Indiretas de amor: demonstre interesse com sutileza 😉

O “garoto perfeito” nĂŁo vai simplesmente cair do cĂ©u e se apaixonar por vocĂȘ. O nome Ă© amor, nĂŁo milagre.

Fico com medo. Mas o coração bate. O amor inexplicåvel faz o coração bater mais depressa.

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que nĂŁo seja imortal, posto que Ă© chama
Mas que seja infinito enquanto dure.

Vinicius de Moraes
MORAES, V. de. Antologia Poética. Rio de Janeiro.1960

Nota: Trecho de "Soneto de Fidelidade"

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SĂł o amor, e nĂŁo a razĂŁo, Ă© mais forte do que a morte.

Thomas Mann

Nota: ParĂĄfrase de Link

Quem vive de migalhas sĂŁo pombos e ratos.
Eu quero o amor inteiro!

Amor e Ódio

Tema antigo. Ainda e sempre, ódio e amor, andam juntos através da facilidade através da qual o amor que não encontra resposta apodrece e vira veneno. O que salva e o que eleva é constituído da mesma matéria que fermenta, apodrece e mata.

Qual serĂĄ a quĂ­mica explicativa da transformação sĂșbita do que era busca, procura, sentimento de proteção e dedicação em imediata deterioração e Ăłdio?

A quĂ­mica da transformação do afeto em raiva e da raiva em ação destrutiva, ainda nĂŁo foi medida por nenhum laboratĂłrio da ciĂȘncia. Apenas pela literatura e pela dramaturgia. Ou pelo jornalismo diariamente a espelhar os casos de amor terminados com a destruição de uma das partes.

A psicanålise também examina a questão. E com profundidade. Para ela, o mecanismo de auto destruição ou de destruição do próximo, jå estava presente quando as pessoas resolveram se gostar. O mecanismo destrutivo estå, jå presente, quando as pessoas fazem o que supÔem ser uma escolha livre. Não é escolha, diz a psicanålise: é o atendimento de uma pulsão inconsciente que faz adivinhar no parceiro as condiçÔes para o exercício dos impulsos mais fundos de destruição: ou a própria ou a do outro. Assim diz a psicanålise. Mas a questão continua de pé.

Se era amor, se era tanto, por que, diante da frustração ou da recusa de reciprocidade ele tem que virar ódio?

Se Ă© amor nĂŁo pode nunca ser Ăłdio, proclamarĂŁo em coro os humanistas e os cristĂŁos. NĂŁo era amor!

Quem ama e Ă© rejeitado tem o impulso de Ăłdio e de destruição. É esse impulso (que Ă s vezes pode durar apenas um segundo) que essas histĂłrias populares percebem e ampliam, traduzindo-o numa ação demorada, complexa, planejada, urdida. O pĂșblico adere porque aĂ­ encontra a forma mais simples de ver-se ainda que atravĂ©s do outro; como na dramaturgia e na literatura.

Quem for capaz de conhecer o prĂłprio impulso de Ăłdio poderĂĄ talvez aplacĂĄ-lo, ou diminuir o seu efeito destrutivo.

Quem for capaz de controlar o próprio impulso de ódio talvez até aproveite a energia que estå dentro dele (como nas forças da natureza) canalizando-a para obras e açÔes criadoras e positivas.

Quem for capaz de dirigir o próprio impulso de ódio, talvez despeje a força dele numa atividade artística ou empresarial, desviando-a do objeto amado passível de ser destruído.

Tudo bem. MagnĂ­fico que assim se faça, conforme o caso e conforme a pessoa! TerapĂȘuticas e religiĂ”es (no fundo parecidas) aĂ­ estĂŁo a mostrar o sentido Ă©tico da vida e a importĂąncia de transformar a falibilidade e fraqueza humanas em objeto de meditação e de aprimoramento.

