Incertezas
"Todo idealismo, toda padronização, tudo que me prende, eu fujo.
Eu jamais serei aquela pessoa bem acertada aos olhos alheios, aquela mais 'bem resolvida', aquela que teve tudo programadinho, e fez. Sempre fui a pessoa dos sentimentos desajustados, das decisões tomadas em momentos de uma intensa e louca coragem. Não que eu não trace metas, é que a minha meta sempre foi não ser presa a isso, ao fato de ceder às pressões de coisas que eu talvez não deva viver.As vidas não são iguais. É comum um pai ou uma mãe querer nos transmitir a herança de padrões, mas, o que eu seria se dissesse que não tenho certeza se quero? A verdade é, ninguém é muito certo de tudo (ou de quase tudo). Muitas decisões mascaradas de certeza foram tomadas com dúvidas presas na garganta.
E eu não irei julgar, porque talvez o momento da maior insanidade pode te impulsionar à melhor decisão da sua vida, aquela que você mais tinha dúvida se tomaria, e como tomaria. E naquele segundo de coragem insana você diz: SIM ou NÃO, pra algo que vai mexer com a sua vida toda dali pra frente. A questão é, eu também não tenho tanta certeza assim, mas, o melhor começo que tenho pra mim mesma é assumir e aceitar: EU NÃO PRECISO TER CERTEZA DE TUDO. E o melhor bem que faço ao mundo é declarar: EU NÃO TENHO CERTEZA DE TUDO! E sem dúvida, os pesos das pressões que as pessoas (aparentemente tão certas, mas apenas receosas de admitirem que não são) colocaram sobre meus ombros desaparecerão, ficarão mais leves, ou... Meus ombros mais fortes. Talvez... Não tenho certeza disso também."
Você diz que entende,
Pelo menos pensa em dizer.
Você diz que sente,
Mas sente sem entender.
Se perde tentando encontrar sentido, sentindo sentir certeza;
Que de todas as dores sentidas;
A maior é sempre a incerteza.
Incerteza que sempre chega na hora certa; como se pouca fosse tua dor; acompanhada de um sorriso indecente, descendente do seu amor.
Se é que é amor...
Nem sei.
Só sei que você pensa que sabe;
Que sente sem mesmo entender.
Se encontra quando perde o sentido;
Mas disso, ninguém precisa saber...
Mas de todas as incertezas da vida, certamente há uma que nunca falha:
Num mar de tantas profundezas;
você atrai aquilo que espalha.
Que seja amor enquanto...
Que seja.
Diálogo a vida
Ah a vida... me fascina, me domina, me faz ver além da retina.
A vida chega-nos assim, sem avisar.
Estamos sempre a caminho do desconhecido.
Primeiro passamos longos meses num mundo provedor, aconchegante e protetor. Esse mundo intrauterino nos acolhe nos alimenta e nos transforma.
Porém, chega um momento em que não nos cabe nele permanecer. Na medida em que nos transformamos ele também se transforma e em terríveis contrações nos repeli.
Nascemos...
Em meio a dores, angústias, medo do desconhecido, um novo mundo se abre para nós e aquilo que parecia ser o fim é o início de um novo ciclo. A vida.
Pode ser que seja doloroso o viver, mas não deixará de ser fonte de inspiração. Estamos em constante processo de transformação e todas as metamorfoses vividas sejam elas positivas ou não, nos inspira a sermos mais fortes, mais leves, mais e/ou menos críticos e como somos com nos mesmos.
A vida é uma incógnita e estamos sempre buscando achar o “X” da questão.
E possivelmente a resolução está exatamente em não acharmos respostas. O resultado sempre nos encontra e na maioria das vezes nos surpreende.
Será esse o segredo. Não fazer planos?
Deixar a vida seguir o seu curso contornando os obstáculos.
Estamos sempre querendo interferir. E é natural somos humanos.
Talvez o problema nem seja tentar descobrir e interferir nos resultados, mas no quanto as descobertas e interferências nos afeta positiva e negativamente.
Parece mais simples quando trocamos as interrogações pelas reticências.
Reticência é vida que segue...
Interrogação é acumulo de bagagem, ansiedade.
Se a sua mochila anda cheia de interrogações. O que acha de tira-la dos ombros e carregar apenas os bons sentimentos, pois é alimento e garantia de forças para mover os passos.
