Incerto
Diante de um futuro incerto e de um presente ocioso, não vislumbro outra alternativa senão a de me lançar ao risco.
Versos de um Futuro Incerto
A água que escorre, a vida que se esvai,
Nas cristas das ondas, o futuro se desfaz.
As geleiras choram, lágrimas de um tempo ido,
E o homem, em seu trono, parece perdido.
Os detritos espaciais, o céu já não é mais puro,
Cataclismos orquestrados pelo homem, obscuro.
O setor de seguros, um reflexo da tempestade,
A insustentabilidade, a face da modernidade.
A mão do homem, em sua marcha audaciosa,
Revela na Terra cicatrizes dolorosas.
A crise climática, o eco de um grito,
Na dança da morte, o homem é dito.
Nos meus versos a revolta se desenha,
Contra a ação do homem, que a Terra desdenha.
A busca pela máquina, pelo progresso sem freio,
Leva-nos a um abismo, num futuro alheio.
E assim, sob o olhar crítico do poeta,
A saga da humanidade, em verso, é completa.
Mas ao fim da jornada, o que restará?
Uma Terra desolada, ou a luz a brilhar?
Numa reflexão profunda, o poeta se vê,
Parte de um todo, na dor e no prazer.
A missão é clara, salvar o que resta,
Antes que a Terra, de nós, se despeça.
No clima incerto da paixão
Chuva torrencial de emoção
Um raio do teu olhar acende a chama
Em um vendaval que balança minha razão.
Na tempestade da vida
Ressacas de situações...
Desencontro do tempo
Que nenhum tempo sobressai.
O raio de luz desse sorriso basta
Para que queime esse vendaval
Que insiste em ser inebriante, insensato e sem Juízo.
A paixão consome...
O amor conserva, acalma...
Restitui o juízo.
O futuro de um indivíduo é tão incerto quanto a probabilidade de ele ter nascido. Portanto, não desista.
Num compasso incerto do tempo a fluir,
Talvez em outra vida, ou nesta persistir.
Entre risos e lágrimas, dançamos a canção,
O talvez paira no ar, numa eterna confusão.
Nesta jornada intrincada, destinos entrelaçados,
Ou talvez em outra vida, destinos trocados.
Entre sonhos e realidade, no jogo da espera,
Talvez aqui, talvez ali, a vida se revela sincera.
Se o futuro é incerto, não é desperdício utilizar o presente para preparar esse futuro? Qual a garantia de que esse investimento terá retorno?
E foi quando te vi
Olhar doce e quieto
Menino e homem
Seu nome incerto
Uma troca ou outra
Interesse talvez
Com os dias passando
Te verei outra vez
O seu nome já sei
O status temido
Esporte seu lazer
Ah, que sorriso contido
Música é o amor
Escola a sintonia
Seja lá o que for
Pra mim serás sinfonia
A cada passo incerto, o amor vai resistir,
Coração partido, mas não deixa de sentir,
Arriscando tudo, sem medo do final,
Porque o amor à distância pode ser real.
VIDA, PAIXÃO E MORTE
.
.
Há muito tempo, a um vale longínquo,
desceu, resoluto, o incerto profeta,
rolando... das mais altas colinas.
.
Com uma brandura violenta
e uma arrogância singela,
anunciou fundamentos
de uma nova religião
cujo Deus, o maior,
o único Presente,
o Onipresente,
era a divina
Tangerina.
.
“Nós somos
os seus gomos:
Universo onde tudo
com tudo se relaciona”
.
Com sua tímida eloquência
e a confusão mais convincente,
tal profeta, pleno inconsequente,
foi arrebanhando entre as gentes
tantos milhares de seguidores,
que já se tornara uma nação.
.
E por já ser tão poderoso,
a sua verdade foi eleita
como aquela verdade
mais do que perfeita.
.
“Deus – O Inteiro –
É... a Tangerina!
E nós, gomos,
as humildes partes
do Universo Contínuo”.
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Deixar de ser não podia:
escritos foram proscritos
e outros então prescritos
nos áridos verbetes
dos dicionários
– todos estacionários!
Ergueram-se no patamar
das antigas escadas em ruínas
templos refeitos só de escombros.
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Floresceram capelas: gloriosas catedrais
visitadas pelos crentes, adorando a Tangerina.
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Hierarquias foram fundadas, pecados redefinidos;
todas as passagens reservadas
para santos e peregrinos.
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Mas eis que um dia sobe ao Vale,
vindo de um vale mais embaixo
(mas tão elevado quanto colinas),
um novíssimo profeta louco
cujo único mandamento:
Um Universo Descontínuo.
.
“Somos parte sem um Todo;
Não há a pretensa Unidade,
pois o Universo é descontínuo”.
E os seguidores do Outro irritaram-se:
‘Mas que profeta é esse louco?’
Ele nega à Tangerina!’
.
E o novo profeta louco
ia dizendo a seus gomos
que não havia unidade...
Desdizia de tudo um pouco:
na sua eloquente insanidade,
arrebanhava seguidores
num perigo mais premente.
.
Mas antes que, à imagem do Outro,
erguesse um tempo de escombros
para fundar a nova religião,
o Outro mandou que o prendessem:
Sem chances de defender-se, queimou-se
nas cálidas sombreiras... da Santa Inquisição.
.
.
.
Hoje, não sei qual a verdade vigente...
O renitente Santo Graal dos Dementes?
A Virgem Santa das Rainhas Loucas?
As Desteorias do Contra-Diapasão?
A longa lenga-lenga das nove?
Papai do céu do seu bolso?
Teoria da Transpiração?
.
Cá do meu canto me calo.
Que importa? Se todo Templo
é sempre erguido dos escombros?
.
.
[BARROS, José D'Assunção. Publicado na revista Falas Breves, 2024]
Chorando ou sorrindo seguimos.
Chorando ou sorrindo, seguimos a estrada,
com passos incertos, mas alma marcada.
Na dança do tempo, entre céu e abismo,
vencemos os dias em desafio e otimismo.
Há dias de sol, há noites escuras,
em que o coração sente dores mais duras.
Mas é nos tropeços que a força se esconde,
e é no sorriso que a coragem responde.
Nosso papel é a luta, é o riso, é a lágrima,
é o abraço que cura, é o medo que acalma.
É ser ponte entre sonho e destino,
chorando ou sorrindo, traçamos o caminho.
E ao final da jornada, na luz ou na sombra,
o que importa é ter vivido, sem medo, sem honra,
cada desafio, cada verso sentido,
pois chorando ou sorrindo, somos eternos abrigo.
SimoneCruvinel
Mesmo quando tudo ao redor parece incerto, mantenho a confiança de que meu propósito faz tudo valer a pena. Nada desviará meu foco; cada desafio apenas me fortalece. Sei que alguns obstáculos são inevitáveis, mas sempre há uma luz que me guia e me lembra do que realmente importa. É nessa luz que deposito minha confiança.
Moabe Teles
Dia de caos
Onde todo incerto se fez certo
Sento no ponto de ônibus
Vejo vários passando daquela última cadeira
E sinto, sinto frio nas costas
E oque me restou agora, apenas uma fria goteira
Daquele dia de caos.
