Frases de Clarice Lispector
Eu queria escrever um livro. Mas onde estão as palavras? esgotaram-se os significados.
Como é bom o instante de precisar que antecede o instante de se ter.
Andar na escuridão completa à procura de nós mesmos é o que fazemos.
Nossa amizade era tão insolúvel como a soma de dois números: inútil querer desenvolver para mais de um momento a certeza de que dois são cinco.
Quando de noite ele me chamar para a atração do inferno, irei. Desço como um gato pelos telhados. Ninguém sabe, ninguém vê. Só os cães ladram pressentindo o sobrenatural.
Enquanto escrever e falar vou ter que fingir que alguém está segurando a minha mão.
Pois há um tempo de rosas, outro de melões, e não comereis morangos senão na época de morangos.
Mas não há paixão sofrida em dor e amor a que não se siga uma aleluia.
Às duas horas da madrugada, enfim, nasceu ela, a ideia.
Estrelas são os olhos de Deus vigiando para que corra tudo bem. Para sempre. E, como se sabe, sempre não acaba nunca.
O pequeno êxtase da palavra fluir junto do pensamento e do sentimento: nessa hora como é bom ser uma pessoa! (...) Eu me encontro nos outros. Tudo o que dá certo é normal. O estranho é a luta que se é obrigado a travar para obter o que simplesmente seria o normal.
Quem sabe, até, eu era só aprendiz de anjo.
É necessário certo grau de cegueira para poder enxergar determinadas coisas.
Não posso perder um minuto do tempo que faz minha vida. Amar os outros é a única salvação individual que conheço: ninguém estará perdido se der amor e às vezes receber amor em troca.
Preciso ser livre - não aguento a escravidão do amor grande, o amor não me prende tanto.
Minhas ideias são inventadas. Eu não me responsabilizo por elas.
A verdade não faz sentido, a grandeza do mundo me encolhe.
A fé – é saber que se pode ir e comer o milagre. A fome, esta é que é em si mesma a fé – e ter necessidade é a minha garantia de que sempre me será dado. A necessidade é o meu guia.
