Ha de ser Forte sem Jamais Perder a Docura

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Pragmático


Agilson Cerqueira


Não há em mim
momentos epifânicos,
Mas para toda estupidez,
O Silêncio!

O Que Vê Antes de Ver, Vê!



Agilson Cerqueira



Há momentos em que me detenho à beira de mim mesmo e me pergunto, sem pressa de resposta: o que pesa mais — conhecer ou preservar-se na ignorância do que se poderia saber?

O conhecimento, quando chega, não vem só. Ele arrasta consigo a sombra do que ainda escapa, do que permanece fora do alcance. Saber, por vezes, é abrir uma ferida ou ferir onde antes havia apenas silêncio. É tocar o limite e, ao tocá-lo, perceber o quanto ainda falta.

Então, por defesa ou a falta dela, ignoramo-nos. Não por ausência de capacidade, mas por uma espécie de pacto íntimo consigo mesmo. Um acordo silencioso onde a incompletude não dói — porque não é nomeada.

Mas ignorar, quando não é escolha lúcida, é também uma forma de permanência. Deixar que as coisas sobrevivam em sua forma mais estreita, protegidas de qualquer expansão que as desestabilize. É um abrigo — mas também um confinamento.

E assim seguimos, entre o risco de saber e o alívio de não saber, sustentando essa tensão invisível onde a consciência, às vezes, avança ... e outras, recua para dentro de si.

Açaimei-me


Agilson Cerqueira


Não me acontecem epifanias.
Não há clarões, nem súbitas compreensões que reorganizem o mundo.
O que há é a permanência — sólida, repetida — da estupidez.
Ela se infiltra nas falas, nas certezas, nos gestos automáticos.
Diante disso, não argumento, não confronto, não elaboro.
Reduzo-me ao essencial: calo.
Não por sabedoria, mas por economia.
Não por virtude, mas por recusa.

Entre o que seca
e o que germina,
há um intervalo
onde eu respiro.


Alguns dias sou raiz cansada,
outros, vento recente
Há presenças que me pedem
com os olhos de antes,
e outras que me buscam
como se eu fosse abrigo


O tempo se dobra,
e eu, estou no vinco
tentando não rasgar
para dar conta de tudo

Na democracia representativa, a vontade representada é do representante. Logo, não há representação e nem democracia.

O Brasil de hoje está muito dividido. Há os que querem mudar o Brasil via redes sociais e os que não querem que o Brasil mude e usam para isso as redes sociais. Duro embate!

Há na gratidão uma altivez sublime que o ingrato ainda desconhece.

Há em cada um de nós um território inexplorado; o tempo nos revela ao mundo e desenha, pouco a pouco, o retrato de quem realmente somos.

Há no tempo um poder de revelar prioridades; nos direciona para tudo que nos é vital, deixando amainadas as nossas urgências.

Há quem atravesse a existência inteira sem sair da caverna das aparências.

Entre aquilo que vejo, ouço, tateio, provo e respiro e o real, há uma distância que não sei medir; mas o desconhecido logo me revela a pequenez do que sei.

Não é apenas o trabalho árduo que nos faz vencer; há riqueza também em cada passo do caminho.

Sem noite, não há dia produtivo.

O Prisma Velado


Um estranho tingido de nuances
tenta ocultar-se sob o peso das dores,
mas há uma claridade que vaza pelas frestas,
teimando em revelar suas cores.


Veste falas ásperas, molda controvérsias,
mentindo sobre a própria essência:
tem o olhar transbordando vida,
enquanto a boca impõe abstinência.


Cuidado, ele assusta.
É caminhar sobre lâminas de vidro;
basta um sopro, uma palavra mal posta,
para que o castelo caia, desvalido.


Inseguro, tropeça no próprio silêncio,
anseia pela escuta, mas recua no umbral.
Há um universo contido nesse peito,
que se veta o direito de ser real.


Brilha, pequena luz, rompe o casulo.
Esconder o sol não lhe faz sentido.
Seja agora, ou em um futuro mudo,
o amor reclama o que foi reprimido.


Essa hesitação cederá terreno
ao que pulsa e, doce, seduz;
uma voz que o retira do ermo
e o convoca, enfim, para a luz.


Não economize a alma, não se limite à razão.
Voe para além do que o medo condiz.
Busque o néctar, o mel, a entrega;
há doçura esperando quem se quer feliz.


O amor não pede licença nem explicação:
ele chega sem alarde, desarruma o porto,
e faz um belo estrago na solidão
dessa sua iludida arrumação.


Poesia de Islene Souza

Há quem brilhe exatamente onde alguém se apagou.

Há sorrisos que escondem noites que ninguém viu.

Despertar.


Acordei há pouco,
Aproveitei e vim
Para dividir com você
O meu sonho.

Onde Não Há Interesse — Há Verdade


Há amizades que chegam como vento —
tocam, refrescam… e passam.
Mas a verdadeira não tem pressa:
ela escolhe ficar.
Não nasce do interesse —
nasce do encontro.
E, sem fazer alarde,
vai criando raiz onde quase ninguém vê.
Nela, não há necessidade de máscara —
o silêncio não constrange,
a palavra não precisa ser medida
como quem pisa em terreno frágil.
É presença que não cobra —
é ausência que não apaga.
O tempo não corrói o que foi feito
com verdade.
Amigo de verdade não disputa lugar —
celebra conquistas
como se fossem suas,
e segura a queda
sem anunciar que está ali.
E quando precisa falar duro, fala —
mas não para ferir,
fala como quem protege
o que não quer perder.
Não prende — acompanha.
Não exige — compreende.
Não usa — reconhece.
E assim, sem contrato, sem promessa dita,
permanece.
— Porque, no raro território da amizade verdadeira,
o outro nunca é caminho —
é destino.
— Paulo Tondella

És verso
Há o barulho do silêncio, na tépida madrugada.
A chuva que rola solta pela areia seca de uma duna em movimento.
O brilho do sol por trás da noite enluarada,
A cantiga nova repelida do firmamento,
As vozes de uma multidão numa cabeça já cansada.
A fantasia na realidade digerida
Transforma em cantos o redondo dessa vida.
Sem fome num banquete já servido,
Gritaria aos milhares se pelo menos um tivesse ouvido.
Indaga-se a renúncia da pena quando faltam letras,
Procura-se a poesia no campo já florido.
Num alarido majestoso colheu a flor solitária de um buquê róseo,

FILHO DO PARÁ



“Ó Pará, há tempos que vim de lá.

Deixei a solidão conduzir-me o coração,

como tua estrela solitária,

que exerce autonomia.

Recordo-me de que de ti herdei a cidadania.

De verdade, eu sou de lá,

da terra do Norte quente,

e tenho apreço por essa gente,

que, em festa, muito contente,

vem hoje se declarar:

eu te amo, meu Pará!

Pois, sou teu filho, sou guerreiro,

sou paraense, brasileiro!”

Tasselo Brelaz