Ha de ser Forte sem Jamais Perder a Docura
Há tantos lugares que nessa cidade que me lembram você. Alguns me trazem boas memórias do tempo que passamos juntos. Outros, infelizmente, fazem com que seja a sua partida seja ainda mais dolorosa. O tempo que passamos juntos nesse plano foi curto, mas o suficiente para eu continuar pensando em você depois de todos esses anos. Eu sei que se você estivesse aqui, gostaria que eu seguisse em frente. É que alguns dias ainda são muito difíceis. A saudade fala mais alto e eu não consigo explicar o que sinto. Esteja em paz, meu bem. Venha me visitar novamente em um sonho, por favor.
Há lugares de que me lembro
Toda minha vida, apesar de algumas coisas terem mudado
Algumas para sempre, não para melhor
Algumas se foram e algumas permanecem
Todos esses lugares tiveram seus momentos
Com amores e amigos que eu ainda me lembro
Alguns estão mortos e alguns ainda vivem
Em minha vida, eu amei todos eles
Mas de todos esses amigos e amores
Não tem nenhum que se compare a você
E essas memórias perdem o sentido
Quando eu penso no amor como algo novo
Apesar de saber que nunca vou perder o afeto
Pelas pessoas e coisas que vieram antes
Eu sei que sempre vou parar e pensar neles
Em minha vida, te amarei mais
Há décadas a Serra do Araripe grita por socorro, e eu, cúmplice silencioso, me limito a resmungar de braços cruzados.
Benê Morais
“A beleza não está no padrão que se vê, mas na energia que se sente. Há rostos que encantam, mas almas que apagam; e há essências que brilham, mesmo sem se encaixar no ideal de beleza.”
Enquanto o Mundo Passa
Nem sempre dá para falar de amor. Há sentimentos que perdem um pouco da sua verdade quando tentamos transformá-los em palavras. Eu, pelo menos, prefiro viver o amor.
Prefiro sentir. Abraçar demoradamente, como quem encontrou no corpo do outro um lugar onde o tempo não tem pressa. Sentir o teu calor junto ao meu, ouvir o teu coração bater forte e perceber que o meu, quase sem querer, procura o mesmo compasso.
Amar, para mim, é isso: ter sentimentos que não precisam de explicação, sonhos que começam a pertencer a dois, vontades que encontram abrigo na presença de alguém. É querer estar perto sem precisar de motivo. É olhar para você e esquecer, por alguns instantes, que existe alguma coisa além de nós.
Talvez por isso eu não saiba falar de amor como quem conhece sua definição. Eu conheço o amor pelo toque, pelo abraço, pela saudade que nasce antes mesmo da despedida, pelo desejo silencioso de permanecer.
Não quero entender tudo o que sinto. Algumas coisas bonitas demais se desfazem quando tentamos explicá-las.
Quero apenas você perto.
Quero sentir teu coração contra o meu e deixar que eles conversem na linguagem que somente dois apaixonados compreendem.
E enquanto estivermos assim, que o mundo siga o seu caminho, contando suas horas, inventando suas urgências.
Que ele viva.
Que ele passe.
Porque, quando estou com você, não tenho nenhuma pressa de acompanhá-lo.
“Trabalhe em silêncio. Há projetos que florescem melhor longe dos ruídos, da inveja e dos olhos que não suportam o crescimento alheio. Quando chegar o tempo certo, deixe que os resultados façam o anúncio.”
“Há vidas que entram nos tribunais por meio de advogados; outras entram apenas pela consciência daqueles que ainda conseguem vê-las.”
Canto XXVIII – O Brasil da Maturidade
Por Poeta Mbra
Há países que celebram apenas o seu nascimento. Outros compreendem que a verdadeira grandeza está no amadurecimento. Este canto convida o Brasil imaginário a deixar a infância das promessas e caminhar rumo à maturidade de uma nação que aprende com a história, cultiva a justiça e floresce pela responsabilidade de seu povo.
I
O Brasil nasceu entre rios e montanhas,
Sob o céu de incontáveis alvoradas;
Mas o tempo lhe fez antigas perguntas,
Guardadas nas estradas empoeiradas.
Não basta nascer para ser grande,
Nem possuir riquezas incontadas;
A maturidade é uma construção
Erguida por mãos perseveradas.
II
Um povo cresce quando aprende,
Mesmo tropeçando pelo caminho;
Transforma feridas em memória,
E nunca faz da mentira seu ninho.