Talvez nos tornássemos leves sem os pesos desnecessários que insistimos em carregar.
A vida não para e o nosso processo continua no Aqui e Agora.
Lutamos para ser no mundo e para vencer o mundo a caminho da plenitude da vida, mas a única certeza que temos é que em temíveis transformações e terríveis contradições o mundo nos vence e nos expulsa.
Morremos...
Mas, será esse o nosso fim?
O que importam as interrogações.
Talvez Aristóteles tivesse razão e o princípio da sabedoria seja a dúvida.
Viviane Andrade
..."Por vezes, vemos as pessoas perderem o futuro, não porque as pessoas não acreditam nele mas, porque elas acreditam em coisas que não tem futuro." ... Ricardo Fischer
O futuro é um espaço preenchido pela fé. Por maiores que sejam os meus cuidados, não tenho nenhuma garantia contra o risco e o erro. Se estou caminhando, sou incapaz de assegurar que no instante seguinte estarei dando mais um passo. Acredito que seja provável que sim, e por acreditar é que eu realmente saio do lugar.
Uma chama avivada pelo calor de nossas almas desconhece as insistências das inquietudes e as incertezas do tempo.
Se fizer tempestade em copo d'água, aprenda dançar na chuva, a boiar no seu mar de infinitas incertezas e desfrutar do que te faz humano.
Aprenda, ninguém nasce sabendo, tenha paciência, tire o melhor de tudo, faça chuva ou faça sol em você, aproveite cada estação, aprenda, viva!
Ela tinha um sorriso meio que triste, meio sorriso, meio cepticismo, um olhar meio que determinado, meio cheio de duvidas, meio cheio de certezas, o jeito dela era meio tímido, meio «quero-me esconder», meio «eu mando nisto». Ela era feita de meios, de contrários, de meias incertezas e de certezas incertas. E era isso que a fazia tão diferente, porque a única certeza que se tinha com ela era que ela sempre estava por perto. Mesmo estando longe, meio que sempre presente, meio que inalcançável, meio que minha, meio que eu.
Estou no meio deste “sei lá”.
O que é o “sei lá”?
Ah, ele se resume a ummundodentrodeummundo...
ainda se fosse omundodentrodomundo, o conceito seria mais fácil de explicar
ou, pelo menos, de entender.
Mas sei lá...
Isto é meio que bom: o não saber.
Não, não... eu me enganei. Isso é ruim!
Ou, talvez, sei lá!
Só sei que, depois que sair desse mundo, vou pra outro ainda sem saber explicar o “sei lá”.
O outro mundo?
Ah, sei lá!
Não se ama duas vezes a mesma mulher, disse Machado de Assis. Também não se sente o mesmo vento duas vezes, não se banha duas vezes em um mesmo rio, não se volta o que já se foi. Estamos em constante movimento, não somos quem fomos e não sabemos quem seremos, temos uma breve imaginação do futuro, e somente isso, imaginação do que queremos ser, uma incerteza.
Portas são mudanças, e mudança é uma necessidade perigosa. Portas são revoluções e convulsões, incertezas e mistérios, eixos em torno dos quais mundos inteiros podem ser girados. São o começo e o fim de uma história verdadeira, as passagens que levam a aventuras e loucuras e até ao amor. Sem portas, os mundos ficariam estagnados, calcificados, sem histórias.
E se olhar para trás fosse um caminho de seguir em frente? Recomeçar?? Nem sempre a chegada destaca-se da partida. É como o ditado do bom filho a casa volta, E se o mundo dá voltas estas mesmas são necessárias.
O que se é
Eu posso ser o mais feliz possível
Ou, devo eu
Ser possivelmente feliz?
Entre adjetivos e substantivos,
Implicâncias gramaticais,
Posso ser o que há em mim agora
E o que há em mim
Nem me disponho a reconhecer.
Tem mora,
Custa conhecimento,
Requer expressão.
O que há em mim
Não cabe em regras literárias,
Pois enquanto é expansivo demais
É desconhecido ao mesmo tanto.
Ora em sombra,
Ora em luz
E muito sobre neblina
Findando então qualquer questionamento sobre mim,
Todavia ordenando todas as certezas que me coloco em hesitar, abnegar.
A sinceridade e a probidade moral de um indivíduo gera confiança, porém, o contrário disso gera apenas dúvidas e incertezas.
