Ha de ser Forte sem Jamais Perder a Docura
Inverno
Há tanto frio no corpo
Por falta de um cobertor…
Há tanto frio na alma
Por ausência de amor.
Socorro, Candoca!...
Ainda há pouco, umtantoquanto envergonhado por me atrever, mesmo assim septuagenariamente, a beber cada gota de ternura no doce sorriso e brilhantes olhos da valente e combativa professorinha Candoca, lindíssima protagonista da novela Mar do Sertão, não pude me furtar de pensar:
- Que pena isso, quando somos levados a abrir mãos de nossas acinzentadas realidades cotidianas, em prol de anestesiantes ficções, onde ali tudo parece se encaminhar naturalmente para esperadas soluções políticas, legais e comunitárias...
Focando em sua coragem para enfrentar aquele prefeito corrupto, e neste nosso quase sempre espúrio ativismo político nacional, então, percebemos o assustador abismo existente entre os decrescentemente pacatos, decentes e produtivos cidadãos, e a vergonhosamente crescente comunidade política, eles quase todos que só fazem explorar a sociedade mandato após mandato, desprezando ostensivamente as classes mais humildes da sociedade enquanto quase diuturnamente buscam se locupletarem ilícita e impunemente com dinheiro público das mais inimagináveis maneiras surrupiadoras.
E que tal seria lembrarmos as verbas das Emendas Parlamentares, os famigerados "orçamentos secretos" do Senado e da Câmara dos Deputados, isso que lembra nitidamente o antigo mensalão petista, verdadeiros acertos políticos entre amigos, que dispensam os burocráticos trâmites oficiais enquanto são quase instantaneamente distribuídas via Pix a sabe-se lá quem?... No mínimo nojento tal método político-administrativo de distribuição de dinheiro público, mas quem mesmo os reelege assim, quase vitaliciamente?
Sendo assim, que venha imediatamente o Parlamentarismo puro... mas sem corrupção.
Sem o menor vislumbre de possibilidade de retorno ao passado corruptamente avassalador, e não aceitando o atualmente "embaralhado" estado de coisas oficial, sou pela renovação maciça em todos os poderes e níveis de governança.
Socorro, Candoca! Mas que tal aquele seu sotaque feminino do sertão nordestino, então? Simplesmente apaixonante...
Armeniz Müller.
...Oarrazoadorpoético.
E ele fez tanto e por tanto tempo, que há quem se convenceu de que o suporte haveria de continuar, indefinidamente, mesmo já extinta a relação.
Gaiola
Fico só a imaginar
Pássaros que vêm e vão…
Quanto a mim, aprisionado,
Há anos nesta gaiola
Não sei mais sequer voar
E nem se um dia irei embora
Sinto as asas já ceifadas
Sem forças para mais nada
Só me resta, no momento,
Suportar tal punição
Com os restos do coração
E as sobras do pensamento
Meu crime foi ser tão belo
Além de ter suaves penas
E ser tão bom cantador
Enquanto cumpro a dura pena
Eu entoo este poema
Pra amenizar tamanha dor.
GAROA
Pois há gente que labuta
Por toda uma eternidade
Sonhando, algum dia,
Alcançar a felicidade.
Confunde tal sentimento
Com vitória ou com sucesso
Sem perceber que ele é parte
E não o fim de um processo
Ser feliz é desfrutar
Das gotinhas da garoa
Ao invés de esperar
Um temporal pra se encharcar
Você é seu próprio juiz
Então, decida ser feliz!
Fartura
Se há fome, desconheço…
Sou guloso, reconheço
Sempre bem alimentado
Tenho até mesmo engordado
Eu me nutro com cereal,
Carne, fruta e vegetal…
E, às vezes, de surpresa,
Saboreio sobremesa
Minha vida se resume
Em fartura e capricho
Deixe que eu me apresente:
Meu nome é Saco de Lixo.
Pai e Filho
Conforme fogem os dias
A vida também se esvai…
Mas há graças que não passam
Como a bênção de ser filho
Como o dom de ser um pai
Pense só por um momento
Como é bom ser pai e filho
Pois Deus, com todo o seu brilho,
É os dois ao mesmo tempo!
Porque, para com Deus, não há acepção de pessoas.
Porque todos os que sem lei pecaram, sem lei também perecerão; e todos os que sob a lei pecaram, pela lei serão julgados.
Porque os que ouvem a lei não são justos diante de Deus, mas os que praticam a lei hão de ser justificados.
Porque, quando os gentios, que não têm lei, fazem naturalmente as coisas que são da lei, não tendo eles lei, para si mesmos são lei;
Os quais mostram a obra da lei escrita em seus corações, testificando juntamente a sua consciência, e os seus pensamentos, quer acusando-os, quer defendendo-os;
No dia em que Deus há de julgar os segredos dos homens, por Jesus Cristo, segundo o meu evangelho.
