Frases de Clarice Lispector
Quero pegar, sentir, tocar, ser. E tudo isso já faz parte de um todo, de um mistério. Sou uma só. (...) Sou um ser. E deixo que você seja. Isso lhe assusta? Creio que sim. Mas vale a pena.
Nota: Trecho da crônica Máquina escrevendo.
...MaisUltrapassar a dor é a pior crueldade. E eu tenho medo disso, eu que sou extremamente moral. Mas agora sei que tenho de ter uma coragem muito maior: a de ter uma outra moral, tão isenta que eu mesma não a entenda e que me assuste.
Que esforço eu faço para ser eu mesma. Luto contra uma maré em nau onde só cabem meus dois pés em frágil equilíbrio ameaçado.
Eu me sinto culpado quando não vos obedeço. Sou feliz na hora errada. Infeliz quando todos dançam.
Também era bom que não viesse tantas vezes quantas queria: porque ela poderia se habituar à felicidade.
O perigo de meditar é o de sem querer começar a pensar, e pensar já não é meditar, pensar guia para um objetivo.
É absolutamente indispensável que eu seja uma ocupada e uma distraída.
Nota: Trecho da crônica Atualidade do ovo e da galinha (II).
...MaisQuero que me deem isto: não a explicação, mas a compreensão.
Nota: Trecho da crônica Ao correr da máquina.
...MaisO indizível só me poderá ser dado através do fracasso de minha linguagem. Só quando falha a construção, é que obtenho o que ela não conseguiu.
Eu quero a verdade que só me é dada através do seu oposto, de sua inverdade. E não aguento o cotidiano. Deve ser por isso que escrevo.
Dá uma vontade de não ser, exatamente quando se é com toda a força.
(...) nada te posso garantir – eu sou a única prova de mim (...)
Nota: Trecho da crônica A noite mais perigosa.
...MaisNão fossem os caminhos da emoção a que leva o pensamento, pensar já teria sido catalogado como um dos modos de se divertir.
Nota: Trecho da crônica Brincar de pensar.
...MaisEsse primeiro calor ainda fresco trazia: tudo. Apenas isso, e indiviso: tudo.
E tudo era muito para um coração de repente enfraquecido que só suportava o menos, só podia querer o pouco aos poucos.
Se tiver coragem, eu me deixarei continuar perdida. Mas tenho medo do que é novo e tenho medo de viver o que não entendo – quero sempre ter a garantia de pelo menos estar pensando que entendo, não sei me entregar à desorientação.
Farei o possível para não amar demais as pessoas, sobretudo por causa das pessoas...
Nota: Trecho de carta para Elisa Lispector, de 19 de outubro de 1948.
...MaisCada mudança, cada projeto novo causa espanto: Meu coração está espantado.
O que nos salva da solidão é a solidão de cada um dos outros.
É porque estou muito nova ainda e sempre que me tocam ou não me tocam, sinto – refletia.
