Frases sobre poesia
LÁ
Noites mal dormidas
Sonhos sem alcançar
Batalhas internas adormecidas
E ainda insisto em sonhar.
Traçado do desesperado
Que ressurge a sonhar
Calejado dos não's recebidos
Porém vivo, quem sabe chego lá.
Vejo-te na minha retina dia após dia
Vejo-te nos meus pensares noite após noite
Vejo-te, vejo-te, vejo-te.
Vejo-te longe dos meus braços
Longe dos meus abraços
Longe dos afagos.
Triste fim deste
Só por pensar no deleite
Em amar quem desvanece dele.
Amar-te era lembrança e profecias,
uma porta já feita para abrir,
e encontrar o lar ou música lavada
onde, se nasces, vives, duras, moras
— meu nome exacto e pão
no chão das alegrias
Se ao dizer adeus à vida
as aves todas do céu,
me dessem na despedida
o teu olhar derradeiro,
esse olhar que era só teu,
amor que foste o primeiro.
Com a tristeza acender a alegria
Com a miséria atear a felicidade
E no céu inocente da visão
Fazer pulsar um pássaro por vir
Fazer voar um novo coração
Entre aquém e além ser e não ser
tantas portas abertas ou talvez nenhuma.
Não há senão um verso por escrever
e sobre a areia branca a breve espuma.
E contudo perdendo-te encontraste.
E nem deuses nem monstros nem tiranos
te puderam deter. A mim os oceanos.
E foste. E aproximaste.
Antes de ti o mar era mistério.
Tu mostraste que o mar era só mar.
Maior do que qualquer império
foi a aventura de partir e de chegar.
Tudo que é sublime e rústico traz nas suas curvas os traços poéticos necessários para a inspiração e a construção de uma obra de arte.
As coisas não são assim como estão
Mas o tempo está como sempre deveria ser
Sabemos que o mundo
Gira em torno do sol
E dar tantas voltas que hoje não dá pra entender...
VALENTE MOÇO
Valente moço!
Por aturar rabujas
Deste ser sem alcunhas
Nem de ao menos aguarrás.
Valente moço!
Tolera coisa alheia
Faz de te luz que incandeia
E deixa os sonsos se debaterem.
Você não me leu direito. Não entendeu quando falei que não me mostro pra qualquer pessoa. Eu quis dizer que me revelo para poucos. Você fez uma leitura rasa e míope. Que pena... pra você.
- Flavia Grando -
Muito me cabe, pouco me convém
Sem tempo para seletivas
Estou ficando onde o santo bate (... amém)
- Flavia Grando -
Preciso conhecer os templos dos algozes
Lugares de carnificina humana
O sofrimento alheio meus pés no chão fincar
E entender que a vida é feita de refletir
Momentos de viagens para fora de si
E outras viagens dolorosas
Para entender o ser humano que está dentro de mim
Oposição e incoerência
Julgamentos e julgamentos
Se é amigo, não há crime
Se não é amigo, não há livramentos
Nosso maior crime é não nos aliar
A pensamentos vãos e sem argumentos
O mundo molda nossa mente
Antes de julgamento, do mundo o conhecimento
Aves
ter-te suspensa
do meu lume
na fogosa boca
o ardume
a explodir
tu
ardida e intacta
sonho e nuvem
voz exacta
um soltar
de aves
em pânico
na relva do olhar
Clandestinos somos
quando
o que somos
teme a face que pesquisa.
Os olhos são claros
quando
a superfície do espelho
é lisa.
