Habito da Leitura
Ode às Sete Belas Artes
Óh! Sete faces do indizível,
sete caminhos
para tocar o invisível.
Sois vós,
Belas Artes,
que traduzis o mundo
quando a palavra falha
e o silêncio transborda.
A ti, Arquitetura,
erguida entre o sonho e o cálculo,
que moldas o espaço
e ofereces abrigo ao tempo,
és o corpo onde a vida acontece.
A ti, Escultura,
que arrancas da matéria bruta
a delicadeza do gesto eterno,
como se o mármore lembrasse
que já foi carne.
A ti, Pintura,
que aprisionas instantes
em cores que respiram,
e fazes da tela
um território onde o olhar se perde
para enfim se encontrar.
A ti, Música,
invisível e absoluta,
que atravessas o peito
sem pedir licença
e reorganizas o caos
em harmonia ou tempestade.
A ti, Literatura,
que fazes do verbo
carne, sangue e memória,
e transformas palavras
em mundos habitáveis.
A ti, Dança,
linguagem do corpo em liberdade,
onde cada movimento
é um grito sem voz
e um poema em movimento.
E a ti, Cinema,
síntese viva de todas as outras,
que costuras tempo, imagem e som
e nos convidas
a sonhar de olhos abertos.
Óh! Artes!
sem vós, o mundo seria raso,
um deserto de sentidos,
uma existência sem eco.
Mas convosco,
até a dor encontra forma,
até o caos encontra ritmo,
até o efêmero
ousa tocar o eterno.
Sois vós
que impedis o humano
de esquecer que sente,
que pensa,
que cria,
e, sobretudo,
que existe para além
da própria existência.
✍@MiriamDaCosta
📆 15 de abril - dia mundial da arte
Ode à Arte
Óh! Arte!
O que seria do mundo sem a Arte?
Seria um corpo erguido
sem alma para habitá-lo,
um grito contido
sem coragem de ecoar.
Seria o cinza
imposto como destino,
a existência reduzida
ao cálculo frio do sobreviver.
Mas tu,
insurgente e indomável,
rasgas o véu da obviedade
e devolves ao humano
o direito de sentir.
És o sopro que colore o caos,
a desordem que revela sentidos,
a ferida que sangra beleza
e a beleza que não teme a dor.
Na tua linguagem
cabem todos os silêncios,
todos os excessos,
todas as contradições de existir.
És abrigo e abismo,
espelho e vertigem,
carícia e ruptura.
E é por ti
que o homem não sucumbe
por inteiro
à brutalidade do mundo
porque onde
a realidade endurece,
tu floresces.
E onde tudo parece
perdido,
tu insistes…
em criar.
✍@MiriamDaCosta
Vejo a atual crise cognitiva generalizada
como consequência
de uma desproporção profunda
entre prioridades e valores.
De um lado,
a digitalização,
onde quase todos já “nascem” ágeis,
rápidos, responsivos, treinados
para tocar, deslizar, reagir.
Do outro,
o processo
de alfabetização funcional,
lento, exigente, silencioso,
que pede tempo, atenção e permanência
para compreender, interpretar, elaborar.
Não se trata, porém,
de uma inteligência ampliada,
mas de uma habilidade deslocada,
onde sabe-se operar,
mas não necessariamente interpretar
e entender.
A velocidade
passou a valer mais
que a compreensão.
A resposta imediata
mais que a reflexão.
O acesso,
mais que o sentido.
E assim
se instaura o descompasso:
muita informação, pouca assimilação;
muita opinião, pouca elaboração;
muito ruído, pouca escuta;
muito falar, pouco dizer.
Talvez...
não estejamos diante
de uma falta de inteligência,
mas de uma inversão
de valores cognitivos,
onde pensar profundamente
se torna quase um ato de resistência.
Em decorrência...
a inteligência artificial
vai desenvolvendo-se
enquanto
a inteligência natural,
quando não estimulada
e exercitada,
corre o risco de adormecer.
Que não venhamos
a assistir, inertes,
à sua entrada
em coma profundo.
✍@MiriamDaCosta
A razão pertence aos parvos.
Muito se discute, chegando-se até ao extremo de agressões verbais e físicas na tentativa de impor a própria razão.
Esse fato, tão instintivamente primitivo, lamentavelmente ilustra o triste processo de perder a razão, mesmo quando ainda existia algum vestígio dela.
A razão é um complexo entrelaçamento de múltiplas razões.
Reconhecer e respeitar essa complexidade são prerrogativas individuais para um processo cívico de crescimento, evolução cognitiva e equilíbrio emotivo nas relações humanas.
Mas…
infelizmente, somos medíocres anões diante dessa gigante capacidade evolutiva que nos habita.
O universo da razão está a anos-luz
do céu ofuscado
pelas razões humanas.
✍@MiriamDaCosta
O contato com a natureza
e a solitudine
são as minhas melhores
formas de prevenção
contra o contágio
dessa sociedade
louca e agoniada.
