Ha mil Razoes para Nao Amar uma Pessoa
Ainda há tanta dor em mim, que já não sei mais como disfarçar
Será que um dia ela irá, ao menos, amenizar?
A solidão é um caminho longo.
E, confesso, ainda estou tentando aprender a caminhar por ele.
Sinto falta dos abraços.
Falta do que assistiríamos mais tarde, da sua voz nos chamando para jantar.
Agora, é só um vazio.
Um silêncio sem sorrisos, uma imensidão de dor, e o medo das lembranças que ainda virão.
A solidão é fria. É escura.
Tenho lutado para não deixar minha lanterna sem bateria,
porque ela é a única esperança de que um dia eu encontre algo — ou alguém — para me conectar de novo.
Estou exausta da dor que o mundo insiste em trazer.
Não estou suportando te perder.
E, sinceramente, não sei se irei suportar me despedir pela última vez.
Mas, dessa vez, mesmo com o peito rasgado,
eu decidi enfrentar a solidão.
E talvez, nela, eu consiga fazer o amor que sinto por você continuar existindo de alguma forma.
K.B."
Não há apoio para o amor... como eu já lhe disse: dar amor é, precisamente e essencialmente, não dar nada do que se tem, porque é precisamente na ausência de algo que existe uma questão de amor.
Há amizades que a distância não impede, a idade não limita ou explica e a razão não alcança; simplesmente acontecem, como um inexplicável reconhecimento entre corações, talvez vindas de algum lugar onde o sentimento já existia antes mesmo do encontro.
Não fomos um daqueles amores cheios de encantos
Mas tudo bem, há flores que nascem só para enfeitar o campo
Foi só paixão, eu sei, mas foi intensa
Daquelas que acendem sem pedir licença
Forte brisa, que o vento levou
Um perfume que nunca ficou
Mas há beleza no que não persiste
Como o pôr do sol, que apenas existe
Palavras guardadas, um olhar sem fim
Fantasmas de um beijo que não teve um sim
Tua ausência não pesa em dor
Mas em traço sutil de um quase amor
Faltou só o tempo, ou talvez coragem
Mas sobrou poesia nessa passagem
Será ilusão ou um destino escrito?
Doce enigma em versos infinitos
O mistério dança no olhar ardente
Palavras não ditas, desejos latentes
Nem chegamos a ser memória
E tem dias que pesa, como se tivéssemos sido história
Por mais que isso possa caber a muitas histórias de um quase amor, um clichê
Não me importa, porque essa realmente eu fiz só pra você.
Bens materiais não são permanentes, pessoas se transformam em robôs, mas se esquecem que há muita dependência dos seres humanos, sem eles não há Inteligência Artificial que sobreviva.
Ego, em latim, significa "eu".
Não há como viver sem o ego, pois o ego sou eu.
O ego que não aceito em mim é o "eu" que me recuso ser.
É preciso admitir para si aquilo que no fundo ama de verdade; não há como fugir, pois mesmo fugindo, o sentimento te coloca novamente em direção àquilo que ama.
O AMANHÃ NÃO ESTÁ PRONTO
WILLIAM CONTRAPONTO
Não basta levantar cidades ao chão,
se há vidas sem portas para atravessar,
não basta prometer alguma transformação,
se o povo continua sem lugar.
Um país não começa na bandeira,
nem termina no discurso oficial,
começa quando a vida verdadeira
deixa de ser tratada como detalhe banal.
Que a escola ensine a pensar sem tutela,
que a ciência não conheça um patrão,
que o jovem possa escolher sua janela
sem depender do acaso ou da posição.
Que a casa seja mais que quatro paredes,
que a saúde não dependa da sorte,
que ninguém tenha de carregar suas redes
como quem procura sozinho o próprio norte.
Que os trilhos atravessem as distâncias,
levando gente, trabalho e direção,
que a indústria transforme nossas esperanças
em conhecimento, emprego e produção.
Que a terra produza sem ferir a floresta,
que o campo tenha futuro e dignidade,
que o progresso não cobre uma dívida desonesta
daqueles que sustentam a sociedade.
E se houver riqueza escondida no chão,
que ela não termine apenas em dinheiro:
que vire escola, pesquisa e profissão,
que deixe conhecimento no país inteiro.
Não quero uma pátria feita de unanimidade,
onde discordar seja considerado traição;
quero uma democracia com liberdade
para a pergunta, a crítica e a contestação.
Porque ouvir não significa concordar,
e vencer não significa ter sempre razão;
às vezes é preciso perder para escutar
aquilo que faltou à nossa decisão.
Que o governo saiba também se questionar,
que o poder não se confunda com verdade,
que o povo possa entrar, falar e participar
sem pedir licença à autoridade.
Se o orçamento nasce da população,
que volte à população em forma de ação;
não quero promessa vestida de eleição,
quero palavra transformada em realização.
Talvez nenhum projeto alcance a perfeição,
talvez todo caminho carregue algum erro;
mas um país que aceita a correção
já começa a vencer o próprio medo.
Não somos o futuro que alguém desenhou,
nem o passado que insiste em permanecer;
somos aquilo que ainda não se completou,
somos a pergunta que escolheu viver.
Amanhã não pertence ao poder,
nem nasce pronto na mão de alguém;
é escolha de quem decide fazer
do próprio caminho, um caminho também.
Há amores que não terminam porque nunca começaram. Terminam quando finalmente entendemos que não haverá lugar para eles.
