Democracia não é pensar igual, é... RivaAlmeida
Democracia não é pensar igual, é saber respeitar as diferenças.
A ignorância política não está em defender uma ideia diferente, mas em acreditar que somente a própria visão merece ser ouvida. É confundir convicção com verdade absoluta e transformar a discordância em uma ofensa pessoal.
O sábio compreende que a democracia não exige que todos pensem da mesma maneira, mas que todos tenham o direito de pensar, escolher, questionar e expressar suas opiniões sem serem tratados como inimigos por isso.
Defender a liberdade de escolha apenas quando o outro concorda conosco não é defender a liberdade, mas impor condições a um direito que deveria valer para todos. O verdadeiro respeito democrático se revela justamente quando alguém escolhe diferente de nós e, ainda assim, reconhecemos seu direito de fazê-lo.
Podemos discordar de ideias, questionar argumentos e combater aquilo que consideramos equivocado. O que não podemos é imaginar que a nossa opinião nos concede superioridade sobre quem pensa diferente. Afinal, convicção não é prova, maioria não é sinônimo de verdade e discordância não é sinônimo de ignorância.
Quem precisa silenciar o outro para sustentar suas ideias não fortalece seus argumentos; apenas revela a fragilidade com que os defende.
A democracia exige mais do que o direito de escolher: exige maturidade para aceitar que os outros também podem escolher. Porque, no momento em que só reconhecemos a liberdade de quem concorda conosco, deixamos de defender um princípio e passamos a defender apenas a nós mesmos.
A democracia não morre apenas quando roubam do povo o direito de escolher. Ela também se enfraquece quando o cidadão, incapaz de respeitar a escolha alheia, deseja para si a liberdade que se recusa a conceder aos outros.
