Frases de Fernando Pessoa meio Ambiente
As Leis são do universo. O homem é apenas um objeto do meio, aonde os rituais místicos são repetitivos e ofegantes, às vezes tão nostálgicos. Esses, são como o miauuu do gato, o muuu da vaca, o béee do bode; basta ouvir e concordar que isso nunca mudará. (A. Valim).
E pelas ladainhas nostálgicas em manhãs de domingo meio santo, eu deveria tê-lo o céu como recompensa.
A prática da vida humana em uma manhã de domingo meio santo na forma nostálgica da oração do louvor e da adoração não é condizente com a lógica de uma juventude que almeja dormir até ao meio dia.
A intuição é a forma de conhecimento mais pura, mas perdida em meio às razões vazias da lógica humana.
SUTILEZA
Assim, meio sem jeito
Vai entrando no peito
Conquistando respeito
Transformando o sujeito
Que saiu do relento
Tamanho tormento
Aragem e vento
Um novo rebento
Bem mais atento
Abastece o sustento
Do amor que é alento.
INCISIVO
Enfim: hora de partir
Bem assim cortar ao meio
Afiar um novo norte
Chega de pra si mentir
Destemido e sem receio
Arriscar a própria sorte
Não há como consentir
Sempre os mesmos aperreios
Ir com fé chega de açoite!
GENERAL
Poucos saberão o enredo
Daquele olhar meio zambaio
Quem sabe já teve até medo
Mesmo sendo um tanto zagaio
E tratado como brinquedo
Revestido como um cipaio
Atado na ponta dos dedos
Fazendo da vida um ensaio
Havia de ter seus segredos
O nosso amigo Nanaio.
SECA CHEIA
Berra estridente o barulho das folhas
Que quebram tristes em meio à seca
Cá dentro o copo quase transborda
Inundação que afoga o sossego
Irrigai forças pra novas escolhas
Que transformem o sertão em charneca
Cultuai melhor a tua chalorda
Separando o joio e o apego!
MORTO VIVO
Olá meu amigo cérebro
Preciso falar contigo
Eu ando meio colérico
Que tu sejas meu amigo
Se ando meio famélico
Uma luz ao que preciso
Pra não ficar cadavérico
Que eu não fique um mendigo
A esperar o meu féretro
Verdadeiro morto vivo!
BERÇO ESPLÊNDIDO
Trabalho que embala o sono
De um corpo meio cansado
É "sorte" que veste o sonho
Que acorda realizado.
SONHOS BANAIS
Em meio a tantos sonhos iguais
Contando à espera de um milagre
Ficam senis e tão banais
Que nem uma porta se abre.
INVASÃO
Meio assim sem alarde
Em um final de tarde
Bem antes que o céu parde
Alguma luz resguarde
Brilhando paz que invade.
EDAZ
E meio assim sem alarde
Em atitude edaz
Vai se despindo o covarde
Certeiro que é capaz
Nalgum lanhaço que arde
Pelear no rumo da paz!
PARTO
Do aconchego de um ventre
Nasceu em meio a seus medos
Com sua tarefa ingente
De os transformar em sossego
Foi essa sina premente
A que gestou este Alfredo.
ENCONTRO DAS ÁGUAS
Com pensamentos meio alerdes
Vai despertando a madrugada
Mais vigilância há de terdes
Sobre tua própria empreitada
Seguindo o Sol ninguém se perde
Invade o mar cuia cevada
Purificado mate verde
Nesse Santo encontro das águas.
INSÂNIA
Em meio a tantas agruras
Que já vêm de lonjuras
Por que agora apuras
Se nem o tempo cura
As estocadas duras
Rasgaram a lisura
Que um dia foi pura
Nessa insana loucura.
INCERTEZAS
Que bom vê-la coagida
Em voltar brincar com a vida
Assim, meio na chibata
No açoite que arrebata
As incertezas do medo
Permitindo um novo enredo
Deixando o que não importa
Virar chave à outra porta!