Manter uma certa distância,
uma margem de segurança,
desses humanos desumanizados
é, sem sombra de dúvida,
uma medicina alternativa
para manter-me
em equilíbrio.
✍@MiriamDaCosta
Ter equilíbrio mental e emocional
em meio ao colapso
de mentes desgovernadas
e emoções em combustão
é um ato de resistência.
Um oásis erguido
no deserto
do descontrole total.
Porque, hoje,
não enlouquecer
já é insurgência.
Manter-se sã e inteira
é quase um crime
numa sociedade
profundamente adoecida,
agressiva e criminosa.
✍@MiriamDaCosta
O oceano chamado internet
está repleto de tubarões famintos...
e de usuários, desatentos,
sangrando suas feridas...
✍@MiriamDaCosta
22 de abril,
Dia do “Descobrimento” do Brasil.
Ou melhor,
o dia da invasão
dos portugueses
em terras indígenas.
22 de abril
não me peça celebração.
Não houve descoberta.
não havia vazio.
não havia silêncio
à espera de um nome estrangeiro.
Havia vida.
corpos.
línguas ancestrais
respirando o mundo
antes de qualquer cruz fincada na areia.
O que chamam de descobrimento
foi ruptura.
foi chegada armada
de um outro deus,
de outra fome,
de outra sede:
de terra,
de ouro,
de domínio.
22 de abril
não é nascimento.
é ferida aberta
na pele originária
deste chão.
No calendário,
marcaram em tinta oficial:
“descobrimento”.
Mas a terra já sabia de si.
Já se reconhecia
no canto dos rios,
na memória das árvores,
no passo leve
dos que a chamavam de mãe.
Então vieram eles,
com mapas nas mãos
e ausências nos olhos,
e ousaram dizer:
“encontramos”.
Como se fosse possível
encontrar o que nunca esteve perdido.
22 de abril
não é o dia em que o Brasil nasceu,
é o dia
em que tentaram renomear
o que já tinha alma.
✍ @MiriamDaCosta
‼️ MULHERES! ‼️
Antes de iniciar um relacionamento
é melhor correr a ficha criminal do indivíduo em uma delegacia( melhor se for numa delegacia da mulher) ou no site Jusbrasil ( é grátis!).
Também exigir um laudo psiquiátrico e um teste específico da neuropsicologia,
para detectar tendências narcisistas entre outros fatores determinantes...
É bom também o teste HIV.
Ficam as dicas para esses tempos complicados e até monstruosos.
✍@MiriamDaCosta
Feminicídio RJ Brasil
“Se você dá mau testemunho dentro da sua casa, torna-se um veneno espiritual para sua família.”
— Anderson Silva
Ser mãe é viver uma história de amor e dificuldade ao mesmo tempo. No Dia das Mães, muita gente lembra dos presentes e das homenagens, mas nem sempre percebe tudo o que uma mãe enfrenta desde a gravidez até a vida adulta do filho.
Tudo começa na gravidez, quando surgem os medos, as dores e as preocupações. Mesmo cansada, ela continua firme, porque o amor pelo filho já existe antes mesmo do nascimento.
Depois que o filho nasce, chegam as noites sem dormir, o cansaço e a responsabilidade de cuidar de alguém tão pequeno e dependente. Mesmo exausta, a mãe sempre encontra forças para cuidar, proteger e dar carinho.
Com o tempo, vêm os desafios de educar. Ensinar o certo e o errado não é fácil. Muitas vezes o filho não entende as regras, responde mal ou acha que a mãe está exagerando, mas tudo isso faz parte do cuidado dela.
Na adolescência, as preocupações aumentam ainda mais. A mãe sente medo das escolhas do filho, das amizades e dos caminhos que ele pode seguir. Mesmo quando ele se afasta, ela continua ali, se preocupando em silêncio.
E quando o filho cresce, a mãe continua sendo mãe. Mesmo na fase adulta, ela ainda se preocupa, sente saudade e quer o melhor para o filho, mesmo sem demonstrar o tempo todo.
O Dia das Mães é mais do que uma simples comemoração. É um momento para reconhecer tudo o que uma mãe enfrenta por amor. Porque, apesar das dificuldades, ela nunca deixa de cuidar, apoiar e amar.
O episódio de 8 de janeiro foi amplamente rotulado como um crime, mas há quem sustente que ele também serviu como instrumento de exemplaridade seletiva. Sob essa ótica, o processo levanta questionamentos sobre a consistência dos julgamentos, a precisão das declarações apresentadas e a solidez das provas utilizadas.
Chama atenção o fato de que nem todos os envolvidos receberam o mesmo tratamento, o que alimenta a percepção de que a punição recaiu de forma desigual. Essa assimetria, por si só, fragiliza a confiança em qualquer narrativa que se pretenda absoluta.
No pano de fundo, permanece uma realidade social persistente: a desigualdade estrutural. A população mais vulnerável continua dependente de políticas públicas para suprir necessidades básicas. Programas assistenciais, como o auxílio ao gás, evidenciam não apenas a atuação do Estado, mas também a permanência de condições que impedem a autonomia plena de grande parte dos cidadãos.