Quem ama a verdade permanece,
Ainda que caminhe sozinho;
Pois o futuro é filho da coragem
Que enfrenta o espinho.
III
O Brasil imaginário desperta cedo,
Não para repetir velhos discursos;
Mas para plantar novos princípios
Nos campos dos próprios recursos.
Cada cidadão torna-se semente,
Cada criança, novos concursos;
De esperança que não envelhece
Nem se perde nos percursos.
IV
A justiça veste roupas simples,
Sem privilégios ou aparência;
Seu tribunal é a consciência,
Sua força é a transparência.
Onde reina a honestidade,
Floresce também a convivência;
E a paz encontra morada
Na madura experiência.
V
As cidades respiram respeito,
As praças acolhem o diferente;
O trabalho recebe dignidade,
O saber ilumina a mente.
Não se mede um povo apenas
Pela riqueza aparente;
Mas pelo valor que concede
À vida de toda gente.
VI
O Brasil aprende com os idosos,
Escuta o vigor da juventude;
Une passado e esperança
Na construção da virtude.
Não despreza suas raízes,
Nem vende sua atitude;
Pois sabe que a verdadeira força
Nasce da retidão e da plenitude.
VII
As escolas ensinam caráter,
Além das letras e dos números;
Os lares cultivam respeito,
E colhem dias mais seguros.
Cada geração entrega à outra
Valores firmes e puros;
Como pontes lançadas ao futuro
Sobre tempos escuros.
VIII
O campo celebra sua colheita,
A cidade celebra o trabalhador;
A ciência encontra espaço,
E a cultura recebe valor.
O talento deixa de emigrar,
Encontrando solo promissor;
Porque amadureceu a nação
Na força do amor.
IX
Não é um Brasil perfeito,
Mas disposto a melhorar;
Reconhece seus próprios erros
Sem medo de recomeçar.
Toda grande transformação
Começa no verbo mudar;
E prossegue quando o povo
Decide perseverar.
X
Assim caminha o Brasil imaginário,
Não apenas por existir;
Mas por crescer em sabedoria,
Em justiça e em servir.
Porque nascer foi apenas o início,
O chamado é evoluir;
E uma nação alcança sua grandeza
Quando aprende a construir.
CANTO XXXI – O BRASIL QUE O MUNDO IMAGINA
Há um Brasil que o mundo imagina,
Visto de longe, por fotografias,
Entre florestas, praias e festas,
Carnavais, paisagens e alegrias.
Mas o Brasil que cabe numa imagem
Não revela toda a sua imensidão,
Pois há muito mais além do cartão-postal,
Há um país inteiro dentro do coração.
No Norte, a floresta é gigante,
Mas não é tudo que existe por lá,
Há cidades, rios, povos e histórias,
Há quem trabalhe, construa e sonhará.
Comunidades que vivem das águas,
Culturas que o tempo não conseguiu apagar,
E uma diversidade tão profunda
Que nenhum estereótipo pode explicar.
No Nordeste há muito mais que praias,
Há serras, sertões, história e tradição,
Há cidades que guardam outros tempos,
Há trabalho, cultura e transformação.
Há chuva que chega e muda a paisagem,
Há terra que aprende a florescer,
E um povo que carrega sua história
Com coragem e vontade de vencer.
No Centro-Oeste existe outro Brasil,
De Cerrado, Pantanal e capital,
De grandes cidades e vastas terras,
De um horizonte quase sem final.
O agronegócio faz parte da paisagem,
Mas não resume aquela imensidão,
Pois também há ciência, cultura e gente
Construindo o futuro da nação.
No Sudeste muitos conhecem
O Rio de Janeiro e São Paulo em destaque,
Mas Minas guarda suas montanhas,
E o Espírito Santo também não se abate.
São histórias, cidades e culturas,
Economias que ajudam a construir
Um Brasil que não cabe em dois nomes,
Nem em tudo aquilo que se pode exibir.
E quando se chega ao Sul do Brasil,
Há quem descubra uma surpresa no ar:
Geadas, frio e, em certos lugares,
Até neve pode chegar.
Mas também ali o clima se transforma,
Porque a região não é uma só estação,
É outro pedaço dessa grande pátria
Cheia de contrastes e diversidade em expansão.
O Brasil não é apenas uma imagem,
Nem somente aquilo que alguém contou.
