Ha de ser Forte sem Jamais Perder a Docura
UM LADO
Tenho um lado que ninguém vê...
Tenho um lado que ninguém viu
Onde há essência em meu ser
Que transborda naquilo que crio...
Tenho um lado que vive livre...
Que não se prende a ninguém
Tenho um lado que vive triste
Por medo de quem o detém...
A minha natureza é diferente...
Mas requer toda a felicidade
Que não se encontra latente
Onde não se há cumplicidade...
Eu apenas exijo de um outro...
Que tenha e que possa me dá
Todo esse apoio, esse conforto
Que nunca acaba quando doar...
Sendo sensível e melindroso...
Que no poder do amor acredita
E o que restar sendo duvidoso
A gente somente cala e evita...
(UM LADO - Edilon Moreira, Outubro/2024)
SONETO À LUMINOSIDADE
Há em tanta luminosidade...
A paz que enche um lugar
Feita à mão por divindade
Perfeita a quem a encontrar...
E longe viver da maldade...
Que o humano teima em criar
Em claro mar da serenidade
De sal branco se purificar...
E sob a benção do sagrado...
A cada minuto contado
Nas águas vir se banhar...
Enquanto há vento soprado...
O pecado é decantado
Mas sem a alma turvar...
(SONETO À LUMINOSIDADE - Edilon Moreira, Agosto/2018)
ESTRELAS
Devia contar as estrelas...
E saber a quantidade que há
E quando quisesse revê-las?
Ter nomes para as chamar...
Devia o amor ser estrela...
Pra vida ser luz de partilhar
Acesa por dentro... Mantê-la
À força do bem e do olhar...
Queria no céu mais estrelas...
Na noite em que se nublar
Pairadas sobre minhas telhas
E cintiladas ao escuro mar...
Queria de bem perto vê-las...
E sentí-las, quando as tocar
Então, viraria as centelhas
Partidas ao me despencar...
(ESTRELAS - Edilon Moreira, Dezembro/2017)
Há que se dar meia volta e voltar à razão
O Brasil e o mundo vivem um momento ímpar, e perigoso, muito perigoso, da história da humanidade.
O princípio da autoridade democrática se esvai e valores como dignidade, trabalho, honra, estudo, disciplina, respeito ao semelhante, ao bem público, à propriedade material e intelectual, respeito à criança e ao jovem, direito de ir e vir, gratidão (ah! A gratidão), foram substituídos pelos valores materiais.
Simples assim!
Os interesses menores, que nos voltaram para nossos próprios umbigos, nos tornaram céticos, como diz o Chaplin em seu discurso.
Vou além, nos tornaram amargos! Graças a tanta propaganda, passamos a valorizar a casca, não o interior; passamos a nos deter no contentor, não no conteúdo; passamos a comprar pacotes, não presentes; passamos a dar valor às grandes festas, não às singelas reuniões de amigos; passamos a levar para casa o discurso, não o foco da questão; passamos a comprar o livro pela capa, não pelo escritor ou pelo que escreve; passamos, enfim, a ficar no supérfluo, não nos aprofundando na alma da pessoa que nos fala.
Perdidos nesse emaranhado de ilusões que construímos para nós mesmos, passamos a ver valor nas pessoas “saradas”, homens e mulheres; a ver como companheiro ou companheira ideal, a pessoa que se enquadre no “padrão” que nos foi vendido durante toda uma vida.
Usamos de todas as artimanhas, malhação, emagrecimento, operações das mais diversas, tingimentos e fingimentos, mas não saímos do quadrado!
Assim, “nos enquadramos” em uma Sociedade que se esqueceu como Humana, que se esqueceu como reflexo de um ser maior, bondoso, incrivelmente gentil, incrivelmente amoroso, eterno em sua sabedoria.
O que era para ser complemento passou a ser o principal, e o principal ficou esquecido em um canto de armário, cheio de poeira e teias de aranha, pedindo, clamando, por limpeza e arrumação, voltando, assim, as coisas aos devidos lugares.
Uma vida segura é construída de realidade, de leitura séria, de estudo, de trabalho, de “jogo duro”, de responsabilidade, de honra, de gratidão, não de fantasia!
Perdidos em nós mesmos esquecemos nossas origens, esquecemos que fomos feitos com o que há de melhor no Universo – Espírito, Filosofia, Sentimento e Matéria, um apoiando ao outro na medida certa, e no momento certo.
Esquecemo-nos que Educação não é a imposição de nossos conceitos, não raramente ultrapassados, mas, sim, a arte de se colocar no lugar do outro, de caminhar ao lado, para compreender a fala e as necessi-dades do educando.
