Geometria
O universo é constituído de matemática, sons e geometria sagrada. Uma beleza harmônica e energética inimaginável.
O traço mais revelador do Homem Vitruviano não é a geometria — é o vazio ao redor.
Da Vinci uniu:
- Arte, como expressão sensível;
- Ciência, como método de compreensão;
- Filosofia, como reflexão sobre o existir.
E então parou.
Não coloriu. Não finalizou.
Ele deixou a obra inacabada por intenção, como uma estrutura viva, esperando que a humanidade completasse o que ainda não existia.
Hoje, uma nova força se integra naturalmente ao desenho:
Tecnologia — a cosmovisão que conecta expressão, conhecimento e sentido à ação no mundo físico e digital.
O Homem Vitruviano é, portanto, um convite:
“Avancem. Acrescentem. Aprendam. Continuem o que eu comecei.”
Cada época tem sua camada.
Esta é a nossa.
A Estranha Geometria da Ausência
Existem pessoas que a gente assume como parte da paisagem. Como a poltrona velha da sala, o barulho da chuva no telhado ou o cheiro de café passado às sete da manhã. Não precisamos olhar diretamente para saber que estão lá; elas apenas ocupam o espaço, garantindo que o mundo permaneça em ordem.
Ela era essa presença. A única que esteve lá o tempo todo.
Na mudança de apartamento, ela carregou as caixas mais pesadas não as de papelão, mas as da alma. Nas noites em que a ansiedade vinha, era a luz constante no fim do corredor. Conhecia minhas piadas sem graça e suportava meus silêncios de homem de poucas palavras, aquele mutismo típico de quem tenta resolver o universo sem usar verbos. Ela não cobrava explicações; apenas ocupava o espaço, segura.
Sempre achei que, se tudo ruísse, ela ainda estaria ali, segurando a última viga para que eu não fosse soterrado. Acreditava piamente na perenidade daquela âncora.
Mas a vida tem um jeito irônico de nos ensinar sobre a efemeridade. A pessoa que mais permaneceu foi a primeira a encontrar a porta de saída.
Hoje, quando chego em casa, a poltrona está no mesmo lugar, o café ainda tem o mesmo cheiro, mas o ar... o ar está leve. Leve demais. A ausência dela não é um grito, é um sussurro contínuo, uma frequência de rádio fora do ar que eu ainda tento sintonizar.
A única pessoa que esteve lá o tempo todo, é a única pessoa que não faz parte mais da minha vida.
Olho para o lado e há um vazio inabitado. Aprendi, da maneira mais seca possível, que presença não é garantia de permanência. E que o silêncio dela, agora, fala mais alto do que qualquer "adeus" que eu jamais ouvi. O tempo segue, as coisas mudam, e eu, um homem de poucos verbos, me vejo tentando aprender a gramática da solidão.
A geometria não possui múltiplas naturezas; ela possui apenas escalas. Do plano ao volume, da reta ao infinito curvo, tudo o que percebemos como forma é a manifestação organizada do triângulo.
As perdas ensinam a geometria do meu próprio espaço. Depois de cada saída, sobra um contorno novo do que sou. Desenho com cuidado as margens que restaram do mapa. E percebo que a estrada que me falta é também caminho. Perder é reformar a casa onde ainda cabe silêncio e canto.
Geometria da poesia.
Tem gente subindo descida,
Tem gente descendo subida,
Tem quem tá parado em reta,
Tem quem anda em círculos,
Tem gente enquadrada
enviando currículos
e contando moedas.
Tem gente livre aplicando tempo
em poesia pra receber em séculos.
Fotografia
Atento ao olhar de luminosidade
Esquadrinha a geometria de um flagrante
Magnífica captura de um insight
Doce acalanto da imortalidade evidente.
Uma imagem em clara objetiva
Reflete cores, luz, harmonia e sensibilidade.
Dá o tom de alegria em simetria
Misturando lembranças à doce saudade.
Testemunha de muitos olhares
Observa a intimidade ilusória
Sentimento original, real e evidente.
Consagração da ficção das memórias.
Retrata escritos, sons e imagens
Esplendor e a dádiva da natureza.
Compõe a cena em um clique pleno
Essências de emoções e de muita beleza.
Num instante torna-se a preferida
No seu feitio, a mais doce poesia
De tornar real uma evidência
Fotografia, o seu nome é Magia.
A propagação desta geometria, vaga e abstrata, encrostada pelas ruas da cidade, entre portas e janelas, musgos e reboques, revelam outros pontos de uma mesma história, vista por um milhão de olhos inocentes que plantam flores ou espinhos, sobem escadas atropelando seus próprios vizinhos sem carregar alguém ao colo, murmuram versículos mas sempre cruzam os braços. O que é uma boa música para quem nunca pôde escutar? Um dia. Sol, euforia, correria, poesia.
A Vida Em Flor
Brinco de dançar
Em tua perfeita geometria
De pétala em pétala
A vida renasce
Com a textura
Encantada
Desenho a “Flor da Vida”...
na geometria
das tuas formas
encontro
a mais bela
combinação
que me fascina
tanto quanto
a divina
proporção
Geometria, matemática
Números, aritmética
Difícil de entender
E com palavras
Faça-se o que melhor
Obter
diferentemente da geometria, a distância - no discurso amoroso - não faz relação somente com espaço físico. o intervalo entre dois corações é feito também do cansaço das rotinas, dos músculos doloridos e da falta de tempo para possibilidades.