Não é apenas carnaval ou futebol,
Nem só a paisagem que o estrangeiro fotografou.
Existe um Brasil que trabalha em silêncio,
Existe outro que aprende e quer crescer,
E existem milhões de brasileiros
Fazendo este país acontecer.
Há sotaques que mudam pelas estradas,
Há sabores que mudam de região,
Há festas, crenças, músicas e costumes,
Há diferentes formas de expressão.
Cada pedaço acrescenta uma história,
Cada povo traz sua identidade,
E quando todos se encontram no mapa,
Nasce a força da diversidade.
Talvez o Brasil imaginado de longe
Seja pequeno diante do Brasil real,
Porque nenhum retrato consegue mostrar
A dimensão humana deste país continental.
Quem olha somente para os símbolos
Pode conhecer apenas uma parte,
Pois o Brasil verdadeiro está nas pessoas,
Nas suas lutas, sonhos e sua arte.
Eu imagino um Brasil conhecido
Não somente pelo que se vê de fora,
Mas por aquilo que seu povo constrói,
Pela esperança que insiste e não vai embora.
Um Brasil que reconhece suas diferenças
Sem transformar diversidade em divisão,
E que encontre justamente na sua grandeza
A força para caminhar como uma só nação.
Brasil, não seja apenas imaginado,
Seja conhecido em sua realidade.
Que o mundo veja tuas paisagens,
Mas também conheça tua humanidade.
Porque teu maior território não está somente no mapa:
Está na alma de quem nasceu para te construir.
E talvez o Brasil que o mundo procura
Seja aquele que ainda podemos descobrir.
Poeta Mbra
HÁ QUEM PERMANECE E HÁ QUEM APENAS SE APROVEITA DA CAMINHADA: a distância entre servir a uma causa e servir-se dela
“Uns permanecem porque acreditam no destino da caminhada; outros caminham apenas enquanto a estrada tiver por destino os próprios interesses.”
Um aliado, ou mesmo um apoiador de ocasião, não se confunde com um amigo leal, tampouco com aquele que verdadeiramente se compromete com uma causa e faz de determinada bandeira uma convicção de luta. A aproximação circunstancial pode nascer da conveniência, da convergência momentânea de interesses ou da expectativa de algum benefício. O compromisso verdadeiro, ao reverso, pressupõe identidade de valores, constância e disposição para permanecer mesmo quando a fidelidade à causa impõe custos pessoais.
É precisamente aí que se estabelece a diferença essencial entre quem serve a uma causa e quem se serve dela.
Há aliados e apoiadores cuja adesão, embora revestida do discurso do interesse coletivo, encontra-se, em sua essência, muito mais vinculada à própria vaidade, à necessidade de reconhecimento ou à realização de ambições pessoais. Nesses casos, a causa institucional deixa de constituir um fim em si mesma e passa a funcionar como cenário, instrumento ou mesmo trampolim para um projeto individual. A bandeira continua sendo exibida, mas já não é propriamente defendida: é utilizada.
Tal comportamento nem sempre se deixa perceber de imediato. Enquanto os interesses individuais e os objetivos coletivos caminham na mesma direção, conveniência e convicção podem apresentar aparência semelhante. Ambas produzem discursos de entusiasmo, manifestações de apoio e gestos de aparente comprometimento. A diferença somente se torna perceptível quando os caminhos começam a divergir e quando permanecer fiel à causa deixa de proporcionar vantagens passa a exigir renúncias.
É nesse ponto que o tempo e as circunstâncias assumem uma espécie de função reveladora.
O fenômeno é particularmente perigoso porque, muitas vezes, a retórica do compromisso encobre interesses que somente vêm à superfície quando o protagonismo é ameaçado, quando o reconhecimento não chega, quando a liderança passa a ser exercida por outros ou quando a defesa da causa exige sacrifício sem qualquer recompensa imediata. É então que se descobre se havia verdadeira convicção ou apenas conveniência e se o indivíduo havia colocado sua trajetória a serviço de um ideal ou se, ao contrário, havia transformado o ideal em instrumento de sua própria trajetória.
A lealdade autêntica, portanto, não se mede pela intensidade das manifestações de apoio quando há aplausos, visibilidade ou vantagens a conquistar. Mede-se, sobretudo, pela capacidade de permanecer quando desaparecem os holofotes, quando o silêncio substitui o reconhecimento e quando a fidelidade aos princípios exige a renúncia ao próprio protagonismo.