Não entendo porque vim há esse mundo, será que é só para sofrer , não sou feliz e ainda sim sou obrigada a me submeter em situação constrangedora e nojenta.
Será que se eu estivesse tomado uma atitude diferente alguns anos atrás, eu estaria nesse caos deplorável e deprimente.
Bom eu sinceramente não sei , mas gostaria que minha vida fosse outra .
Mote
Num ponto do infinito
há um planeta azulado,
enquanto gira de lado
visto de longe é bonito…
Diz-se aqui no Galapito
que há lá um certo animal
que se faz um maioral
e pensa que sabe tudo,
como um grande cabeçudo
da poeira Universal.
Glosas
I
Diz o povo aqui da Corte,
do lugar aonde estou,
que o ponto p`ra onde vou
é sítio de gente forte…
Vou entrar no Pólo Norte
para ver se ali medito,
um prazer que necessito
P`ra gelar o meu sentido
e passar despercebido
num ponto do infinito.
II
É ali no pedregulho,
que aqui comparto e vejo,
onde está o Alentejo
que descansa sem barulho…
Há quem diga que é orgulho,
há quem diga que é um fado,
que se leva descansado,
nas guerrilhas desse mundo,
e vejo que lá ao fundo
há um planeta azulado.
III
Confesso estou curioso
p`ra chegar ali depressa,
onde dizem que a cabeça
tem um dom meticuloso…
Viajando o céu viçoso
avanço no céu estrelado,
o percurso é encantado,
o destino bate certo,
no azul que fica perto
enquanto gira de lado.
IV
Quero ver a cor das serras,
nessas grandes altitudes,
e passar desertos rudes
que apagam outras terras…
Também quero ver as guerras,
para ver se eu acredito
no que a Corte me tem dito
e não quero acreditar,
mas olhando esse lugar,
visto de longe é bonito.
V
Com a nave desengatada
vejo algumas claridades,
talvez sejam as cidades
da parte mais abastada…
Noto a porção anilada,
durante o soar de um grito,
que soa como um apito
e zune como um consolo.
- Vamos ver esse bajolo!
Diz-se aqui no Galapito.
VI
A nave sorri em festa
pelo azul dos oceanos,
que exibem aos humanos
a frescura que lhes resta…
Dizem que à hora da sesta
esse anil é divinal,
no austro de Portugal,
onde está uma cicatriz,
toda a nave aponta e diz
que há lá um certo animal.
VII
O Galapito avança mais
para ver mais à vontade,
e reparo outra verdade
destapada por sinais...
São fumaças colossais
vindas lá do corpo astral…
Penso que algo está mal
nesses tons que não se somem,
e que ficam mal ao Homem
que se faz um maioral.
VIII
Vejo a Lua olhar p´ra mim
como uma Deusa do céu,
a sorrir de corpo ao léu
e a benesse não tem fim…
É ditosa em ser assim,
com um ar sempre amorudo…
Enquanto me quedo mudo,
penso nessa criatura,
que é pomposa na figura
e pensa que sabe tudo.
IX
Lá em baixo oiço trovões,
ou estouros das disputas,
que são o maná das lutas
e o pesar dos corações…
Entre as muitas criações,
de cariz grave e agudo,
avisto o animal taludo
entretido nessa esgrima,
que diviso aqui de cima
como um grande cabeçudo.
X
Finalmente, o meu destino,
entre a sombra dos chaparros,
nesses campos tão bizarros
dos meus sonhos de menino...
Dou um salto repentino
para as mãos dos chaparral,
onde tudo é sempre igual
e onde não me sinto só,
como um grãozinho de pó
da poeira universal.
Onde não existe espontaneidade não existe liberdade e onde não há liberdade, há um presídio, mesmo que de portas abertas.
Nada nessa vida é por acaso, há momentos na vida que apesar de serem ruins tornam-se lições importantes que carregamos para vida toda e de fato todas essas experiências enriquece-nos de sabedoria construindo uma fortaleza interna capaz de dar-nos resistência para enfrentarmos adversidades maiores a cada dia.
Não existe mais o "lá". O que tenho é só o "aqui".
Não há pra onde voltar...pois eu não vejo mais os caminhos que percorri.
Demorei tanto pra chegar e continuo sem saber direito pra onde ir.
Olhando para trás só vejo mata fechada; sem pistas ou pegadas...sou grata por tudo que vivi. Agora só tenho uma estrada; ando sem pressa e ainda sem ver linha de chegada, mas flertando com tudo de belo que há por vir...
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