Indiretas de amor: demonstre interesse com sutileza đ
gostoso Ă© ter honestidade
encarar as prĂłprias faces
comunicar sensaçÔes
imaginar junto
avançar lado a lado
e isso também é amor
transparente como ĂĄgua
que o outro vĂȘ alĂ©m
â quando uma mulher ama, dizem
ela estĂĄ estupidamente apaixonada
insensata, alucinada, louca
o amor a fez perder sua cabeça
â Carnaval em Veneza.
Infinito desse mundo,
As mĂĄscaras nunca caem,
Os foliĂ”es vĂŁo ao delĂrio,
PierrĂŽs, colombinas e arlequins,
Numa dança sem fim,
Onde os coraçÔes enrijecidos,
SĂŁo bandidos,
Dedicados ao prazer obscuro,
Se escondem,
Ficam em cima do muro,
Endurecem,
A si,
Aos outros,
Enaltecem,
Romantizando os jogos de perdição,
Torturadores da razĂŁo,
De rostos cobertos,
SĂŁo valores invertidos,
NĂŁo consigo,
Nesse mundo invertido,
Submetido a enganação,
Sou eu a dizer que nĂŁo,
Prefiro a dor da verdade,
O viver sem maldade,
Cheio de intensidade,
Ainda que outros digam,
Que essa Ă© minha fraqueza,
Minha força estå ainda que seja na tristeza,
No derrubar de lĂĄgrimas,
No surto,
No grito,
No verso.
Prefiro a dor da paixĂŁo,
Do amor nĂŁo correspondido,
Do que a frieza daquilo que Ă© contido.
â A SENHA
PaixĂŁo, trago estes versos singelos
escritos com a minha emoção plena
E, neles, a minha inspiração serena
Duma afeição e, satisfação em elos
Trago afeto, nos sentidos paralelos
olhar, gesto, aquela carĂcia amena
Quero agora ter-te em poética cena
e teu corpo haurir delĂrios donzelos
NĂŁo vĂȘs que somos cada um verso
Cada um sentido, na estrofe imerso
insanos amantes, de digno trovador
Somos nós: juntos, leia-me, te peço
Quem mais benquererĂĄ. Confesso...
o amor, a senha, para cĂĄ eu compor
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
31 janeiro, 2023, 19'10â â Araguari, MG
â O processo Ă© assim: conseguimos o que queremos apenas para descobrir que nĂŁo Ă© como pensĂĄvamos!
â Essa Ă© a beleza do processo. Ele nĂŁo nos deixa estagnar. Ele nos força a crescer, e crescer um pouco mais. PorĂ©m, para crescer, temos que trabalhar. E Ă© esse trabalho que precisamos realizar em nĂłs mesmos para chegar ao amor que torna o processo tĂŁo desafiante.
Nada nos faz aprender mais a respeito de nĂłs mesmos e da vida do que os relacionamentos. Falo por mim: aprendi a ser muito grata a meus professores/amantes/parceiros pelas liçÔes que me ensinaram a respeito do medo, da raiva e da carĂȘncia que eram frequentemente camuflados como amor.
Fomos educados para alcançar resultados e nĂŁo para valorizar os processos, esses meios-tempos indispensĂĄveis para irmos construindo a auto-estima e a liberdade necessĂĄrias para fazermos as escolhas capazes de nos trazer felicidade. O meio-tempo Ă© o espaço de aprendizagem em nossas vidas, quando as experiĂȘncias â quaisquer que sejam â nĂŁo sĂŁo objeto de julgamento, mas oportunidades para aprendermos
â Tem dias que dar vontade de entregar os pontos, chutar o pau-da-barraca e desistir de tudo. Tem dias que os outros nos ver sorrindo, mas nem imaginam que por dentro estamos em pedaços. Tem dias que dar vontade de voltar para casa, mesmo sabendo que nĂŁo temos mais para onde ir. Tem dias que bate uma saudade de quem Ă©ramos, pois nĂŁo mais reconhecemos quem somos. E mesmo com tudo isso, todos os dias uma força me renova, fazendo me acreditar que ficarĂĄ tudo bem, que darĂĄ tudo certo, que eu jĂĄ cheguei muito longe para desistir agora.
As pessoas nĂŁo conseguem preencher as nossas necessidades. Podem querer fazĂȘ-lo, podem tentar. Podem nos convencer de que sĂŁo capazes de preenchĂȘ-las, mas nĂŁo Ă© verdade. O que as pessoas podem fazer pelas outras Ă© tornar a necessidade menos urgente.
No meio-tempo, uma das coisas que fazemos Ă© nos tornarmos audaciosos o suficiente para dizermos ou fazermos coisas que nunca dirĂamos ou farĂamos em circunstĂąncias normais. NĂŁo Ă© que nĂŁo devĂȘssemos dizĂȘ-las ou fazĂȘ-las, mas Ă© porque, quando as coisas estĂŁo tolerĂĄveis em um relacionamento, achamos que o melhor Ă© esconder, evitar, negar e resistir. NĂłs nos convencemos de que estamos poupando a pessoa querida da dor e do sofrimento. Mas a verdade Ă© que nĂłs estamos sofrendo! Estamos sufocando nossos sentimentos e nos atormentando. "Por quĂȘ? Por quĂȘ? Por que nĂŁo consigo entender direito esse negĂłcio de amor?" Atormentar-se Ă© o comportamento do meio-tempo que nos faz dizer ou fazer coisas que realmente nĂŁo queremos.
Mais cedo ou mais tarde, todos temos que aceitar o fato de que, em um relacionamento, a Ășnica pessoa com a qual estamos lidando somos nĂłs mesmos.â
Amamos nos outros o que amamos em nĂłs mesmos. Rejeitamos nos outros aquilo de que nĂŁo gostamos, mas nĂŁo conseguimos ver em nĂłs mesmos.
A paciĂȘncia Ă© o elixir da cura para a melancolia do meio-tempo. O desafio, quer gostemos ou nĂŁo, Ă© aprender a ser paciente com nĂłs mesmos.
Cada vez que surge um sentimento, Ă© sinal seguro de que estamos lidando com ele a fim de liberĂĄ-lo. (...) Quando sentimentos e padrĂ”es antigos de comportamento estĂŁo lutando para se perpetuarem, a coisa mais amorosa que podemos fazer Ă© ter paciĂȘncia com nĂłs mesmos e com o que estamos sentindo.
â Lembre-se de que estamos sendo preparados para algo melhor ou protegidos de algo pior.
