Futuro Destino
Quis me esquivar dos pensamentos que me levavam até você, mas isso se tornou quase impossível, já que o destino fazia questão de nos colocar frente a frente. E agora seu cheiro parece estar em todos, e qualquer olhar no café, lanchonete, na rua, parece o seu.
A estrada é um livro aberto de terra,
onde a alma escreve passos,
sem título, sem ponto final,
só versos
entre curvas e silêncios.
Idiotas com pós-graduação dirão que o progresso que vivemos nos últimos anos é a prova de que podemos nos libertar da mecânica do destino.
"A alma, sendo levada por Caronte até Hades, talvez se sinta destruída por partir sem querer partir. Por outro lado, o vivo, quando não quer ficar, mas fica por uma retidão moral, talvez também se sinta destruído. Corpo e alma vivem o paradoxo de querer ser e não estar, de estar sendo e, ao mesmo tempo, não estar."
O certo é o caminho que enxergamos como o que deve ser seguido para chegarmos aos nossos objetivos, embora haja outros que nos levem para o mesmo destino.
Às vezes, a mais terna doçura que Orí me concede é guiar-me por caminhos que meu coração não ousou escolher. Estranhas, por vezes dolorosas, essas sendas silenciosas guardam os segredos mais genuínos da minha alma, onde nascem as bênçãos que apenas o destino sabe revelar.
O Mar das Ilusões
Dizem que existe um lugar além do tempo, onde não há terra firme nem horizonte. Um lugar que não se encontra em mapas, mas na essência da alma. Chamam-no carinhosamente de Mar das Ilusões.
É nesse mar que muitos despertam após o último sopro de vida. Não há barulho de ondas, não há vento forte, apenas um fluxo suave que conduz cada ser sem pressa, como se o próprio mar guardasse um segredo que ninguém ousa revelar.
O despertar
Você se encontra ali, deitado sobre a água, incapaz de mover-se. Não há esforço que faça sentido, não há direção a seguir. Apenas o flutuar... e o silêncio.
Ao redor, dezenas — talvez centenas — de pessoas também deslizam, algumas serenas, outras inquietas, mas todas com o mesmo olhar perdido: “O que estou fazendo aqui?”
A primeira coisa que descobre é simples, mas pesada:
a cada lembrança amarga de sua vida, você afunda um pouco.
Não há juízes, nem vozes condenando. Apenas sua própria memória, sussurrando o que foi deixado para trás.
O mergulho
E então, você começa a descer. O azul da superfície torna-se turvo, depois escuro, e o escuro transforma-se em silêncio profundo. Cada erro, cada palavra dura, cada arrependimento não resolvido... tudo pesa. O mar não castiga — apenas devolve.
Mas, ainda que o fundo o chame, seus olhos insistem em olhar para cima.
E lá, entre a claridade distante, algo se move: pássaros.
Eles sobrevoam o mar, pairando com asas que não se cansam, levando consigo alguns daqueles que conseguiram permanecer na superfície. Ninguém sabe para onde vão. Ninguém jamais voltou para contar.
A revelação
Uma voz suave, não de fora, mas de dentro, ecoa na sua consciência:
"Você gostaria de ir com os pássaros? Então não afunde."
Mas como não afundar, se o peso já o arrasta? A resposta não vem de fora.
Logo, você percebe: o mar não é feito apenas de água, mas de sua própria consciência. Ele não o engole; ele apenas reflete quem você foi.
Não lhe falta tempo. Ali, o tempo é eterno, elástico, feito para que percorra os corredores de sua mente quantas vezes forem necessárias. Pode subir, pode descer, pode revisitar cada lembrança, como se andasse em uma casa sem portas.
E então, a verdade se revela com clareza:
se sobe ou desce, já não é escolha sua.
São apenas as consequências da vida que levou.
O destino
No Mar das Ilusões, não há punição, nem recompensa. Há apenas reflexo.
A aceitação torna-se, portanto, o último aprendizado.
Você respira fundo, mesmo debaixo da água, e finalmente entende:
o que prende não é o mar, mas as correntes invisíveis que você mesmo construiu em vida.
E, quando esse pensamento se instala, você percebe algo diferente.
O peso começa a diminuir.
A luz acima torna-se mais próxima.
E, pela primeira vez, você sente que talvez... só talvez... as asas dos pássaros também possam vir buscá-lo.
Porque, no fim, o Mar das Ilusões não é uma condenação, mas um espelho.
E quem aprende a se olhar de frente, descobre o caminho da leveza.
"Nascer pobre é um desafio que forja a alma; permanecer pobre, quando se pode crescer, é negar a si mesmo a grandeza que a vida oferece."
Transformei a dor em direção! Uma direção que pessoas comuns sequer suportam o início e desconhecem a chegada!
A vida é um rio que segue de diversas formas, com trechos lentos ou rápidos, com águas barrentas ou limpas, as vezes parece interrompido e nos obriga a encontrar o mar, nosso destino lindo e vasto.
A maior dificuldade do ser humano é ter a capacidade de unir o desejo da alma com o desejo da consciência.
Amei-te no instante em que não sabias existir, e desde então, o tempo apenas confirmou o que a alma já sabia.
O amor não precisa de passaporte,
mas se viajasse, escolheria cada lugar onde deixei essas palavras.
Em cada ponto do mapa, há um pedacinho do que sinto por você.
Alguns falam de promessas, outros de futuros.
Alguns são altos, outros profundos.
Mas todos — todos — estão conectados por nós.
Que o mundo seja pequeno diante do que vivemos,
e que cada lugar nos lembre:
Nosso amor também é destino.
Eu não sofro, meu amor...
Espero-te apenas...
Os ventos me arrastam...
Não é fácil amar o vencido...
Amo e não sou amado...
Onde hoje me sentei a perguntar...
Que sortilégio a mim próprio lancei?
Tenho esta contemplação...
Mas não chego a desfazer...
Das velhas ilusões que achei no meu caminho...
No desolado coração...
O vácuo mudo adormece o meu pensamento...
Porque na noite, farto de sofrer…
Interrogando o destino...
A sua sombra escondida...
Procuro e não encontro...
E perante esse abismo...
Da única realidade no momento possível...
Escondendo os meus gritos...
Continuo a te esperar...
Sandro Paschoal Nogueira
Neste "indo" para lá, D-us sabe onde, distraí-me e te quis. Por minutos, destruí a armadura. Destruída, sinto o estômago embrulhado, como se houvesse insetos; sei que engoli mais riscos. Destruí a inspiração da poesia.
Atraindo, distraindo, evoluindo, fugindo, traindo, iludindo, diluindo... Está diluído e exposto – tu queres? Eu quero! A poesia requer lábios, está te querendo, mas estou desfazendo cada verso.
Estou mesmo? Mesmo indo, sei onde estou. Desconheço caminhos, mas reconheço a estrada. Não há voltas; é um percurso sem retorno. Ir é mais que indo. Decidir seguir nos leva ao destino. Mas qual destino, se não tens noção de onde é o indo? O indo é arriscado!
Propósito não se acha... constrói-se. Não é um tesouro enterrado, é um caminho pavimentado com escolhas, erros, tentativas e recomeços. É moldado no silêncio das madrugadas, nas quedas que ensinam mais do que as vitórias. É quando você para de procurar sentido nas coisas e começa a dar sentido a elas. Propósito é ação com alma, não destino pronto.