Não estamos mais acostumados à bondade, à gentileza, e deveríamos
Não estamos mais acostumados ao “deixa prá lá”, ao perdão, que nos redime e eleva.
Isso é fundamental!
E não estamos mais acostumados à felicidade que, quando alcançada, nos mostra o que é a vida, de fato, nos mostra o que é SER HUMANO.
Esquecemo-nos do que é ser amigo, mas amigo de fato!
E, infelizmente, nos esquecemos dos verdadeiros amigos, nos esquivamos do afeto, nos esquivamos da alegria de uma conversa interminável, de um afago, de um sorriso, de uma dança com a pessoa querida, de uma visita, um almoço com os “velhos”, um convite para um passeio...
Nossos idosos, nossas crianças, nossas mulheres e nossos homens, precisam deste humano.
Nosso país, e nosso mundo, precisam de nosso trabalho, e de nosso grito de alerta, para que as coisas voltem aos devidos lugares.
É preciso, e urgente, que voltem!
Há que se dar meia volta.
"Não importa o ritmo, continue.
Há algo bom te esperando na próxima curva.
A vida é dom divino —
e viver, um presente diário."
— Jorge Tolim
Não há corrida, nem meta a alcançar,
Apenas o ritmo que faz tudo se encaixar.
A semente descansa, paciente no chão,
Esperando a chuva, a luz, a estação.
Não força o broto, nem a flor a surgir,
Respeita o seu ciclo, para então florescer e sorrir.
O rio que corre, não apressa o seu leito,
Sereno, contorna cada imperfeito.
Sabe que um dia, no mar vai desaguar,
E nesse percurso, aprende a esperar.
Em cada respiro, em cada canção,
Tudo no seu tempo, com calma, em oração.
As dores se acalmam, as feridas vão sarar,
E novas manhãs, hão de brilhar.
Não apresse a vida, não apresse o amor,
Cada passo tem sua cor e seu valor.
Confie no fluxo, no eterno girar,
Tudo tem seu tempo, aprenda a esperar.
Porque a beleza reside no devagar,
Na melodia que o tempo faz tocar.
E quando a jornada enfim se completar,
Verás que a espera, valeu a pena amar.
"Cuidar da Luz"
Há algo de sagrado no sorriso de uma criança..
Algo que não se pode tocar com as mãos sujas do mundo..
Olhar nos olhos de uma menina que ri com o vento no cabelo,
é como abrir uma janela para o céu que havia dentro de nós,
antes da dor, antes da culpa, antes dos gritos que moldaram o silêncio..
Algo que cura, que nos faz acreditar que é possível melhorar, evoluir, sem machucar o outro como você sofreu..
Brincar com elas, chutar uma bola, ouvir gargalhadas tão leves quanto nuvens,
é mais do que um momento simples —
é um reencontro com aquilo que fomos, ou com aquilo que merecíamos ter sido..
Eu me sento no chão com elas,
não porque sou menos homem ou adulto, mas porque sou mais humano..
Ali, entre rodinhas e segredos infantis,
resgato as partes minhas que um dia foram esmagadas pela crueldade, e que com consciência agora, eu decido fazer o bem a quem merece..
As pessoas julgam o adulto que brinca, que desce ao nível de compreensão das crianças,
mas não compreendem que há maturidade em amar sem pressa,
sem segundas intenções, sem máscaras, sem maldade ou dor..
Elas não sabem o que é olhar para uma criança e enxergar não um desejo,
mas uma promessa:
“Eu não deixarei que o mundo a machuque como me machucou..”
Enxergar inocência e respeitar com amor..
Enxergar felicidade e um sorriso genuíno sem aproveitamento, ser feliz sem ganhar algo em troca..
Esse cuidado, esse zelo silencioso,
é minha forma de justiça, de ser feliz genuinamente..
Não grito aos quatro ventos,
mas minha alma sussurra:
“Aqui, o mal não passa..”
E se um dia alguém me chamar de criança por isso,
eu sorrirei —
porque poucos são os adultos que ainda sabem realmente amar sem machucar, que sabem ouvir e compreender sem tentar forçar algo que não as convém...
ENTRE O VERBO E O VÉU
Creio que entre o verbo e o véu há mais vãos do que filosofia e região são capazes de preencher com crenças acolhedoras ou duras racionalidades.
É comum que recorramos a livros, símbolos sagrados de dogmas ou de conjecturas adornadas pelas ciências para resguardar nossas próprias ideologias.
Esquecemo-nos de que há apenas um saber, uma dádiva primordial: a dúvida. Essa velha companheira, que atiçou o fogo e dominou os céus. O elo entre a efemeridade do saber e a alegria dos talvezes.