Porque permanecer quando tudo favorece a permanência pouco revela sobre alguém. A medida da lealdade começa a aparecer quando permanecer custa alguma coisa.
É nesse sentido que ganha especial significado a conhecida metáfora das trincheiras: mais importante do que saber apenas qual guerra se trava talvez seja descobrir quem permanece ao nosso lado quando chega o momento de enfrentá-la. As trincheiras têm uma virtude que os tempos de bonança desconhecem porquanto revelam quem caminhava conosco por convicção e quem apenas seguia na mesma direção porque, até então, nossos caminhos coincidiam com os seus interesses.
Na caminhada, muitos podem acompanhar-nos enquanto a estrada é confortável, enquanto há reconhecimento, perspectivas ou vantagens compartilhadas. A trincheira, porém, introduz outra medida. Nela, a presença deixa de ser cômoda e passa a representar risco, sacrifício e renúncia. É justamente quando permanecer passa a ter um preço que descobrimos não apenas quem está ao nosso lado, mas, sobretudo, por que está.
Talvez por isso se tenha difundido, com autoria atribuída à Ernest Hemingway, a frase: “Quem estará nas trincheiras ao teu lado? — E isso importa? — Mais do que a própria guerra.” Sua força não reside propriamente na guerra, mas naquilo que a adversidade revela sobre os vínculos humanos, na medida que determinadas circunstâncias extremas retiram das relações a aparência da conveniência e deixam à mostra a substância da lealdade.
Quem está verdadeiramente comprometido com uma causa não precisa ser o seu personagem principal. Compreende que determinadas lutas são maiores do que as pessoas que momentaneamente as representam e que a defesa de um ideal coletivo exige, muitas vezes, a grandeza de ceder espaço, reconhecer méritos alheios e continuar contribuindo mesmo sem ocupar o centro da cena.
Há, nisso, uma forma silenciosa de desprendimento. Quem compreende a dimensão de uma causa sabe que ela não lhe pertence. Pode ter contribuído para construí-la, defendê-la durante anos e até suportando sacrifícios em seu nome, mas não adquire, por isso, o direito de confundi-la consigo próprio. As pessoas passam; as instituições, os valores e as causas que verdadeiramente importam devem ser capazes de sobreviver àqueles que, em determinado momento, as representam.
É justamente essa compreensão que distingue a liderança comprometida do personalismo. O verdadeiro compromisso deseja que a causa continue forte mesmo quando outros passam a conduzi-la. O personalismo, ao contrário, tende a experimentar o êxito alheio como diminuição própria e a interpretar a perda de protagonismo como se fosse o enfraquecimento da própria causa.
Já aquele que está comprometido sobretudo consigo mesmo tende a confundir a própria trajetória com aquilo que afirma defender. Enquanto seus interesses caminham ao lado da causa, mostra-se entusiasmado, combativo e presente; quando deixa de ocupar posição de destaque, ou quando a causa já não lhe proporciona visibilidade, sua disposição frequentemente diminui. Não necessariamente porque o ideal tenha perdido importância, mas porque deixou de servir ao projeto pessoal que, desde o início, talvez constituísse sua verdadeira prioridade.
Por isso, a adversidade possui uma virtude singular: ela não transforma convicção em conveniência, nem lealdade em oportunismo; apenas torna visível aquilo que, em tempos favoráveis, podia permanecer oculto. Quando chegam as dificuldades, caem os adornos do discurso, desaparecem as aparências e cada pessoa acaba revelando a verdadeira natureza de seu compromisso.
A caminhada e a trincheira, embora sejam metáforas distintas, encontram-se precisamente nesse ponto. A caminhada revela quem nos acompanha; a trincheira revela quem permanece. Uma permite perceber a companhia; a outra põe à prova a lealdade. E talvez somente depois de atravessarmos ambas possamos distinguir aqueles que compartilhavam verdadeiramente a causa daqueles que apenas compartilhavam, circunstancialmente, o caminho.
Talvez seja essa a medida mais segura da autenticidade, que é permanecer fiel à causa mesmo quando já não é possível convertê-la em prestígio, poder, reconhecimento ou vantagem pessoal.
Quem possui compromisso genuíno compreende que causas verdadeiramente importantes não existem para engrandecer aqueles que as defendem. Ao reverso são aqueles que as defendem que precisam, quando necessário, diminuir a própria vaidade para engrandecê-las.
