Ha de ser Forte sem Jamais Perder a Docura
O tempo, esse abismo silencioso entre um lugar e outro, recorda-nos que talvez busquemos nos galhos aquilo que só pode ser encontrado nas raízes.
Como as águas escuras do Rio Negro, cheias de mistérios, assim eu te imagino.
Desconcerto-me diante dos teus encantos, dessa beleza estonteante que me torna simples e me faz apenas me deixar levar.
Pode até me chamar de Solimões. Serei apenas o curso do teu prazer.
Ecos da alma, capazes de nos levar para tão longe, mas também de nos trazer para mais perto quando nos permitimos compreendê-los.
É verão de dezembro. O sol foi tão gentil enquanto eu buscava as palavras de alguns versos. Versos estes que mexiam com a minha inquietude, aquela que não doma o mundo selvagem lá fora, mas que é suficiente para me fazer vagante.
Para entender a dimensão das águas, sua força e o curso de um rio, é preciso, primeiro, conhecer as suas nascentes. Algumas pessoas levarão dias, meses ou anos; outras, uma vida inteira.
Ainda que eu caminhe nos trilhos que a vida reserva para mim, o tempo e o vento, às vezes, insistem em mudar o rumo, como se soubessem que certos desvios são necessários para nos levar exatamente onde precisamos estar.
É incompreensível que ainda existam guerras que se pretendam santas na Terra. Talvez, no invisível que não nos é dado enxergar, até santos e anjos se enfrentem em combates que escapam ao entendimento humano, como se toda luta, em sua essência mais misteriosa, fosse uma tentativa de tocar aquilo que habita o reino do indizível.
O que eram apenas resquícios… tuas águas ainda fluem em meu peito. Guardadas no silêncio das profundezas do oceano, podes ouvir a minha voz, pois sou onde o mar deságua os teus pensamentos.
O sono é leve para os caminhantes noturnos.
Meus pensamentos ainda esbarram nos seus e, nesse silêncio, você retorna como uma febre que não passa.
A vida é movimento, como as quatro estações em eterno retorno.
É vento que semeia caminhos invisíveis, sol que desperta a terra adormecida, primavera que rompe o silêncio em flores.
É chuva que cai sem pressa e nunca regressa sem antes transformar tudo o que toca.
Poesias vêm carregadas de segredos que atravessam o silêncio profundo e fazem um barulho ensurdecedor.
Quando as flores do seu jardim já não têm o mesmo fulgor, a mesma cor, o mesmo perfume… não adianta apenas regá-las. Antes de tudo, é preciso mudar as raízes.
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