Frases de Salomão
Há um instante em que o homem deixa de obedecer às verdades recebidas e começa a escrever as suas próprias perguntas.
A verdadeira liberdade não consiste em escolher entre verdades prontas, mas em conservar o direito de questioná-las.
Entre o que desejamos que seja verdadeiro e aquilo que podemos legitimamente afirmar como verdadeiro existe o território da dúvida; é nesse território, precisamente, que a razão aprende sua humildade e a liberdade encontra sua forma mais alta.
O homem raramente obedece à razão que proclama; primeiro é conduzido pelas paixões, depois convoca a inteligência para transformar seus desejos em argumentos e o Direito em justificativa.
A razão frequentemente chega depois da paixão, não para governá-la, mas para lhe redigir a sentença, conferir-lhe aparência de verdade e, quando necessário, convertê-la em norma.
O homem não é governado apenas pelas leis que o Estado escreve, mas pelas paixões que a consciência oculta; frequentemente, a razão apenas fornece ao desejo a linguagem sofisticada com que ele se absolve.
“Onde o poder transforma o ser humano em instrumento, o Direito deixa de ser apenas norma e passa a ser o último território da dignidade contra a arbitrariedade.”
“A liberdade começa quando o homem deixa de ser objeto das vontades alheias e se reconhece como fim em si mesmo; o Direito existe, em sua forma mais elevada, para impedir que qualquer poder lhe retire essa condição.”
“Entre a liberdade da consciência e a força do poder ergue-se o Direito, não como simples arquitetura de normas, mas como fronteira moral além da qual nenhum ser humano deveria ser convertido em instrumento de outro.”
“Toda vez que o poder transforma uma pessoa em meio para seus próprios fins, o Direito é convocado a lembrar ao mundo que a dignidade humana não é instrumento, propriedade nem concessão: é limite.”
A razão não reina sobre o homem; muitas vezes apenas redige, em linguagem lógica, os decretos secretos de suas paixões.
Chamamos de certeza aquilo que o hábito repetiu tantas vezes que nossa dúvida perdeu a coragem de interrompê-lo.
A experiência não nos entrega a necessidade das coisas; oferece apenas a repetição de seus vestígios e nos deixa preencher o abismo com expectativas.
O milagre começa onde a evidência termina, mas a credulidade, incapaz de suportar o silêncio, transforma o desconhecido em testemunha.
A natureza não assina contratos com nossas teorias; somos nós que, depois de observá-la, redigimos leis para tentar domesticar sua indiferença.
A beleza não repousa nas coisas como uma propriedade imóvel; nasce no encontro secreto entre o objeto e a consciência que o contempla.
O hábito é o advogado invisível da existência: transforma a repetição em evidência e a familiaridade em uma espécie de verdade.
