Ha mil Razoes para Nao Amar uma Pessoa
A beleza destruirá o mundo. Quando tudo é medido apenas pela utilidade, não há espaço para o feio, o inútil ou o louco, e com isso, toda criatividade morre, tornando a vida injusta.
Há janelas que não obedecem ao vidro.
Às vezes deixam o mundo entrar em silêncio, como quem abre cortinas para um sol tímido que ainda não sabe se é manhã ou memória. Outras vezes, sem aviso, devolvem o olhar com força: viram espelho e mostram aquilo que a gente tenta fingir que não vê.
E há dias piores, em que a mesma abertura se desfaz em abismo — não por maldade, mas por profundidade. Como se a paisagem tivesse desistido de ser paisagem e resolvesse encarar de volta.
Talvez não seja a janela que muda. Talvez seja o olhar que aprende, ou se perde, no que ela decide refletir.
Há momentos em que dizer “não sei” exige mais inteligência, coragem e honestidade do que construir uma resposta.
Entre a certeza de que Deus existe e a certeza de que Deus não existe há um espaço intelectualmente raro: a coragem de suspender o julgamento.
Há fronteiras que não diminuem o pensamento; são precisamente elas que impedem que o pensamento se perca no próprio excesso.
Há batalhas em que vencer o adversário é fácil; difícil é não se tornar semelhante àquilo que combatemos.
Há ideias que não são difíceis de compreender; são difíceis de abandonar depois que compreendemos suas consequências.