Dessarte, o mundo é um convite maravilhosamente cruel à reflexão. Uma festa da qual não pudemos — por razões improváveis e explicações arbitrárias — negar a participação. Cá estamos, mesa posta. Resta servir-se do banquete antes das luzes se apagarem.
Deus, há tanta coisa que eu não sei nomear, mas sinto. Por isso, te peço de coração, com a coragem de quem não quer controlar mais nada: afaste do meu caminho o que pesa. O que chega camuflado, que vem de má intenção, mesmo que disfarçada. Afasta as energias estranhas, as intenções tortas, as pessoas que me olham com sorriso e punhal ao mesmo tempo. Livra-me com a delicadeza que cura, mas também com a firmeza que protege. Eu confio no teu silêncio que age enquanto tudo parece parado. Confio nessa ordem secreta das coisas que só o Senhor conhece. Me deixe ficar com o que for essencial. Nada em excesso. Nada que brilhe demais por fora e esvazie por dentro. Não quero acúmulos, quero qualidade. Que permaneça a leveza. As coisas que façam sentido. Deus, fica aqui, bem perto. Mesmo quando eu finjo que dou conta de tudo. E só isso que peço: continua comigo. Pois há dias que, se o Senhor não me segurar, eu desabo. E sei que o Senhor sabe exatamente do que estou falando.
Não há garantias de que a vida seguirá sempre por linhas retas, ela tem sempre o hábito de dobrar em curvas que não previmos, de mudar a rota quando acreditávamos ter tudo sob controle. Desafiando nossas certezas. Há momentos em que a vida nos ensina, com sutileza ou tempestade, que não somos donos do caminho. Nesses momentos, o mais sábio é entregar nas mãos de Deus aquilo que não podemos carregar sozinhos. Confiar que até os desvios têm propósito. E até as pausas têm sentido. Entre os tropeços, a vida vai seguindo como tem que ser. Nem sempre no ritmo que gostaríamos, nem sempre com as respostas que esperávamos. Mas ela segue. E nisso há uma beleza silenciosa: mesmo quando tudo parece estagnado por fora, algo dentro de você continua se movendo, crescendo, aprendendo. Aceite os ciclos e abrace a mudança. Tudo fará sentido como parte de um plano maior.
Viver é isso. Caminhar com a certeza de que Deus, mesmo nas curvas mais inesperadas, permanece fazendo o melhor. Carregue a certeza de que as estações da vida fazem parte do caminho. E que você, justamente por não ser o mesmo de ontem, é a prova de que está evoluindo. Abrace as curvas, os desvios e os mistérios. Talvez isso não seja uma desordem, é apenas Deus te conduzindo por um caminho mais íntimo e mais profundo do que você imaginava.
Pétala
Existo há séculos, porém
vivo há pouco tempo.
Finitude.
Lembro de você, quando jovem:
vigoroso e amável.
Por teus feitos, és lembrado —
o grande herói.
Te homenageio com flores,
azuis, delicadas em suas pétalas.
Com elas, te coroei.
Homenagem a ti… e peço perdão.
Perdão por não ter aproveitado mais de ti.
Sinto-me frágil de uma maneira única —
sutil, delicada,
faltando um núcleo,
sou como uma pétala.
Percebo agora que o berço da vida
da minha planta…
era você.
Você era meu centro.
Tudo era mais tranquilo ao seu lado.
Mas deixei ir.
Aliás...
eu fui, e você sempre me aguardou retornar.
Eu voltei tarde demais.
Desculpe.
“Decepção”
enquanto fiquei deitada pensei, não sou só eu que te amo, há outras, elas tem o mesmo sentimento, mais não tão intenso quanto o meu, não muito fogoso e nem ilustrativo. Você fez outras mulheres a gostar de ti, e eu me culpo por isso, você já não é mais o meu garotinho, que eu achava que me amava.
Nessa sociedade há dois papéis: o de opressor e o de oprimido. Quando você se recusa a assumir o papel de opressor, assume-se que você aceitou o papel de oprimido.
Entre o não querer e o não poder há uma linha tênue – frágil como bruma ao vento. Quando mal interpretada, essa linha pode se romper e abrir um abismo de desentendimentos irreversíveis.”
Há alguns dias tenho me olhado e percebi por muitas vezes esse meu olhar com brilho triste, ainda que meus lábios mostre um lindo sorriso os olhos parece estar desconectado, estou bem mais sei que falta algo que faz meu olho brilhar com intensidade.
Deus,
Como você é misericordioso.
Há como viver longe de você?
Há como ficar um dia inteiro sem você?
Há como não querer te abraçar?
Vou comigo guardar esse desejo, até o dia que te encontrar.
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