Ode às Sete Belas Artes Óh! Sete faces... Miriam Da Costa

Ode às Sete Belas Artes


Óh! Sete faces do indizível,
sete caminhos
para tocar o invisível.


Sois vós,
Belas Artes,
que traduzis o mundo
quando a palavra falha
e o silêncio transborda.


A ti, Arquitetura,
erguida entre o sonho e o cálculo,
que moldas o espaço
e ofereces abrigo ao tempo,
és o corpo onde a vida acontece.


A ti, Escultura,
que arrancas da matéria bruta
a delicadeza do gesto eterno,
como se o mármore lembrasse
que já foi carne.


A ti, Pintura,
que aprisionas instantes
em cores que respiram,
e fazes da tela
um território onde o olhar se perde
para enfim se encontrar.


A ti, Música,
invisível e absoluta,
que atravessas o peito
sem pedir licença
e reorganizas o caos
em harmonia ou tempestade.


A ti, Literatura,
que fazes do verbo
carne, sangue e memória,
e transformas palavras
em mundos habitáveis.


A ti, Dança,
linguagem do corpo em liberdade,
onde cada movimento
é um grito sem voz
e um poema em movimento.


E a ti, Cinema,
síntese viva de todas as outras,
que costuras tempo, imagem e som
e nos convidas
a sonhar de olhos abertos.


Óh! Artes!
sem vós, o mundo seria raso,
um deserto de sentidos,
uma existência sem eco.
Mas convosco,
até a dor encontra forma,
até o caos encontra ritmo,
até o efêmero
ousa tocar o eterno.


Sois vós
que impedis o humano
de esquecer que sente,
que pensa,
que cria,
e, sobretudo,
que existe para além
da própria existência.
✍@MiriamDaCosta