# Ricardo Kbção: entre o rock... MARIA MELLO
# Ricardo Kbção: entre o rock independente, a poesia e a crítica social
**A trajetória de Ricardo Alexandre de Rezende Sales reúne música autoral, escrita literária e iniciativas culturais ligadas ao cenário independente do Sul de Minas. Publicações no Pensador revelam uma produção que transita entre a poesia, a prosa reflexiva e a crítica às contradições da sociedade contemporânea.**
A história de Ricardo Alexandre de Rezende Sales, conhecido artisticamente como Kbção, está relacionada a diferentes formas de expressão cultural. Músico, compositor e produtor cultural, seu nome aparece associado à cena independente de Andradas e Poços de Caldas, em Minas Gerais, tanto pela participação em bandas quanto por iniciativas de divulgação e organização de eventos. Entretanto, uma investigação de sua presença na internet revela outra dimensão de sua trajetória: a produção escrita, que inclui textos reflexivos, versos e letras de músicas publicados no site Pensador.
Nascido em Poços de Caldas, em 26 de janeiro de 1981, segundo informações biográficas disponíveis na internet, Ricardo teria se mudado ainda criança para Andradas, cidade que se tornou um dos principais cenários de sua atuação cultural. Sua trajetória é descrita como a de um artista que transitou entre a música, a escrita e diferentes atividades profissionais, desenvolvendo projetos em um ambiente no qual a iniciativa independente desempenha papel importante na manutenção da vida cultural.
Sua relação com a música teria começado ainda no final da década de 1990, passando por diferentes formações e experiências. Entre as bandas associadas ao seu percurso estão Santo Daime, .50 (Ponto Cinquenta), V.u.l.g.o., MiseЯicóЯdia e Dialética!. Esses projetos representam diferentes etapas de uma trajetória construída em colaboração com outros músicos e vinculada ao circuito alternativo do rock regional.
Entre essas experiências, a Dialética! ocupa lugar de destaque. Segundo os registros biográficos consultados, o grupo foi formado em Andradas entre abril e maio de 2015, com Ricardo nos vocais, Cristiano Vietri, conhecido como Tianinho, na guitarra, Caio Lopes de Barros no baixo e Giovani Marcon na bateria. A banda aparece associada à produção autoral e à participação em apresentações e eventos voltados à música independente. Entre os trabalhos relacionados ao grupo está a canção “Em que vivemos?”, além da referência a um projeto denominado *Síntese Dialética*. A identificação completa da discografia e dos créditos de composição, contudo, depende da consulta a gravações e registros oficiais.
A atividade musical não esgota a dimensão artística de Kbção. A página de autor de Ricardo Alexandre de Rezende Sales no Pensador reúne publicações que permitem observar sua relação com a linguagem escrita. Em vez de se limitar a frases motivacionais ou pensamentos isolados, o material inclui textos em prosa, versos e composições que abordam conflitos individuais e questões sociais. Essa diversidade permite investigar uma produção literária paralela à sua atuação musical, embora seja necessário verificar cada publicação original e distinguir os textos autorais de comentários feitos por terceiros.
Entre os trabalhos identificados está “RITUAL”, uma letra de música publicada no Pensador e atribuída a Ricardo Alexandre de Rezende Sales. O texto contém o verso “Me salva dessa Rua!”, que integra a composição e não deve ser tratado como uma obra independente. Essa distinção é fundamental para a organização de seu catálogo artístico, pois permite compreender o verso dentro da estrutura e do sentido da canção.
Em “RITUAL”, a experiência urbana aparece associada à inquietação e à necessidade de escapar de uma condição que oprime o sujeito. A rua pode ser compreendida como espaço físico, mas também como imagem de uma rotina desgastante, de conflitos e de circunstâncias que limitam a liberdade individual. O pedido de salvação presente no refrão reforça a tensão entre permanecer em uma realidade sufocante e buscar uma possibilidade de ruptura. Essa interpretação deve ser entendida como leitura do texto, e não como declaração autobiográfica do compositor.
