Indiretas de amor: demonstre interesse com sutileza đ
O casamento vem do amor, assim como o vinagre do vinho.
O amor entre marido e mulher Ă© uma grossa bandalheira. Ă degradante que um homem deseje a mĂŁe de seus prĂłprios filhos.
Agora, pois, permanecem a fĂ©, a esperança e o amor, estes trĂȘs; porĂ©m o maior destes Ă© o amor.
Sem amor por si mesmo, o amor pelos outros tambĂ©m nĂŁo Ă© possĂvel. O Ăłdio por si mesmo Ă© exatamente idĂȘntico ao flagrante egoĂsmo e, no final, conduz ao mesmo isolamento cruel e ao mesmo desespero.
O Amor
E alguém disse:
Fala-nos do amor:
- Quando o amor vos fizer sinal, segui-o;
ainda que os seus caminhos sejam duros e difĂceis.
E quando as suas asas vos envolverem, entregai-vos;
ainda que a espada escondida na sua plumagem
vos possa ferir.
E quando vos falar, acreditai nele;
apesar de a sua voz
poder quebrar os vossos sonhos
como o vento norte ao sacudir os jardins.
Porque assim como o vosso amor
vos engrandece, também deve crucificar-vos
E assim como se eleva Ă vossa altura
e acaricia os ramos mais frĂĄgeis
que tremem ao sol,
tambĂ©m penetrarĂĄ atĂ© Ă s raĂzes
sacudindo o seu apego Ă terra.
Como braçadas de trigo vos leva.
Malha-vos até ficardes nus.
Passa-vos pelo crivo
para vos livrar do joio.
Mói-vos até à brancura.
Amassa-vos até ficardes maleåveis.
EntĂŁo entrega-vos ao seu fogo,
para poderdes ser
o pĂŁo sagrado no festim de Deus.
Tudo isto vos farĂĄ o amor,
para poderdes conhecer os segredos
do vosso coração,
e por este conhecimento vos tornardes
o coração da vida.
Mas, se no vosso medo
buscais apenas a paz do amor,
o prazer do amor,
entĂŁo mais vale cobrir a nudez
e sair do campo do amor,
a caminho do mundo sem estaçÔes,
onde podereis rir,
mas nunca todos os vossos risos,
e chorar,
mas nunca todas as vossas lĂĄgrimas.
O amor sĂł dĂĄ de si mesmo,
e sĂł recebe de si mesmo.
O amor nĂŁo possui
nem quer ser possuĂdo.
Porque o amor basta ao amor.
E nĂŁo penseis
que podeis guiar o curso do amor;
porque o amor, se vos escolher,
marcarĂĄ ele o vosso curso.
O amor nĂŁo tem outro desejo
senĂŁo consumar-se.
Mas se amarem e tiverem desejos,
deverĂŁo se estes:
Fundir-se e ser um regato corrente
a cantar a sua melodia Ă noite.
Conhecer a dor da excessiva ternura.
Ser ferido pela prĂłpria inteligĂȘncia do amor,
e sangrar de bom grado e alegremente.
Acordar de manhã com o coração cheio
e agradecer outro dia de amor.
Descansar ao meio-dia
e meditar no ĂȘxtase do amor.
Voltar a casa ao crepĂșsculo
e adormecer tendo no coração
uma prece pelo bem-amado,
e na boca, um canto de louvor.
O amor Ă© uma experiĂȘncia pela qual todo o nosso ser Ă© renovado e refrescado como o sĂŁo as plantas pela chuva apĂłs a seca.