E talvez o tempo seja, afinal, o juiz mais rigoroso dessas diferenças. Ele termina por distinguir os que estiveram ao lado de uma causa porque acreditavam nela daqueles que apenas permaneceram enquanto dela puderam extrair alguma utilidade. Os primeiros deixam contribuição; os segundos, quando cessam as vantagens, geralmente deixam apenas a memória de sua passagem.
No fim, há quem permaneça porque acredita na caminhada e há quem caminhe apenas enquanto a estrada conduz aos próprios interesses. Mas são as trincheiras que dissipam as últimas dúvidas: quando desaparecem o palco, o aplauso e a recompensa, descobrimos quem verdadeiramente estava ao nosso lado e, mais importante ainda, quem estava ao lado da causa. Porque o compromisso autêntico começa justamente onde termina a necessidade de protagonismo.
Meditação em Versos
Quando o dia começa
e a luz vem devagar,
há palavras que despertam
o desejo de caminhar.
Uma poesia lida cedo
pode a alma iluminar,
traz silêncio para dentro
e coragem para continuar.
Entre um verso e outro verso,
há um mundo a contemplar,
há perguntas que nos tocam
e respostas a encontrar.
A poesia não tem pressa,
sabe o tempo de esperar;
ela planta uma esperança
onde a vida quer brotar.
Que a manhã seja um convite
para a mente se aquietar,
pois quem medita em palavras
aprende a melhor enxergar.
Há beleza nas pequenas
coisas que o dia nos dá:
um sorriso, um novo sonho,
uma chance de recomeçar.
Cada verso pode ser ponte
sobre o medo e a solidão;
pode transformar uma lágrima
em semente de inspiração.
E assim sigo pela vida,
com poesia a me guiar,
fazendo de cada instante
uma história para contar.
Porque viver também é verso,
é aprender, sentir, mudar;
e cada página escrita
é um convite para amar.
Que o meu dia comece em versos,
com esperança e gratidão;
que a poesia seja sempre
a meditação do coração.
Poeta Mbra
Às vezes, o mais importante não é o momento em si,
mas o significado que ele carrega.
Há experiências que não dizem respeito à pressa
nem a quem chega primeiro,
mas à capacidade de sentir, de estar presente
e de reconhecer o valor do caminho percorrido.
Alguns instantes podem parecer simples à primeira vista,
mas, para quem viveu cada etapa,
eles representam a concretização de algo muito maior.
E quando esses momentos acontecem de forma diferente do que se imaginava,
surge uma sensação sutil, difícil de traduzir —
não exatamente de perda,
mas de algo que tinha um significado único.
No fim, a vida revela que nem sempre controlamos o “quando” ou o “como”,
mas aquilo que sentimos
sempre aponta para o que realmente importa.
E talvez, em silêncio,
aprendamos a aceitar
que nem todo sonho acontece
exatamente como foi sonhado...
A vida é feita de ciclos. Há chegadas e despedidas, encontros e ausências, começos e finais. A morte, embora seja uma das maiores dores que enfrentamos, também nos lembra que nada permanece igual para sempre.
Tudo se transforma. O que hoje termina deixa espaço para que algo novo possa nascer. As folhas caem, mas a árvore permanece; o inverno passa e a primavera retorna. Assim também somos nós: feitos de partidas, recomeços, saudades e novas esperanças.
Talvez a vida não seja sobre permanecer, mas sobre deixar marcas, afetos e sementes pelo caminho. E quando alguém parte, aquilo que foi vivido não desaparece — permanece nas lembranças, nos gestos, nas histórias e no amor que deixou.
Porque, de alguma forma, tudo se renova. A vida segue, diferente, mas segue. E nós aprendemos a florescer novamente, levando conosco tudo aquilo que um dia nos fez ser quem somos.
“Há sentenças juridicamente perfeitas que ainda assim são incapazes de fazer justiça ao sofrimento humano.”
“Há generosidade em dar o que sobra; há humanidade em repartir o que também nos custa.” — Leonardo Azevedo.
O que é que vale à pena?
Talvez tudo
Talvez uma pequena parte
Não há resposta precisa
Nenhuma decisão é clara
A única certeza
É que nesta vida cara e indecisa
haverá um dia um ponto final.