A presença de “RITUAL” entre as publicações do Pensador é especialmente relevante porque estabelece uma ligação direta entre a produção musical e a escrita disponibilizada na internet. A canção pode ser analisada tanto como composição artística quanto como parte de um conjunto mais amplo de textos em que aparecem inquietações relacionadas à existência, à identidade e ao ambiente social.
Outro trabalho encontrado é “PLASTIC SMILE”, texto de caráter crítico atribuído ao mesmo autor. A composição apresenta imagens relacionadas ao consumismo, à degradação ambiental, à influência dos meios de comunicação e à artificialidade das relações sociais. O título, que pode ser traduzido como “sorriso plástico”, sugere uma aparência fabricada, uma expressão exterior que nem sempre corresponde à realidade. A partir dessa imagem, o texto articula uma crítica à superficialidade e aos modelos sociais que transformam comportamentos e relações em produtos.
A linguagem de “PLASTIC SMILE” aproxima-se da poesia de intervenção social, combinando versos livres e passagens de caráter argumentativo. Em vez de se concentrar exclusivamente na experiência individual, o texto amplia o campo de observação e questiona a maneira como a sociedade contemporânea organiza seus valores, seu consumo e suas relações com o ambiente. A obra demonstra uma vertente da escrita de Ricardo voltada à contestação e à observação crítica do mundo.
Em outra publicação, intitulada “NOITE”, a abordagem assume características diferentes. O texto apresenta uma narrativa em prosa na qual a madrugada funciona como cenário para reflexões sobre a vida cotidiana, a imaginação, as relações humanas e a liberdade. A linguagem coloquial, as associações inesperadas e a alternância entre situações corriqueiras e pensamentos mais amplos conferem à obra características de crônica pessoal e prosa poética. A noite não é apenas um período do dia, mas um espaço simbólico no qual a imaginação pode se afastar das exigências e convenções da rotina.
A produção disponível também inclui textos em versos sobre identidade e autonomia. Em uma dessas publicações, a voz que conduz o poema reivindica o direito de ser reconhecida em sua individualidade, sem precisar corresponder às expectativas externas. A afirmação da própria maneira de existir aproxima esse texto de outras reflexões do autor sobre autenticidade, escolhas e responsabilidade. Embora a brevidade e o ritmo dos versos possam sugerir proximidade com a linguagem musical, a classificação de cada publicação deve respeitar os registros disponíveis, sem presumir que todos os poemas tenham sido concebidos como letras de canções.
Os pensamentos curtos publicados sob o nome de Ricardo Alexandre de Rezende Sales acrescentam outra camada a esse conjunto. Alguns abordam a desigualdade na aplicação das leis e as relações entre poder e privilégio; outros tratam de ego, aparência, decisões e consequências. Há também reflexões que utilizam a imagem das tatuagens e cicatrizes para pensar nas marcas deixadas pelas experiências vividas. Embora diferentes em extensão e forma, essas publicações demonstram interesse recorrente pela relação entre aquilo que as pessoas apresentam ao mundo e aquilo que efetivamente vivenciam.
Essa diversidade não significa necessariamente que todos os textos componham uma obra literária organizada ou um sistema filosófico uniforme. O que se pode observar é a recorrência de determinados temas e a utilização de diferentes formas de expressão para explorá-los. A poesia permite condensar imagens e sentimentos; a prosa desenvolve situações e associações; a letra musical acrescenta ritmo, interpretação e a possibilidade de circulação por meio da voz. A comparação entre essas formas pode revelar aproximações importantes, desde que apoiada na leitura das publicações originais e, quando possível, na análise das gravações.
