Frases de Salomão
A imaginação constrói pontes sobre abismos que a razão reconhece, mas que a vida cotidiana não pode esperar que permaneçam sem travessia.
Talvez a maior liberdade intelectual seja suportar uma pergunta aberta sem violentá-la com uma resposta prematura.
O homem deseja certezas porque o desconhecido lhe parece um tribunal sem juiz; então inventa deuses, teorias e sistemas para preencher o silêncio.
A razão pode iluminar o caminho, mas raramente escolhe para onde caminhamos; há desejos que chegam antes da filosofia e permanecem depois dela.
Entre aquilo que percebemos e aquilo que acreditamos existir há uma distância que nenhuma linguagem consegue abolir.
A certeza humana é frequentemente apenas uma dúvida que adquiriu memória suficiente para parecer antiga.
O costume transforma o improvável repetido em realidade psicológica e, depois, a realidade psicológica em dogma.
Quando a razão abandona a humildade, começa a confundir seus mapas com o território que jamais conseguiu possuir.
Não é a ausência de respostas que assusta o homem, mas a possibilidade de que o universo não tenha obrigação alguma de fornecê-las.
A crença nasce muitas vezes menos da força da evidência do que da necessidade humana de tornar habitável a incerteza.
Pensamos controlar nossas convicções, mas frequentemente são nossas paixões que lhes escrevem a sentença e contratam a razão para defendê-las.
O ceticismo não destrói o mundo; apenas retira dele algumas certezas que havíamos confundido com paredes.
Viver é agir sobre probabilidades enquanto a consciência sonha com certezas que a própria realidade não prometeu.
Adoro as mulheres; talvez por isso jamais tenha desejado submeter a liberdade do amor à arquitetura de um casamento.
O casamento é, por vezes, a tentativa de conferir eternidade jurídica a um sentimento cuja natureza é essencialmente transitória.
Há amores que atravessam os anos justamente porque jamais foram submetidos à arquitetura da permanência.
O amor nasce da liberdade do encontro; o casamento, quando mal compreendido, pode convertê-la na liturgia silenciosa da obrigação.
Prometer eternidade é uma das mais belas ficções humanas; exigir que ela sobreviva ao tempo é o primeiro confronto entre a poesia e a realidade.
O amor deseja a presença do outro; o casamento pode transformar esse desejo em uma gramática de pertencimento.
Casar é, algumas vezes, transformar a espontaneidade de uma escolha cotidiana na solenidade de um compromisso que pretende sobreviver à própria vontade.