Na vida, quem encontra um amigo verdadeiro descobre um tesouro, e talvez por isso ele pareça cada vez mais raro. Em meio a uma rotina acelerada e relações frequentemente superficiais, a lealdade deixa de ser regra e passa a soar como exceção.
Os sinais dessa escassez aparecem nos lugares mais inesperados. Em situações extremas, como na criminalidade, a ideia de “parceria” se desfaz ao primeiro risco real: quando tudo dá errado, prevalece o instinto de autopreservação. Também no cotidiano institucional, episódios de falha de apoio entre colegas expõem fragilidades que vão além do indivíduo, revelando problemas de preparo, confiança e coesão.
Esses exemplos, ainda que distintos, convergem para um ponto comum: a dificuldade de sustentar vínculos baseados em compromisso genuíno. Não se trata de romantizar a amizade, mas de reconhecer que ela exige algo que não se encontra pronto nas prateleiras, tempo, responsabilidade e presença concreta.
Em última análise, a amizade verdadeira não é produto de conveniência, tampouco mercadoria disponível ao primeiro alcance. É construção contínua, feita de escolhas consistentes e atitudes que resistem à pressão. E, justamente por isso, quando surge, merece ser tratada como aquilo que de fato é: um bem raro e valioso.
Há uma tendência perigosa de minimizar certos atos sob o argumento de que são simbólicos ou inofensivos. Pintar uma estátua pública com batom, por exemplo, pode parecer um gesto pequeno, quase irrelevante à primeira vista. No entanto, a lei brasileira é clara: intervir na integridade de um monumento público, ainda que de forma aparentemente leve, configura infração.
Não se trata de exagero jurídico, mas de um princípio básico de convivência social: o respeito ao patrimônio coletivo. A legislação enquadra esse tipo de conduta como ato de conspurcação, sujeito a pena de detenção e multa. Quando o bem atingido possui valor histórico, a gravidade aumenta, e com razão.
É preciso reconhecer que manifestações e críticas têm espaço legítimo em uma sociedade democrática. Mas há uma linha clara entre expressão e degradação do que é público. Ultrapassá-la não fortalece causas; ao contrário, pode fragilizá-las ao deslocar o debate para o campo da ilegalidade.
Em tempos de tensão social e discursos intensos, vale lembrar: nem todo gesto simbólico é juridicamente neutro, e nem toda intenção justifica o meio escolhido.
É difícil ignorar o sentimento de que, em certos aspectos, a sociedade caminha para trás quando deveria avançar. Ganha força, e com razão, a mobilização em defesa dos animais e contra qualquer forma de crueldade. Trata-se de uma pauta legítima e necessária. No entanto, essa sensibilidade seletiva suscita um questionamento inevitável: onde se insere, nesse debate, a proteção à vida humana?
Evidentemente, não se trata de estabelecer uma hierarquia simplista entre causas, nem de negar a importância do bem-estar animal. Mas há quem veja com preocupação a naturalização de decisões que envolvem a interrupção da gestação, interpretando-as como um sinal de desvalorização da vida em suas fases mais iniciais. Para esses críticos, o tema exige mais reflexão ética e menos soluções apressadas.
Sob essa ótica, o problema central não reside apenas nas escolhas individuais, mas na ausência de políticas públicas robustas que ofereçam apoio real a mulheres em situação de vulnerabilidade. Em vez de respostas que se limitem ao ato final, seria mais responsável investir em educação, acolhimento, assistência social e acesso à saúde, medidas capazes de ampliar alternativas e reduzir dilemas extremos.
Em um cenário ideal, o compromisso coletivo deveria ser com a dignidade em todas as suas formas: proteger os animais, sim, mas também assegurar que nenhuma pessoa seja deixada sem orientação, suporte ou perspectiva. Afinal, uma sociedade verdadeiramente progressista não escolhe quais vidas merecem atenção, ela se empenha em cuidar de todas.
Na vida, não há indivíduos insubstituíveis nem relações que se sustentem apenas na ideia de exclusividade. Por mais significativo que alguém possa ser para outra pessoa, a ausência de respeito mina qualquer possibilidade de convivência saudável e duradoura. Relações não se mantêm por apego cego, mas por reciprocidade e dignidade.
É ilusório, para não dizer ingênuo, acreditar-se acima dessa lógica. Quem se julga indispensável revela, na verdade, uma compreensão limitada das dinâmicas humanas e do valor essencial do respeito mútuo.
- Relacionados
- 45 frases sobre a importância da leitura (ler faz bem)
- Frases sobre leitura que mostram a magia das palavras
- 47 frases sobre leitura infantil para incentivar esse hábito
- Poemas sobre leitura
- Frases de incentivo à leitura para te motivar a ler mais livros
- Frases sobre livros e leitura
- Frases sobre leitura e escrita