A atuação de Ricardo também é associada à criação da FunZine – Curtição em Revista, publicação independente mencionada em sua biografia. As fanzines possuem uma longa história na divulgação de bandas, movimentos artísticos e manifestações culturais que encontram pouco espaço nos meios de comunicação tradicionais. Produzidas fora das estruturas convencionais do mercado editorial, essas publicações permitem que artistas e comunidades compartilhem informações, registrem acontecimentos e construam canais próprios de comunicação. A recuperação dos exemplares da FunZine poderia contribuir para compreender melhor a relação de Kbção com a divulgação cultural e com a circulação de ideias.
Outra dimensão de sua trajetória está relacionada à produção de eventos musicais. Os registros biográficos consultados associam seu nome à Summer Rock Produções e a festivais como Summer Rock Festival, Noise Rock Festival e Cachorro Loko Rock Festival. Um registro publicado pelo blog Combate Rock, do UOL, em 17 de agosto de 2017, anunciou a primeira edição do Cachorro Loko Rock Festival, prevista para ocorrer em Andradas, no Clube Rio Branco — Sede Campestre. A programação divulgada reunia bandas autorais e apresentações tributo, incluindo nomes como Hellflip, Dialética!, Voracce Metal Band e Melanie Klein, além de homenagens a Motörhead e Iron Maiden.
Esse registro documenta a existência de uma iniciativa voltada ao rock na cidade e oferece um ponto concreto para reconstruir parte da história cultural regional. A atribuição de responsabilidades específicas de organização, porém, exige confirmação por meio de materiais da produção, cartazes originais, entrevistas e outros documentos contemporâneos. A distinção é importante porque a documentação de uma trajetória artística deve separar a existência de um evento da comprovação do papel individual de cada participante.
A relação entre música, escrita e produção cultural permite compreender Kbção para além da imagem de um vocalista. Sua presença em diferentes bandas indica participação na criação musical coletiva; as publicações no Pensador revelam uma vertente literária que explora conflitos pessoais e questões sociais; e as iniciativas culturais associadas ao seu nome apontam para um envolvimento com a circulação da produção independente. Essas dimensões não devem ser confundidas, mas podem ser investigadas em conjunto para construir um retrato mais completo de sua trajetória.
É necessário, entretanto, reconhecer os limites da documentação disponível. As páginas do Pensador constituem referências úteis para localizar textos atribuídos a Ricardo, mas a plataforma não representa necessariamente a totalidade de sua produção. Letras podem estar registradas em páginas distintas, publicações antigas podem ter desaparecido e textos podem circular em outras plataformas ou em arquivos pessoais. A identificação de todas as obras exige uma busca sistemática pelo nome completo, pelas variações do nome artístico, pelos títulos conhecidos e pelos projetos musicais dos quais participou.
A canção “RITUAL” é um exemplo de como essa pesquisa pode corrigir interpretações anteriores e reorganizar o material encontrado. Ao identificar “Me salva dessa Rua!” como parte da letra, evita-se separar artificialmente uma passagem de sua composição original. O mesmo procedimento deve ser aplicado às demais publicações, distinguindo poemas independentes, letras musicais, textos em prosa e pensamentos breves.
A recuperação de cartazes, gravações, fotografias, publicações independentes e depoimentos de antigos companheiros de banda também pode ajudar a estabelecer uma cronologia mais precisa. Entrevistas com o próprio Ricardo seriam especialmente importantes para confirmar datas, identificar composições, esclarecer o contexto de criação dos textos e compreender quais trabalhos considera centrais em sua trajetória.
A produção atribuída a Ricardo Alexandre de Rezende Sales, o Kbção, oferece um campo de investigação que ultrapassa a história de uma banda ou de um conjunto de apresentações. Entre o rock independente, a escrita literária e a crítica social, seus registros públicos apontam para diferentes maneiras de expressar inquietações e participar da cultura regional. A reunião dessas obras em um arquivo organizado pode contribuir para preservar a memória de sua atuação e para compreender melhor a diversidade de iniciativas que sustentam a produção artística fora dos grandes centros.
