de seu perfume.
Existem, finalmente, as pessoas que sĂŁo simplesmente amor.
Um amor doce como o mel de uma flor que desabrochou numa estrela
e que veio até nós num lindo sonho!
E ainda bem que sĂŁo "amor", porque flores, estrelas ou sonhos,
mais cedo ou mais tarde terminam.
Mas o amor...o amor nĂŁo termina nunca.

Mas tantos defeitos tenho. Sou inquieta, ciumenta, åspera, desesperançosa. Embora amor dentro de mim eu tenha. Só que não sei usar amor: às vezes parecem farpas.

Clarice Lispector
A descoberta do mundo. Rio de Janeiro: Rocco, 1999.

Nota: Trecho da crĂŽnica Deus.

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Hå certas horas, em que não precisamos de um amor, não precisamos da paixão desmedida, não queremos beijo na boca e nem corpos a se encontrar na maciez de uma cama. Hå certas horas, que só queremos a mão no ombro, o abraço apertado ou mesmo o estar ali, quietinho, ao lado, sem nada dizer...

Gaste seu amor. Usufrua-o até o fim. Enfrente os bons e os maus momentos, passe por tudo que tiver que passar, não se economize. Sinta todos os sabores que o amor tem, desde o adocicado do início até o amargo do fim, mas não saia da história na metade. Amores precisam dar a volta ao redor de si mesmo, fechando o próprio ciclo. Isso é que libera a gente para ser feliz de novo.

Martha Medeiros

Nota: Autoria nĂŁo confirmada

O nosso amor a gente inventa para se distrair e quando acaba, a gente pensa que ele nunca existiu.

O amor não prospera em coraçÔes que se amedrontam com as sombras.

Se eu sinto falta do seu amor? Como posso sentir falta se ele nunca existiu, nem sei que cara ele teria, nem sei que cheiro ele teria. NĂŁo existiu morte para o que nunca nasceu.

O meu amor agora estĂĄ perigoso. Mas nĂŁo faz mal, eu morro mas eu morro amando.

Um covarde é incapaz de demonstrar amor. Isso é privilégio dos corajosos.

Cartas de amor sĂŁo escritas nĂŁo para dar notĂ­cias, nĂŁo para contar nada, mas para que mĂŁos separadas se toquem ao tocarem a mesma folha de papel.

O amor eterno é o amor impossível. Os amores possíveis começam a morrer no dia em que se concretizam.

Amor Ă© um marco eterno, dominante,
Que encara a tempestade com bravura;
É astro que norteia a vela errante,
Cujo valor se ignora, lĂĄ na altura.
Amor nĂŁo teme o tempo, muito embora
Seu alfange nĂŁo poupe a mocidade;
Amor nĂŁo se transforma de hora em hora,
Antes se afirma para a eternidade.

Ainda que eu falasse a lĂ­ngua dos homens, e falasse a lĂ­ngua dos anjos, sem amor, eu nada seria.

Paulo de Tarso
BĂ­blia, 1 CorĂ­ntios 13:1.

Nota: VersĂŁo adaptada de 1 CorĂ­ntios 13:1.

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O amor é dos suspiros a fumaça;
puro, é fogo que os olhos ameaça;
revolto, um mar de lĂĄgrimas de amantes...
Que mais serĂĄ?
Loucura temperada, fel ingrato, doçura refinada.

O PERMANENTE E O PROVISÓRIO

O casamento Ă© permanente, o namoro Ă© provisĂłrio.
O amor Ă© permanente, a paixĂŁo Ă© provisĂłria.
Uma profissĂŁo Ă© permanente, um emprego Ă© provisĂłrio.
Um endereço é permanente, uma estada é provisória.
A arte Ă© permanente, a tendĂȘncia Ă© provisĂłria.
De acordo? Nem eu.

Um casamento que dura 20 anos é provisório. Não somos repetiçÔes de nós mesmos, a cada instante somos surpreendidos por novos pensamentos que nos chegam através da leitura, do cinema, da meditação. O que eu fui ontem, anteontem, jå é memória. Escada vencida degrau por degrau, mas o que eu sou neste momento é o que conta, minhas decisÔes valem pra agora, hoje é o meu dia, nenhum outro.

Amor permanente... como a gente se agarra nesta ilusĂŁo. Pois se nem o amor pela gente mesmo resiste tanto tempo sem umas reavaliaçÔes. Por isso nos transformamos, temos sede de aprender, de nos melhorar, de deixar pra trĂĄs nossos imensurĂĄveis erros, nossos achaques, nossos preconceitos, tudo o que fizemos achando que era certo e hoje condenamos. O amor se infiltra dentro da nĂłs, mas seguem todos em movimento: vocĂȘ, o amor da sua vida e o que vocĂȘs sentem. Tudo pulsando independentemente, e passĂ­veis de se desgarrar um do outro.

Um endereço nĂŁo Ă© pra sempre, uma profissĂŁo pode ser jogada pela janela, a amizade Ă© fortĂ­ssima atĂ© encontrar uma desilusĂŁo ainda mais forte, a arte passa por ciclos, e se tudo isso Ă© soberano e tem valor supremo, Ă© porque hoje acreditamos nisso, hoje somos superiores ao passado e ao futuro, agora Ă© que nossa crença se estabiliza, a necessidade se manifesta, a vontade se impĂ”e – atĂ© que o tempo vire.

Faço menos planos e cultivo menos recordaçÔes. Não guardo muitos papéis, nem adianto muito o serviço. Movimento-me num espaço cujo tamanho me serve, alcanço seus limites com as mãos, é nele que me instalo e vivo com a integridade possível. Canso menos, me divirto mais, e não perco a fé por constatar o óbvio: tudo é provisório, inclusive nós.

Martha Medeiros
CrĂŽnica "O permanente e o provisĂłrio", 2004.

Nota: Texto originalmente publicado na coluna de Martha Medeiros, no website Almas GĂȘmeas, a 26 de janeiro de 2004.

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Quando lhe jurei meu amor, eu traĂ­ a mim mesmo...

Talvez meu amor tenha aprendido a ser menos amor sĂł para nunca deixar de ser amor.