Frases de Salomão
O romantismo sonhou com a eternidade; o casamento tentou dar-lhe forma, testemunhas, assinatura e reconhecimento civil.
Há pessoas que poderiam amar-se durante toda a vida precisamente porque jamais confundiram intimidade com coexistência permanente.
O casamento não necessariamente extingue o amor; às vezes apenas substitui o mistério que o alimentava pela familiaridade que o administra.
Quando o amor necessita de garantias para permanecer, talvez já esteja procurando na lei aquilo que deixou de encontrar no desejo.
Nenhuma aliança é suficientemente sólida para vincular aquilo que pertence à região indomável da vontade humana.
A aliança no dedo pode simbolizar a permanência, mas nenhum metal possui jurisdição sobre a impermanência do coração.
O amor é uma experiência da liberdade; sua institucionalização é a tentativa humana de conferir estabilidade jurídica ao que nasceu sem contrato.
Casar é confiar ao futuro uma promessa formulada no presente, ignorando que nenhum dos amantes conhece inteiramente a pessoa que será amanhã.
Há algo de profundamente paradoxal em jurar eternidade quando ambos os amantes são criaturas submetidas à inexorável jurisdição do tempo.
O casamento tenta domesticar o acaso; o desejo, porém, conserva sempre uma parcela de sua antiga e indisciplinada natureza.
Existe uma melancolia particular na passagem do ‘quero permanecer contigo’ para o ‘devo permanecer contigo’: quando o desejo cede lugar ao dever, alguma coisa do amor se transforma.
O amor pode suportar a distância porque pertence à liberdade; o casamento, quando reduzido à posse, passa a temê-la como se toda ausência fosse uma sentença.
Talvez o casamento seja uma das mais sofisticadas invenções humanas: a tentativa de conceder permanência institucional a uma experiência cuja beleza reside precisamente em sua incerteza.
Adoro as mulheres; talvez por isso desconfie da instituição que pretende transformar o encontro entre duas liberdades em uma promessa de permanência, como se o amor pudesse ser preservado pela mesma linguagem que o direito utiliza para vincular vontades.
A razão humana é suficientemente poderosa para perguntar pelo infinito, mas suficientemente limitada para não poder habitá-lo.
O maior território da liberdade começa exatamente onde termina a pretensão de possuir todas as respostas.
Pensamentos sem experiência tornam-se arquitetura suspensa; experiências sem pensamento permanecem ruínas sem linguagem.
O homem deseja conhecer o absoluto, mas carrega dentro de si uma razão construída para navegar apenas pelas margens do possível.
A crítica não destrói a razão; coloca-lhe fronteiras para que ela não transforme sua própria luz em cegueira.
A dignidade começa quando o ser humano deixa de aceitar que qualquer pessoa possa ser reduzida à condição de instrumento.