O amor Ă© certo, o Ăłdio Ă© errado e o resto Ă© uma montanha de outros sentimentos, uma solidĂŁo gigantesca, muita confusĂŁo, desassossego, saudades cortantes, necessidade de afeto e urgĂȘncias sexuais que nĂŁo se adaptam as regras do bom comportamento.

Martha Medeiros
MEDEIROS, M. Coisas da Vida. Porto Alegre: L&PM, 2009.

Nota: Trecho da crĂŽnica "Todo o resto"

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Intuição do amor

Por nĂŁo saber de vocĂȘ,
por intuição ou exclusão,
te adivinho, te busco nas minhas memĂłrias,
e te encontro nos sonhos mais loucos,
nos desejos nĂŁo revelados,
os mais desejados


Apenas te busco,
assim, sem posse, sem querer ter,
apenas me largar em teus braços,
e no meio desse abraço envolvente,
ser, estar e conviver.

Dividir o amor sem querer acertar na conta,
nĂŁo quero saber da razĂŁo,
quero conjugar com vocĂȘ,
o verbo permanecer.

No emaranhado dos pensamentos,
no calor dessa noite que nĂŁo queremos que termine,
eu me distraio, viajo em sonhos rĂĄpidos,
vejo o mundo azul, o mar sereno.

O meu peito sem ansiedade,
reflete esse momento
e sinto paz


EntĂŁo,
contemplo o tempo do amor,
sem pressa, sem medo,
por pura intuição.

Olho para o seu rosto,
me distraio e concluo;
viver esse momento com simplicidade,
Ă© um jeito de reafirmar;
que acredito no amor.
Uma maneira de dizer:
eu te amo!

O amor Ă© mais do que eu pensei, Ă© mais do que eu sonhava, e esse amor que eu tanto esperava, sĂł conheci quando encontrei vocĂȘ!

Além do amor

Se tu queres que eu nĂŁo chore mais
Diga ao tempo que nĂŁo passe mais
Chora o tempo o mesmo pranto meu
Ele e eu, tanto
Que sĂł para nĂŁo te entristecer
Que fazer, canto
Canto para que te lembres
Quando eu me for

Deixa-me chorar assim
Porque eu te amo
DĂłi a vida
Tanto em mim
Porque eu te amo
Beija até o fim
As minhas lĂĄgrimas de dor
Porque eu te amo, além do amor!

Vinicius de Moraes

Nota: Composição de Vinicius de Moraes e Baden Powell

Todo o amor que houver nessa vida

O Amor faz cair por terra todas as maldiçÔes.

Ela tem medo da Noite medo de que nunca acabe, Ela costuma fazer amor em pé de dia.

E o amor, o amor, cara. O que eu faço com isso? — VocĂȘ esquece, sei lĂĄ. NĂŁo tem tanta importĂąncia assim.

Bella: Algo de que eu tinha certeza [...] Era que o amor pode dar Ă s pessoas o poder de despedaçar vocĂȘ.

"Apesar de nos sentirmos incapazes de mudar o que estĂĄ errado na gente e no mundo, o Amor ainda Ă© mais forte, e nos ajudarĂĄ a crescer."

Homen Não Prescisa Ser Fiel Porque Quem Vive De Amor É Dono De Motel

O amor Ă© imortal, posto que Ă© chama

O amor é como a febre: nasce e passa sem a menor intervenção da vontade.

Ah, então era por isso que eu sempre havia tido uma espécie de amor pelo tédio. E um contínuo ódio dele. Porque o tédio é insosso e se parece com a coisa mesmo. E eu não fora grande bastante: só os grandes amam a monotonia. (...)
Mas o tĂ©dio – o tĂ©dio fora a Ășnica forma como eu pudera sentir o atonal. E eu sĂł nĂŁo soubera que gostava do tĂ©dio porque sofria dele. Mas em matĂ©ria de viver, o sofrimento nĂŁo Ă© medida de vida: o sofrimento Ă© subproduto fatal e, por mais agudo, Ă© negligenciĂĄvel.

Clarice Lispector
A paixĂŁo segundo G. H. Rio de Janeiro: Rocco, 1998.