Frases de Salomão
O Estado laico é a forma política de reconhecer que a consciência não pode receber sentença estatal, sobretudo sobre questões que permanecem abertas à razão humana.
O Direito começa onde a persuasão descobre que a liberdade humana também pode ser objeto de mercado.
Toda publicidade promete um produto; toda grande publicidade promete, secretamente, uma versão diferente daquele que o compra.
Quando o desejo se torna dado, a intimidade deixa de ser apenas um direito e passa a ser uma fronteira econômica.
O consumidor imagina escolher entre produtos; frequentemente escolhe entre narrativas previamente construídas para tornar um produto desejável.
A mais sofisticada forma de persuasão é aquela que desaparece dentro da própria vontade de quem foi persuadido.
A liberdade não desaparece quando alguém nos convence; começa a ser juridicamente inquietante quando já não conseguimos perceber quem conduziu nossa escolha.
O Direito protege a autonomia não contra toda influência, mas contra as formas de influência que procuram abolir a consciência da própria influência.
A publicidade aprendeu a falar com o desejo antes que a razão tenha tempo de lhe perguntar seu nome.
O marketing transforma desejos dispersos em mercados; o Direito pergunta quando essa transformação deixa de revelar desejos e começa a fabricá-los.
Nenhuma mercadoria é inteiramente material: parte de seu preço reside na história que aprendemos a contar sobre ela.
A marca é uma ficção econômica que adquire valor porque milhões de consciências concordam, simultaneamente, em tratá-la como realidade.
O consumidor compra objetos; a publicidade procura comprar antecipadamente o significado que esses objetos terão dentro dele.
A propaganda não precisa alterar os fatos para alterar a realidade percebida; basta decidir quais fatos merecem ocupar a memória.
Há mentiras que afirmam o falso e há verdades que, cuidadosamente selecionadas, produzem o mesmo efeito.
A omissão é a retórica silenciosa pela qual uma verdade pode ser preservada enquanto seu sentido é cuidadosamente deformado.
Toda comunicação escolhe o que iluminar; o poder começa quando alguém passa a escolher também o que os outros não conseguirão enxergar.
A informação liberta quando amplia o horizonte da escolha; aprisiona quando estreita o horizonte sem revelar que o fez.
O excesso de informação não destrói necessariamente a verdade; às vezes apenas a enterra sob aquilo que parece informação suficiente.