Até lá vamos nos perguntando
Ou vivendo sem nos dar conta
Nenhuma resposta
Exposta após o sinal de igualdade
estará isenta
De uma nova descoberta
causar-lhe inadiável desmonta
e tudo começa de novo
A resposta escondida
Pode estar dentro de um peixe
Que aparenta inocência
Te olhando através do vidro do aquário
Pode estar dentro do espelho
Ou no conselho daquele andarilho
a quem você negou uma moeda
Tudo na vida vale à pena
Mesmo quando parece que não
Um dia no passado
Você se sentia enfadado
Na companhia de gente
A quem deixou de perguntar
Algo que hoje
Essa ausência de resposta te tortura
Me responda realmente
Será que não vale à pena
Ou é a gente
Que não sabe onde buscar
Aquilo que muitas vezes
Esteve tão evidente?
Há um garoto que me fascina,
talvez pelos olhos que não sei decifrar,
talvez pelas palavras gentis
que ainda tenho medo de acreditar.
Sempre o achei bonito,
distante demais para mim.
Até que seus lábios tocaram os meus
e o impossível chegou ao fim.
No começo, temi ser uma mentira,
uma brincadeira disfarçada.
Mas encontrei ternura em seus olhos
e uma timidez inesperada.
Desde então, carrego uma dúvida:
se aquele beijo foi só um instante,
ou se, em algum canto de nós,
nasceu algo pequeno e hesitante.
William Contraponto e a Maçonaria: uma proximidade possível sem iniciação
Há uma diferença importante entre pertencer à Maçonaria e dialogar com o universo de ideias, símbolos e tradições associado a ela. No caso de William Contraponto, não há, nas informações públicas disponíveis, comprovação de que tenha sido iniciado maçom. Isso, entretanto, não significa que uma aproximação intelectual ou cultural com esse universo seja impossível.
William Contraponto construiu sua trajetória a partir da literatura, da reflexão crítica, da filosofia e do questionamento das estruturas estabelecidas. Seu pensamento não parece se organizar a partir de uma instituição iniciática específica, mas de uma disposição permanente para investigar aquilo que está por trás das aparências.
Nesse sentido, uma eventual relação com a Maçonaria poderia ocorrer fora da condição de iniciado. Um escritor pode conhecer maçons, frequentar ambientes nos quais ideias maçônicas sejam discutidas, estudar sua simbologia ou simplesmente encontrar pontos de contato entre determinadas concepções humanistas e sua própria visão de mundo.
Isso seria especialmente interessante no caso de Contraponto porque sua obra apresenta uma preocupação recorrente com temas como liberdade, responsabilidade, consciência, ética, conhecimento e emancipação do indivíduo. Esses temas não pertencem exclusivamente à Maçonaria — são igualmente encontrados na filosofia, no humanismo, no iluminismo e em diversas tradições intelectuais —, mas podem estabelecer diálogos com alguns aspectos da tradição maçônica.
Há ainda uma questão simbólica. O próprio conceito de “contraponto” sugere uma maneira de pensar baseada na oposição, no confronto de perspectivas e na recusa de aceitar uma única resposta como definitiva. Uma eventual aproximação com uma tradição iniciática poderia, portanto, ser compreendida menos como submissão a um sistema fechado e mais como investigação de seus símbolos e significados.
Isso não transforma William Contraponto em maçom.
E essa distinção é fundamental.
Ser maçom pressupõe uma condição institucional e iniciática específica. Ter interesse pela Maçonaria, dialogar com seus membros, estudar seus símbolos ou reconhecer determinados valores em sua tradição é outra coisa.
Assim, a caracterização mais prudente seria a de um intelectual que poderia manter uma relação externa, cultural ou reflexiva com o universo maçônico, sem que isso implique iniciação ou pertencimento formal.
Essa possibilidade também combina com uma característica essencial de Contraponto: sua tendência a atravessar fronteiras intelectuais sem necessariamente aceitar os rótulos que essas fronteiras oferecem.
Talvez seja justamente aí que esteja o ponto mais interessante.
William Contraponto poderia olhar para a Maçonaria sem necessariamente tornar-se maçom; poderia estudar o símbolo sem submeter-se ao rito; poderia conversar com o iniciado sem desejar a iniciação.
Porque, para alguém cuja obra se constrói sobre o ato de questionar, o conhecimento não precisa necessariamente terminar em pertencimento.
Pode terminar — simplesmente — em outra pergunta.
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